rhaiza

Fluir, experimentar e questionar. A essência de Rhaiza transparece delicadeza e muita sensibilidade. Com olhar e sorriso singelos, guarda por dentro um turbilhão de emoções e questionamentos. Encontrou na arte uma forma de libertar sentimentos e transparecer seu lado mais feroz. Suas performances oscilam entre delicadeza e brutalidade, provocando sensações em apresentações intimistas em ambientes ligados à natureza, seu principal suporte.

Formada em Fotografia pela Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), Rhaiza desenvolve a carreira como artista de forma paralela à fonte de renda atual, obtida através de prestações de serviços de fotografia. “A performance ainda não me rendeu muita grana. Existe uma cena movimentada na cidade de realizar apresentações em festas mas sou da ´liga´ dos mais intimistas”, enfatiza.

Rhaiza descreve o processo de construção artística como algo diário. Não se molda como nenhum ser. “Eu mesmo não tenho nome. Estou aqui, estou agora, e sou tudo”, pontua. Seu processo de construção artístico se espelha em questões cotidianas, ligadas desde a animais, situações e sentimentos. “É massa isso de não se prender a nada. Sou moldável. Minha arte reflete isso”, pontua a moradora do bairro de Jardim Prazeres, em Jaboatão dos Guararapes.

Com a criação baseada na intimidade, a fotógrafa usa o suporte das redes sociais como meio de difusão de suas inspirações. Além de ser um portfólio fotográfico, o espaço virtual é uma coletânea de foto-performances. “Curto muito quando me fotografam. Minhas performances são visuais”, finaliza.

Entre os temas que debate, Rhaiza usa o corpo para provocar reflexões. “Sou apenas um meio. Através do meu corpo sinto que as pessoas podem se tocar e questionar também”, enfatiza. Essa problemática virou pano de fundo da performance para discutir o corpo gordo.

“Sou gorda. E isso ainda é tão mal visto, sabe? As pessoas encaram o outro com olhares e pensamentos tão retrógrados. Minha arte vem para debater isso, meu espaço, meu eu nesse mundo”, explica. Rhaiza ainda destaca que, na maioria das vezes, o fluxo performático não precisa ser tão claro, mas, sim, questionar. “Não preciso dizer na cara: falo sobre isso. Interpretações diversas vêm, gosto delas e isso contribui muito”, finaliza.

Em performance realizada em Brasília Teimosa, bairro da Zona Sul do Recife que, apesar de localizado próximo a uma área com um dos metros quadrados mais caros da cidade, é um dos cenários e retratos da periferia em meio ao contraste de desigualdades sociais. Na praia do Buraco da Véia, Rhaiza flui, deslumbra e se provoca como corpo e artista.

Loading...

Loading...