As batalhas de Ranne Skull

As batalhas de Ranne Skull

É nas rodas de improviso de rima que a jovem de cabelo colorido reivindica seu espaço

Cabelos cor-de-rosa, tatuagens por todo o corpo, voz de menina. À primeira vista, Ranne França, a Ranne Skull, 29 anos, pode passar uma imagem agressiva aos mais conservadores. A verdade é que muitas nuances se misturam para formar a MC, tatuadora, grafiteira, modelo e mãe que Ranne apresenta quando lhe perguntam sobre quem ela é.

Nascida no Pina, Zona Sul do Recife, cresceu ouvindo rock e bossa nova, até que o período de sete anos vividos, entre 2007 e 2014, na Praia de Pipa, Rio Grande do Norte, traçaram estratégia para que conhecesse o rap. Lá, desenvolveu um projeto em bares e restaurantes para divulgar o trabalho como tatuadora. Se sentindo limitada por tempo e técnica pelo trabalho com pincel, foi ser aprendiz de grafiteira com amigos da comunidade do Bode, para aprender a grafitar.

Com eles, conheceu a Batalha da Maresia, disputa de improviso de rimas. Quatro meses depois, voltou definitivamente ao Recife, indo trabalhar num estúdio de tatuagem onde o freestyle era rotina entre os colegas. Assim, entrou de vez para o mundo das batalhas, a princípio na Rinha dos Monstros, e, posteriormente, a da Escadaria, onde fez casa.

“Houve uma edição da Rinha dos Monstros, no Marco Zero, a primeira de grande porte que eu participei. Fui a primeira menina a ganhar e senti uma coisa muito boa quando eu falava minha opinião e ouvia as pessoas gritando o meu nome”, relembra Ranne Skull

Ouça a participação de Skull na Roda de Conversa

Após dois anos de participação frequente, sente que tanto o comportamento dos oponentes quanto a reação da plateia tem mudado em relação a ela. Muito pela insistência em ocupar lugares dominados pelos homens.

Há alguns anos, descobriu-se médium da doutrina do amanhecer, para a qual presta caridade espiritual no templo de três a quatro vezes por semana. Com a religião, encontrou a paz espiritual que fornece o equilíbrio necessário para continuar enfrentando – e ganhando muitas – das batalhas de rimas e de sobrevivência que encara com maestria.

Confira o MIC Aberto de Ranne Skull

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