Codinome Audaciosa

“Não quero usar meu rap para falar só das minhas dores”

Durante três anos, Lady Laay esteve na linha de frente do Poder Feminino Crew (PFC), grupo de hip hop, formado em 2014 por outras quatro mulheres, com o qual fez shows, gravou músicas e articulou projetos como o Festival Todo Poder a Elas, homônimo de uma das canções. Em julho de 2016, o evento levou ao Museu da Abolição, no bairro da Madalena, atividades político-culturais com foco especial na valorização e emancipação de mulheres negras e periféricas. A ideia era por no mundo, ainda em 2017, o primeiro álbum do PFC, mas a inconstância financeira e as responsabilidades pessoais fizeram com que somente Laay pudesse seguir com o rap.

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A partir daí, o foco passou a ser a carreira solo, talhada passo a passo junto ao DJ Novato, produtor, experiente beatmaker e namorado. São as noites de produção, pós-trabalho formal, que dão espaço para que Lady Laay tome o protagonismo da vida de Elaine. O arrebatamento vem junto aos fins de semana e aos muitos shows que têm feito ao longo de 2017, um deles no palco Aeso do Festival No Ar Coquetel Molotov, um dos mais importantes do Nordeste.

Durante os shows, Laay fala sobre emancipação feminina, solidariedade entre mulheres e valorização da música periférica

De codinome, Audaciosa passou a ser título do futuro álbum, composto por dois EP’s, Faro e Visão, cada um deles com cinco músicas. Como inspiração, as vivências particulares e as observações, análises, desdobramentos das percepções sobre os relatos e vivências de outras pessoas.

“Apesar das músicas tratarem de diferentes temas, todas têm como eixo uma mulher que tem coragem e audácia para bater de frente, denunciar e usar sua música como instrumento de luta contra desigualdades e outros males que afetam as parcelas oprimidas e estigmatizadas pela sociedade, como as pessoas portadoras de doenças psicossomáticas”, detalha.

Se tudo correr como planejado, o registro estará no mundo ainda no primeiro semestre de 2018. “Quero usar meu rap não só para falar das minhas dores, minhas vivências, mas para dar voz a outras pessoas, falar de outras opressões, não ficar olhando só para o meu umbigo”, sintetiza, com ares de quem ainda tem muito a fazer.