Elas no comando

O machismo também impede as mulheres de exercerem funções de comando em clubes, times e federações esportivas. A pouca representatividade termina por afetar os esportes femininos em geral

Acho que cada vez mais as mulheres estão se destacando, não só no esporte mas na vida, na profissão. As mulheres estão alcançando mais espaço”, afirma a ex-jogadora da seleção brasileira de vôlei, Virna Dias.

Por mais que o assunto tenha se tornando pauta de alguns debates, a desigualdade de gênero nas práticas esportivas continua presente. Os Jogos Olímpicos de 2012 foram marcados pelo avanço em direção à igualdade de gêneros por alguns motivos: 4.675 mulheres competiram no evento, o que representou 44,2% dos 10.567 atletas presentes.  A diferença de gênero é grande e notória, se torna ainda maior quando analisamos a quantidade de mulheres em posição de comando e por conta disso, a ausência das mulheres em cargos de liderança nos esportes é tido como algo não tão comum.

No Comitê Olímpico do Brasil (COB), segundo site “O Globo”, as mulheres dominam o quadro de funcionários mas, em funções de gestão, são quase 45%. Já na diretoria, dos seis chefes entre presidente, vice e diretoria, apenas uma mulher ocupa o cargo.

A questão não é que deveriam ter apenas mulheres nessas posições, mas uma diversidade, já que dentro de um universo machista, o argumento é dizer que as mulheres não entendem e nem podem trabalhar com esportes, o que não é verdade. A troca de informações, experiências é importante, afinal, é possível haver um trabalho em conjunto, ter uma boa relação, além disso, saber que o reconhecimento do trabalho é importante pelo que é realizado, independentemente do gênero, sem desvalorizar ou desrespeitar o outro.

Alexandre Ramos (Tande). Foto: Google/Reprodução da internet

O campeão olímpico Alexandre Ramos, mais conhecido como Tande se diz acostumando com a presença forte de mulheres em sua vida, inclusive nos esportes. “Fui educado por minha mãe, que era grudado nos filhos, e pela minha irmã, então na vida sempre tive a educação feminina e sou um admirador dela. Na seleção brasileira e em clubes, a gente trabalha volta e meia com as mulheres que fazem as estatísticas nos scouts dos jogos, psicólogas, nutricionistas, e realmente são fantásticas”.

Para as mulheres em posições de comando nos esportes, lidar com muitas pessoas, ouvir, presenciar atitudes, comentários machistas, experiências e argumentos é uma realidade e isso foi assunto para o podcast: “Elas no comando”, que debateu sobre mulheres em posições de liderança no universo ainda predominantemente masculino, As convidadas foram, Ângela Lima, que atuou como consultora da presidência do Santa Cruz futebol clube, e Júlia Kacowiz, ex-diretora de comunicação institucional do Sport Clube do Recife.

Atletas estiveram presentes nas Olimpíadas de 2012

Mulheres competiram no evento