marcyanna

Experimentar a arte, sentir e vivenciar. A história de Marcyanna é carrossel de desejos. Apaixonada por dança, música e pelas possibilidades que um corpo pode oferecer, encontra no suporte performático uma forma de explorar novos sentidos. Debater questões sociais em suas vivências se tornou algo essencial. Para ela, não existe performance sem provocação. Os questionamentos devem surgir à medida que o desencadear da ação acontece.

Aos 20 anos, Marcyanna já deu passos significativos em relação ao processo de utilizar a performance como meio de ganhar dinheiro. “Mesmo com um cenário ainda pequeno, conseguimos nos encaixar em rolês de perfo comerciais”, destaca. As festas de música eletrônica, com influência clubber e tecno, são as que mais abraçam esse tipo de arte com o pagamento de cachê.

“Mando proposta para eventos, não existe ponte. Vou lá e sugiro uma performance visual minha. Esse processo é tocado por mim”, enfatiza. O universo performático desse nicho jovem é muito conhecido entre os performers. A artista se destaca ou por conhecer muitos produtores ou pela visibilidade através das redes sociais. “Postar as coisas no Instagram ajuda muito. Temos uma vitrine maior”, conclui.

Além de desenvolver trabalhos sozinha, Marcyanna faz parte do Fea Culetiva, integrado por jovens da mesma faixa etária e com influências e estética parecidas com as suas. “Acho importante correr atrás dos rolês. É preciso criar esse espaço e ocupar lugares. Ou sozinha ou na coletividade. Não posso ficar parada, tenho que mostrar minha arte e conquistar algo maior”, reflete. 

Moradora do bairro de Casa Amarela, na cidade do Recife, a estudante de teatro da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma das clássicas apaixonadas pela carreira que escolheu. Mesmo com o cenário político atual, não desiste e persiste em provocar sentidos nas pessoas. Em sua performance registrada no Campus da UFPE para esta reportagem, Marcyanna propõe a discussão sobre a violência trans no Brasil

De acordo com ela, suas apresentações são frutos de experimentações internas. Ela acredita que abrir diálogos sobre essa problemática é necessário: “Ser meu corpo e mostrar meu corpo. Provocar esses questionamentos faz parte de minha missão como artista, sendo uma transsexual. Meu eu artístico explora e pede para mostrar como é complexo ser trans nesse país que tanto mata”.

Loading...

Loading...