{"id":400,"date":"2024-11-26T16:54:24","date_gmt":"2024-11-26T19:54:24","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/racismo-ambiental\/?p=400"},"modified":"2025-05-05T19:44:00","modified_gmt":"2025-05-05T22:44:00","slug":"dois-unidos-e-os-desafios-de-uma-periferia-recifense-o-portalmorros","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/dois-unidos-e-os-desafios-de-uma-periferia-recifense-o-portalmorros\/","title":{"rendered":"Dois Unidos e os desafios de uma periferia recifense: O Racismo Ambiental"},"content":{"rendered":"\n<p>Onde voc\u00ea mora tem pontos de risco? Na sua comunidade tem esgoto tratado, acesso a posto de sa\u00fade? Se a resposta foi n\u00e3o, voc\u00ea enfrenta as dificuldades que o termo \u201cracismo ambiental\u201d representa. Mas calma, pode parecer dif\u00edcil de entender, mas n\u00e3o \u00e9. Por isso, vamos mergulhar nesse tema para compreender seu significado e o que o bairro Dois Unidos, uma das periferias do Recife tem a ver com isso.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Como surgiu o termo racismo ambiental?<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Esse debate ganhou popularidade no Brasil recentemente, mas n\u00e3o \u00e9 novo. O termo (racismo ambiental) surgiu em 1980, quando um qu\u00edmico, pastor e ativista dos direitos civis dos negros nos Estados Unidos, Dr. Benjamin Franklin Chaves Jr., denunciou, junto \u00e0 comunidade negra do condado de Warren, na Carolina do Norte (EUA), a constru\u00e7\u00e3o de dep\u00f3sitos de res\u00edduos t\u00f3xicos pr\u00f3ximos \u00e0s suas casas. Segundo mat\u00e9ria publicada pela FIOCRUZ, um relat\u00f3rio da ag\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o ambiental dos Estados Unidos (EPA) revelou que, em 1983, 75% dos dep\u00f3sitos de rejeitos localizados no sul dos Estados Unidos, ficavam pr\u00f3ximo a bairros onde a maioria das pessoas eram negras.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"337\" height=\"238\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-17-170834.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-401\" style=\"width:1441px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-17-170834.png 337w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Captura-de-tela-2024-11-17-170834-300x212.png 300w\" sizes=\"(max-width: 337px) 100vw, 337px\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\">Foto: Bullard (2000, p. 67) protesto de pessoas negras contra os dep\u00f3sitos.<\/p>\n\n\n\n<p>Esse epis\u00f3dio foi a porta de entrada para um debate sobre pol\u00edticas ambientais em territ\u00f3rios onde a maioria da popula\u00e7\u00e3o \u00e9 formada por pessoas pretas, pardas e ind\u00edgenas.<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\">\n<p><em>\u201c\u00c9 discrimina\u00e7\u00e3o racial na tomada de decis\u00f5es. \u00c9 discrimina\u00e7\u00e3o racial na efetiva\u00e7\u00e3o das normas. \u00c9 discrimina\u00e7\u00e3o racial na aloca\u00e7\u00e3o deliberada de lixo t\u00f3xico e ind\u00fastrias poluentes em comunidades vulnerabilizadas. \u00c9 discrimina\u00e7\u00e3o racial no consentimento p\u00fablico de fatores de risco \u00e0 sa\u00fade e vida humana em comunidades de cor.\u201d (CHAVIS JR., 1993, p. 3)<\/em><\/p>\n<\/blockquote>\n\n\n\n<p>Ou seja, as injusti\u00e7as do Estado afetam e excluem pessoas n\u00e3o brancas do processo de formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas, e as deixam sem acesso a direitos b\u00e1sicos.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o avan\u00e7o do debate mais vertentes foram surgindo, com por exemplo, direito a terra, preserva\u00e7\u00e3o ambiental entre outros. N\u00f3s vamos abordar as quest\u00f5es entorno de prepara\u00e7\u00e3o de regi\u00f5es perif\u00e9ricas para lidar com os avan\u00e7os do clim\u00e1ticos extremos, ou seja, chuvas intensas, deslizamentos de barreiras e inunda\u00e7\u00f5es entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Toda essa discuss\u00e3o que pauta o racismo e o aquecimento global, tem o objetivo de diminuir o impacto desses eventos sobre grupos vulnerabilizados, localizados nas periferias da cidade, por meio da lua por justi\u00e7a clim\u00e1tica.<em> \u201cA luta por justi\u00e7a clim\u00e1tica existe porque existem injusti\u00e7as e desigualdades que s\u00e3o intensificadas pelo aquecimento global. A luta antirracista \u00e9 uma luta pelo acesso a direitos, pelo combate e enfrentamento ao racismo. E, quando isso se junta e olha para a quest\u00e3o clim\u00e1tica, estamos falando de um lugar, de uma sociedade boa para todo mundo. Estamos dizendo que as pessoas que mais precisam de aten\u00e7\u00e3o na quest\u00e3o clim\u00e1tica s\u00e3o as pessoas negras e ind\u00edgenas, porque, nesse hist\u00f3rico de forma\u00e7\u00e3o do pa\u00eds, foram as pessoas que foram negligenciadas pelas pol\u00edticas p\u00fablicas. Ent\u00e3o, uma cidade segura para uma pessoa negra \u00e9 uma cidade segura para todo mundo.\u201d<\/em> enfatizou Igor Travassos, ativista clim\u00e1tico, e ex-coordenador da frente de justi\u00e7a clim\u00e1tica do Greenpeace (ONG).<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de ser o ber\u00e7o do debate, os Estados Unidos n\u00e3o s\u00e3o unanimidade nesse tema. Cada pa\u00eds e regi\u00e3o t\u00eam suas pr\u00f3prias quest\u00f5es relacionadas ao racismo ambiental, principalmente os pa\u00edses colonizados, como o Brasil. Mas como conceito se aplica ao nosso pa\u00eds? &nbsp;<em>\u201c<strong>Por que numa mesma cidade, com as mesmas caracter\u00edsticas, um bairro alaga e o outro n\u00e3o? Porque algumas pessoas conseguem dormir tranquilamente, enquanto outras sequer conseguem colocar a cabe\u00e7a no travesseiro, por que o morro pode desmoronar?<\/strong> Essas perguntas sobre o servi\u00e7o p\u00fablico, j\u00e1 demonstra o porqu\u00ea, quando a gente fala sobre a estrutura\u00e7\u00e3o dos territ\u00f3rios, as popula\u00e7\u00f5es negras, ind\u00edgenas, minorit\u00e1rias s\u00e3o empurradas para determinados territ\u00f3rios. \u00c9 sobre a ideia de superioridade, \u00e9 sobre quais territ\u00f3rios e pessoas precisam de cuidados. O racismo ambiental est\u00e1 diretamente ligado ao espa\u00e7o e quem ocupa ele\u201d<\/em>, explica o ativista pernambucano.<\/p>\n\n\n\n<p>No Recife, tivemos exemplo recente de discrimina\u00e7\u00e3o territorial. Em maio de 2022, no distrito de Jardim Monte Verde, uma barreira caiu, matando 44 pessoas, segundo o G1, devido \u00e0 falta de conten\u00e7\u00e3o das encostas na regi\u00e3o. O deslizamento aconteceu ap\u00f3s fortes chuvas causadas por um fen\u00f4meno clim\u00e1tico que se repete todos os anos, chamado \u201cOndas de Leste\u201d, que resulta em grande ac\u00famulo de chuvas na costa nordestina brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a trag\u00e9dia, as gest\u00f5es do Recife e Jaboat\u00e3o dos Guararapes promoveram uma verdadeira \u201cpassada de bola\u201d, ao ponto de nenhuma das cidades assumir a responsabilidade pelo local, o que retardou a presta\u00e7\u00e3o de socorro aos afetados. No final das contas, o IBGE resolveu a d\u00favida, demonstrando que a \u00e1rea pertence \u00e0 capital do Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;A partir de agora, vamos entender como isso afeta o bairro de Dois Unidos.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Dois unidos e as caracter\u00edsticas de uma regi\u00e3o vulnerabilizada<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"680\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-1024x680.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-469\" style=\"width:1441px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-1024x680.jpg 1024w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-300x199.jpg 300w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-768x510.jpg 768w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-1536x1020.jpg 1536w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-2048x1360.jpg 2048w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-1080x717.jpg 1080w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-1280x850.jpg 1280w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-980x651.jpg 980w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC8696-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Registro de Paulo Pinheiro da Rua Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa, em 2021.<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Com 75 anos de exist\u00eancia, o distrito de Dois Unidos, localizado na Regi\u00e3o Pol\u00edtico Administrativa (RPA) 2, Zona Norte da capital pernambucana, \u00e9 cercado pelas \u00e1guas do Rio Beberibe e do Rio Morno, na divisa entre Recife e Olinda. A regi\u00e3o abriga mais de 31.4 mil pessoas, sendo mais de 70% autodeclaradas n\u00e3o brancas. A renda per capita dos moradores \u00e9 inferior a um sal\u00e1rio-m\u00ednimo, segundo a gest\u00e3o municipal.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-center\"><strong>Confira o ranking dos 12 bairros mais populosos do Recife:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"569\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Design-sem-nome-8-1024x569.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-857\" style=\"width:930px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Design-sem-nome-8-980x544.png 980w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/Design-sem-nome-8-480x267.png 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) and (max-width: 980px) 980px, (min-width: 981px) 1024px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>O distrito conta com a Associa\u00e7\u00e3o Comunit\u00e1ria dos Moradores, que realiza diversas atividades no bairro, incluindo o suporte \u00e0 periferia de Dois Unidos, promovendo a\u00e7\u00f5es que auxiliam a popula\u00e7\u00e3o. No entanto, segundo o presidente da organiza\u00e7\u00e3o, Rafael Urbano, Dois Unidos enfrenta problemas relacionados \u00e0 <em>\u201cinfraestrutura, especialmente no que diz respeito \u00e0 quest\u00e3o h\u00eddrica. A falta de \u00e1gua \u00e9 um grande problema que enfrentamos devido ao n\u00e3o fornecimento pela Compesa. Al\u00e9m disso, h\u00e1 uma grande escassez de seguran\u00e7a\u201d, <\/em>relatou.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Desmatamento e falta de monitoramento das \u00e1reas verdes do bairro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-470\" style=\"width:1441px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-1080x718.jpg 1080w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-1280x851.jpg 1280w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-980x652.jpg 980w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02257-1-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto de Reserva da Floresta Urbana Mata de Dois Unidos, em 2024. (Imagens de Paulo Pinheiro)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">O bairro \u00e9 conhecido pela Reserva da Floresta Urbana Mata de Dois Unidos, criada a partir da Lei n\u00ba 9.989, de 1987, e protegida pela Sistema Estadual de Unidades de Conserva\u00e7\u00e3o (SEUC) por meio da Lei n\u00ba 14.324, de 2012. A reserva \u00e9 caracterizada como ecossistema da Mata Atl\u00e2ntica brasileira, com 34,72 hectares \u2014 o equivalente a 34 campos de futebol \u2014 de muita biodiversidade, localizado na bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Beberibe.<\/p>\n\n\n\n<p>Por\u00e9m, pesar das leis de preserva\u00e7\u00e3o da reserva florestal, o incha\u00e7o urbano tem afetado a sa\u00fade da \u00e1rea protegida. Uma avalia\u00e7\u00e3o do territ\u00f3rio, publicada no VII Congresso Brasileiro de Ge\u00f3grafos, em 2014, revelou que o parque natural j\u00e1 apresentava caracter\u00edsticas de expans\u00e3o urbana, ou seja, sofre com a a\u00e7\u00e3o indevida da popula\u00e7\u00e3o, como descarte de lixo ou desmatamento para constru\u00e7\u00e3o de moradias. A pesquisa concluiu que existe a necessidade de um plano de manejo com diretrizes que garantam a sa\u00fade ecol\u00f3gica da reserva, mas, at\u00e9 o momento, 10 anos depois, o plano ainda n\u00e3o foi elaborado, segundo documento da Ag\u00eancia Pernambucana de Meio Ambiente.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Mortes pela Aus\u00eancia do Estado em Dois Unidos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Esse n\u00e3o \u00e9 o \u00fanico problema do bairro, visse? O C\u00f3rrego do Morcego foi not\u00edcia em toda a regi\u00e3o metropolitana do Recife, em 2019, quando um deslizamento de barreira matou uma fam\u00edlia inteira. O caso evidenciou um dos grandes desafios dos moradores dos morros da regi\u00e3o: a falta de saneamento b\u00e1sico e de planejamento urbano.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Rua Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>Apesar do nome que remete a fam\u00edlias tradicionais de Pernambuco \u2014 \u201cCavalcanti\u201d e \u201cPetrib\u00fa\u201d \u2014, esse endere\u00e7o \u00e9 palco de uma s\u00e9rie de dificuldades enfrentadas pelos moradores. Segundo os residentes, a rua existe h\u00e1 mais de 30 anos, mas parte dela nunca recebeu uma estrutura adequada. Alguns chegam a relatar que o endere\u00e7o era considerado uma \u00e1rea verde em seus primeiros anos de exist\u00eancia. Como conta Wercules Djair, morador: <em>\u201cQuando eu cheguei aqui, n\u00e3o tinha muitas casas, era uma regi\u00e3o desabitada, era s\u00f3 mato, isso h\u00e1 15 anos atr\u00e1s. Sempre foi um lugar bem arejado. Hoje, n\u00f3s temos uma rua 40% boa, mas eu j\u00e1 vi pessoas ca\u00edrem de moto e caminh\u00e3o cair em uma barreira e atingir casa. Morar em barreira \u00e9 terr\u00edvel. A gente dorme se apegando nas ora\u00e7\u00f5es por n\u00f3s mesmos e pelos vizinhos, porque n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 a gente que vive pr\u00f3ximo a barreira\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2019, um deslizamento na rua derrubou uma casa e soterrou pela metade uma moradora, Wercules foi um dos vizinhos que socorreu a mulher <em>\u201cEu presenciei aquela barreira caindo e derrubando casa ali (aponta <\/em>Wercules <em>para uma barreira coberta por vegeta\u00e7\u00e3o). Soterrou uma mulher pela cintura porque ela voltou para pegar os documentos. Sa\u00edmos, eu e minha esposa correndo pra l\u00e1, e conseguimos tirar ela. Quando voltei do socorro, ca\u00edram duas barreiras pr\u00f3ximas \u00e0 minha casa, deixando a base da minha resid\u00eancia exposta.\u201d, relatou o morador.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Em 2016, a Secretaria de Urbaniza\u00e7\u00e3o do Recife visitou o endere\u00e7o e realizou uma obra paliativa de pavimenta\u00e7\u00e3o da rua com piche, 5 muros de arrimos e a instala\u00e7\u00e3o de uma canaleta no lado esquerdo da via. O trabalho n\u00e3o teve continuidade, e ap\u00f3s 8 anos, os moradores enfrentam as mesmas vulnerabilidades. <em>\u201cO esposo do nosso vizinho Chocho (vulgo), veio a passar mal, teve infarto e, como a rua estava muito danificada, cheia de buracos, n\u00e3o subia carro de jeito nenhum, muito mal passava um ser humano. A\u00ed, colocaram ele no carro de m\u00e3o. A ambul\u00e2ncia ficou no p\u00e9 da ladeira, mas, devido a essa demora no socorro, ele veio a falecer. Eu sou testemunha viva disso.\u201d<\/em>, relatou Wercules.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"440\" height=\"440\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image.jpeg\" alt=\"O atributo alt desta imagem est\u00e1 vazio. O nome do arquivo \u00e9 WhatsApp-Image-2024-11-26-at-17.05.28-edited-1.jpeg\" class=\"wp-image-416\" style=\"width:946px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image.jpeg 440w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-300x300.jpeg 300w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/image-150x150.jpeg 150w\" sizes=\"(max-width: 440px) 100vw, 440px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Rua Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa em 2015 (Imagens de Rosimary Silva)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p class=\"has-text-align-left\">A regi\u00e3o \u00e9 o lar de muitas pessoas que sonharam em ter sua casa pr\u00f3pria e, mesmo cientes das dificuldades, n\u00e3o tiveram outra op\u00e7\u00e3o a n\u00e3o ser investir para sair do aluguel. <em>\u201cEu vim morar aqui pelo incentivo de ter minha casa pr\u00f3pria. As dificuldades tremendas que enfrentamos aqui s\u00e3o a falta d\u2019\u00e1gua, saneamento b\u00e1sico e a ladeira sem acessibilidade. Meu esposo \u00e9 uma pessoa com defici\u00eancia visual, tem baixa vis\u00e3o, e eu tamb\u00e9m tenho problemas nas articula\u00e7\u00f5es, o que me impede de descer e subir a ladeira &#8220;, se queixa Maria Cec\u00edlia, dona de casa, de 45 anos, moradora da R. Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>A dona de casa, Wanessa Silva, \u00e9 uma antiga moradora no endere\u00e7o, viveu na rua Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa durante 9 anos, e \u00e9 uma testemunha dos desafios da comunidade em torno de seguran\u00e7a e que viveu na pele as consequ\u00eancias da falta de saneamento. <em>\u201cQuando eu fui ter meu segundo filho, eu n\u00e3o consegui pegar um carro de aplicativo para chegar na maternidade, por se tratar de um lugar de dif\u00edcil acesso. \u00c9 um lugar que n\u00e3o \u00e9 visto pela prefeitura. Eu vivi muitas situa\u00e7\u00f5es dif\u00edceis l\u00e1, ca\u00ed v\u00e1rias vezes na ladeira e o meu marido foi assaltado na Jo\u00e3o Cavalcanti\u201d<\/em>, contou.<\/p>\n\n\n\n<p>A localiza\u00e7\u00e3o da casa onde Wanessa morou a fez testemunhar epis\u00f3dios que demonstram a insufici\u00eancia da prefeitura e do Estado no distrito.<em> \u201cEu presenciei uma Kombi quase cair barreira abaixo no terreno que fica em frente \u00e0 minha antiga casa, tamb\u00e9m testemunhei v\u00e1rios assaltos na Jo\u00e3o Cavalcanti. \u00c9 realmente dif\u00edcil ali, por isso eu me mudei&#8221;, completou<\/em>.<\/p>\n\n\n\n<p>O acesso \u00e0 sa\u00fade tamb\u00e9m \u00e9 um desafio para os moradores da localidade. Apesar de ser uma \u00e1rea mapeada pela gest\u00e3o do Recife, com CEP e situada a apenas 500 metros de dist\u00e2ncia da Unidade B\u00e1sica de Sa\u00fade (UBS) Clube dos Delegados, os domiciliados n\u00e3o conseguem atendimento porque o territ\u00f3rio n\u00e3o est\u00e1 na \u00e1rea de cobertura do posto de sa\u00fade.<\/p>\n\n\n\n<p>Rosimary Silva, tamb\u00e9m moradora da Rua Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa, solicitou a marca\u00e7\u00e3o de um exame para o seu pai, h\u00e1 mais dois anos. Nesse meio tempo, ele faleceu, e at\u00e9 hoje est\u00e1 na fila de espera.<em> \u201cAt\u00e9 hoje eu espero. Faz mais de dois anos que solicitei a marca\u00e7\u00e3o de uma resson\u00e2ncia para meu pai e at\u00e9 hoje n\u00e3o me ligaram. Mas eu deixei a solicita\u00e7\u00e3o em aberto e t\u00f4 esperando eles me ligarem para eu dizer: \u2018Tarde demais, minha filha, meu beb\u00ea (apelido carinhoso do pai) j\u00e1 morreu. Fa\u00e7a o favor de colocar algu\u00e9m que esteja precisando\u2019. Foram anos de espera. Agora, n\u00e3o adianta mais.\u201d, <\/em>relatou Silva.<\/p>\n\n\n\n<p>Mas existe um engajamento da pr\u00f3pria comunidade em prol da aten\u00e7\u00e3o por parte da gest\u00e3o municipal. Elizama Pinheiro, lideran\u00e7a comunit\u00e1ria da rua, chegou ao endere\u00e7o em 2013 e logo come\u00e7ou a organizar a\u00e7\u00f5es para garantir a atua\u00e7\u00e3o do poder p\u00fablico na rua. <em>\u201cEu comecei a atuar como lideran\u00e7a aqui na Jo\u00e3o Cavalcanti Petrib\u00fa, quando vi um caminh\u00e3o de entrega quase descer a barreira. Na \u00e9poca, a rua era mais acidentada. Eu tenho um amigo em \u00c1gua Fria que tamb\u00e9m \u00e9 lideran\u00e7a e pedi ajuda dele. E a\u00ed come\u00e7amos a ir atr\u00e1s da prefeitura, e conquistamos obras importantes pra rua, mas j\u00e1 faz muito tempo, precisa de manuten\u00e7\u00e3o,\u201d<\/em> alega Elizama.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Apagamento cultural do bairro<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O Espa\u00e7o Cultural, antigo forr\u00f3 do Arlindo, que j\u00e1 foi palco de grandes nomes como Luiz Gonzaga e Dominguinhos, est\u00e1 atualmente fechado e completamente abandonado, sem nenhum suporte do Estado e munic\u00edpio. N\u00e3o h\u00e1 sequer sinaliza\u00e7\u00e3o que registre que ali viveu Arlindo dos Oito Baixos, e um dos endere\u00e7os mais famosos da Zona Norte do Recife nos anos 2000. Parte do acervo de Arlindo foi perdido ap\u00f3s o teto da antiga oficina do m\u00fasico desabar. A mem\u00f3ria do sanfoneiro segue preservada em sua resid\u00eancia, onde a fam\u00edlia mant\u00e9m um museu improvisado em sua homenagem. <em>\u201cMeu filho organizou o museu aqui, na casa dele, que \u00e9 aqui no espa\u00e7o cultural. O forr\u00f3 fechou por falta de verba. Sem dinheiro, ningu\u00e9m faz nada, sem ajuda tamb\u00e9m. Eu n\u00e3o tenho como fazer nada. O interesse das pessoas \u00e9 muito pouco. Quem tem vontade de fazer, no caso, sou eu, mas eu n\u00e3o posso, n\u00e9?\u201d,<\/em> enfatiza a Vi\u00fava de Arlindo, Odette Macedo.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"1024\" height=\"681\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-1024x681.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-415\" style=\"width:1441px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-300x199.jpg 300w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-768x511.jpg 768w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-2048x1362.jpg 2048w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-1080x718.jpg 1080w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-1280x851.jpg 1280w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-980x652.jpg 980w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/DSC02672-1-480x319.jpg 480w\" sizes=\"(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Registro do museu improvisado Arlindo dos 8 Baixos (Foto de Paulo Pinheiro)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\"><strong>Den\u00fancias em telejornais que n\u00e3o surtiram efeitos<\/strong><\/h2>\n\n\n\n<p>O endere\u00e7o j\u00e1 foi pauta de diversas reportagens ao longo dos anos. A TV Jornal, TV Clube (atual TV Guararapes) e a TV Tribuna j\u00e1 visitaram a via para falar dos problemas da localidade, mas a tentativa de prevenir danos \u00e0 popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o funcionou. A jornalista e fundadora do Coletivo Sargento Perifa, al\u00e9m de moradora do bairro de Dois Unidos, Marthiene Keila, avalia a atua\u00e7\u00e3o do jornalismo recifense na tratativa de temas relacionados \u00e0 periferia e \u00e0s suas vulnerabilidades: <em>\u201cFalhamos muito, principalmente enquanto m\u00eddia tradicional. Geralmente, s\u00f3 chegamos no final da hist\u00f3ria, depois que as coisas acontecem. O que diferencia um jornalismo mais presente no territ\u00f3rio, mais comunit\u00e1rio. Enquanto a m\u00eddia tradicional, muitas vezes, aparece apenas quando j\u00e1 ocorreu a trag\u00e9dia, a m\u00eddia independente est\u00e1 l\u00e1 para prevenir. Ela faz rodas de conversa, espalha lambe-lambes pela comunidade, desempenhando um papel preventivo que o jornalismo tradicional ainda n\u00e3o exerce plenamente\u201d.<\/em><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"576\" height=\"384\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-26-at-20.25.34-edited.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-473\" style=\"width:1343px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-26-at-20.25.34-edited.jpeg 576w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2024\/11\/WhatsApp-Image-2024-11-26-at-20.25.34-edited-480x320.jpeg 480w\" sizes=\"(min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 576px, 100vw\" \/><figcaption class=\"wp-element-caption\">Foto de Rosimary (2015)<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Segundo a comunicadora popular, o desafio da comunica\u00e7\u00e3o nas periferias est\u00e3o em entender a comunidade como parte do debate e n\u00e3o apenas como aprendiz. Na pr\u00e1tica, as pessoas j\u00e1 sabem o que \u00e9 racismo ambiental:<em> \u201cQuando pe\u00e7o para elas analisarem o pr\u00f3prio contexto, o entendimento muda, porque n\u00e3o adianta falar esse termo para uma pessoa preta que nem se reconhece como preta. Por outro lado, se eu pergunto sobre um deslizamento de barreira, falta de creche na comunidade, saneamento b\u00e1sico, assim, fica muito mais f\u00e1cil comunicar, partindo das viv\u00eancias. Depois, quando eles j\u00e1 est\u00e3o falando disso de forma natural, porque eles falam muito bem, inclusive, mostramos que tudo isso \u00e9 racismo ambiental\u201d<\/em>, exemplifica a jornalista.<\/p>\n\n\n\n<p>Bom, diante de tudo o que foi apresentado nesta reportagem, o que falta para a cidade do recife esta pronta para lidar com as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas em territ\u00f3rios como Dois unidos e para al\u00e9m disso, combater os reflexos do racismo ambiental dentro das periferias?<em> \u201cTem que ter participa\u00e7\u00e3o social. N\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o prefeito, n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 o secret\u00e1rio ou s\u00f3 uma consultoria europeia que deve decidir como as coisas v\u00e3o acontecer. As pessoas que vivem a realidade do Recife, do seu bairro, s\u00e3o as que realmente sabem o que est\u00e1 acontecendo. N\u00e3o adianta criar um plano de a\u00e7\u00e3o local, de clima, de adapta\u00e7\u00e3o ou de mitiga\u00e7\u00e3o se n\u00e3o estamos ouvindo as pessoas que est\u00e3o enfrentando os desastres clim\u00e1ticos\u201d, Conclui Igor.<\/em><\/p>\n\n\n\n<p>Mas, de fato, Dois Unidos \u00e9 uma regi\u00e3o v\u00edtima ou n\u00e3o do racismo ambiental? Com mais de 70% da sua popula\u00e7\u00e3o n\u00e3o branca, localidades sem estrutura m\u00ednima para sobreviv\u00eancia, falta de preserva\u00e7\u00e3o da natureza, cultural e da vida das pessoas, criando assim um cen\u00e1rio vulner\u00e1vel para a popula\u00e7\u00e3o, que outro nome podemos dar todos esses descasos?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Onde voc\u00ea mora tem pontos de risco? Na sua comunidade tem esgoto tratado, acesso a posto de sa\u00fade? Se a resposta foi n\u00e3o, voc\u00ea enfrenta as dificuldades que o termo \u201cracismo ambiental\u201d representa. Mas calma, pode parecer dif\u00edcil de entender, mas n\u00e3o \u00e9. Por isso, vamos mergulhar nesse tema para compreender seu significado e o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":403,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","ngg_post_thumbnail":0,"footnotes":""},"categories":[5],"tags":[],"ppma_author":[22],"class_list":["post-400","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-reportagens"],"authors":[{"term_id":22,"user_id":2,"is_guest":0,"slug":"paulo-2019209763unicap-br","display_name":"Paulo Pinheiro","avatar_url":{"url":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-01-06-at-09.30.41-e1746381921295.jpeg","url2x":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/portalmorros\/wp-content\/uploads\/2025\/05\/WhatsApp-Image-2025-01-06-at-09.30.41-e1746381921295.jpeg"},"author_category":"1","first_name":"Paulo","last_name":"Pinheiro","user_url":"","job_title":"","description":"<i><span style=\"font-weight: 400\">Bacharel em Jornalismo pela Universidade Cat\u00f3lica de Pernambuco (2024)<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400\">. 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