{"id":508,"date":"2022-05-26T12:34:08","date_gmt":"2022-05-26T15:34:08","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/?page_id=508"},"modified":"2022-05-30T19:47:10","modified_gmt":"2022-05-30T22:47:10","slug":"as-escritoras-brasileiras-do-seculo-xix","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/as-escritoras-brasileiras-do-seculo-xix\/","title":{"rendered":"As escritoras brasileiras do s\u00e9culo XIX"},"content":{"rendered":"[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; background_color=&#8221;#973f8b&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/bg-topo3.png&#8221; parallax=&#8221;on&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;Vanguardas e Pioneiras&#8221; subhead=&#8221;Retrato das escritoras brasileiras do s\u00e9culo XIX&#8221; content_max_width=&#8221;60%&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; title_font=&#8221;Elaine||||||||&#8221; title_font_size=&#8221;60px&#8221; background_enable_color=&#8221;off&#8221; module_alignment=&#8221;left&#8221; custom_padding=&#8221;12vh||12vh||true|false&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_fullwidth_header][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/bg-topo3d.png&#8221; background_size=&#8221;initial&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;3_5,2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/abertura-sec-xix.jpg&#8221; title_text=&#8221;abertura-sec-xix&#8221; show_bottom_space=&#8221;off&#8221; align=&#8221;center&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<span style=\"font-size: small;\">Escritoras enfrentaram obst\u00e1culos para se firmarem. Foto: Pixabay<\/span>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;3_5,2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<p>\u201cQuando, no s\u00e9culo XIX, as nossas primeiras escritoras, timidamente, ocultando-se em pseud\u00f4nimos, temeros\u00edssimas da opini\u00e3o masculina dominante, tentaram publicar suas narrativas, tudo era visto com muita delicadeza como obras de senhoras e equivalendo-se ao croch\u00ea, tricot, bordado ou culin\u00e1ria. Mas atr\u00e1s desse artesanato, existiram vozes que se fizeram ouvir at\u00e9 os dias de hoje e, de repente, encontramos um n\u00famero grande de escritoras brasileiras\u201d, escreveu <a href=\"https:\/\/www.scielo.br\/j\/ref\/a\/3KzPrZzwNRHcJScJSHNJdhC\/?lang=pt\">Zahid\u00e9 Muzart<\/a>, no artigo A ascens\u00e3o das mulheres no romance, publicado em 2010, no livro <em>A Escritura no Feminino: Aproxima\u00e7\u00f5es<\/em>.<\/p>\n<p>Muzart foi professora universit\u00e1ria, editora, pesquisadora, historiadora liter\u00e1ria feminista e fundadora da <a href=\"https:\/\/medium.com\/@paulamiranda2498\/esquecidas-e-relembradas-a-hist%C3%B3ria-da-editora-mulheres-29662cb0059\">Editora Mulheres<\/a>, criada em 1955. A editora foi pioneira ao focar no resgate e no apagamento hist\u00f3rico de escritoras, da mesma forma que fez a pesquisadora, ao dedicar sua vida aos estudos da literatura produzida por\u00a0mulheres.<\/p>\n<p>Os seus esfor\u00e7os foram fundamentais para resgatar mem\u00f3rias e acontecimentos do passado. \u00c9 comum perceber que, gra\u00e7as aos estudos de mulheres pesquisadoras, hoje, podemos ter acesso a tantas hist\u00f3rias que, na \u00e9poca, foram veladas. \u201cTodo esse movimento de resgate, de renascimento de mulheres escritoras, no Brasil, \u00e9 consequ\u00eancia dos estudos na linha de pesquisa Mulher e Literatura, que \u00e9 herdeira direta dos estudos feministas e \u00e0 tend\u00eancia de uma cr\u00edtica feminista interessada no estabelecimento de uma tradi\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria escrita por mulheres: uma literatura pr\u00f3pria\u201d, conta Muzart.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cQuando as mulheres morrem, elas morrem para sempre, submetidas ao duplo fim da carne e do esquecimento. Os historiadores, os acad\u00eamicos, os guardi\u00f5es da cultura oficial e da mem\u00f3ria p\u00fablica sempre foram homens, e os atos e as obras das mulheres raramente passaram para os anais. Por\u00e9m, hoje, a crescente presen\u00e7a feminina nos n\u00edveis acad\u00eamicos e eruditos come\u00e7a a normalizar a situa\u00e7\u00e3o, e abriu-se todo um campo de novas pesquisas, feitas majoritariamente por mulheres, que tentam resgatar nossas antepassadas da bruma. Esse trabalho de recupera\u00e7\u00e3o quase arqueol\u00f3gica das esquecidas \u00e9, sem d\u00favida, important\u00edssimo, porque precisamos de modelos reais, precisamos saber que a vida n\u00e3o era nem \u00e9 como a contaram para n\u00f3s\u201d,<br \/><span style=\"font-weight: 400;\">escreve Rosa Montero, no livro <em>N\u00f3s, Mulheres: Grandes Vidas Femininas.<\/em><\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>O argumento de Rosa Montero refor\u00e7a a import\u00e2ncia de reatar os fragmentos de lembran\u00e7as para se ter acesso \u00e0 hist\u00f3ria em que as mulheres s\u00e3o t\u00e3o protagonistas quanto os homens. \u201cO mais espantoso \u00e9 comprovar que sempre houve mulheres capazes de superar as mais penosas circunst\u00e2ncias. Sempre foram poucas, \u00e9 claro, em compara\u00e7\u00e3o com a grande massa de f\u00eameas an\u00f4nimas e submetidas aos limites que o mundo lhes imp\u00f4s, mas foram, sem sombra de d\u00favida, muit\u00edssimas mais que as que hoje conhecemos e lembramos\u201d, aponta Montero.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/28-10-2015-16-52-10-7959-foto-2.jpg&#8221; title_text=&#8221;28-10-2015-16-52-10-7959-foto-2&#8243; show_bottom_space=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<span style=\"font-size: small;\">Zahid\u00e9 Muzart estava envolvida no processo de resgatar as mem\u00f3rias das escritoras brasileiras. Foto: Divulga\u00e7\u00e3o\/UFSC\/ND<\/span>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; background_color=&#8221;#ededed&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;3_5,2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_2_font=&#8221;Elaine||||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;50px&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<h2>Corajosas e Desconhecidas<\/h2>\n<p><\/p>\n<p>&#8220;As obras das mulheres sempre foram propensas a ser extraviadas ou esquecidas. Durante mil\u00eanios, ser mulher implicava n\u00e3o ter acesso \u00e0 educa\u00e7\u00e3o e nem sequer a uma m\u00ednima liberdade de movimento\u201d, continua a escritora e jornalista espanhola.<\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px;\">O acesso, ainda que tardio, \u00e0s escolas prim\u00e1rias, em meados de 1867, teve influ\u00eancia da leitura. Nesses anos, a sociedade circundava, de forma majorit\u00e1ria, em torno dos interesses pol\u00edticos, econ\u00f4micos e sociais dos homens. Consequentemente, as mulheres eram vistas como meros acess\u00f3rios dessa subordina\u00e7\u00e3o. \u201cExclu\u00eddas e marginalizadas do sistema de poder, essas escritoras outorgaram voz aos desvalidos e exclu\u00eddos, questionando as rela\u00e7\u00f5es interraciais e de classe\u201d, traz Zahid\u00e9 Muzart.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 16px;\">\u201cO campo da escrita, sobretudo em prosa, foi, durante muito tempo, interditado \u00e0s mulheres. Elas eram vistas como incapazes de escrever e, sobretudo proibidas de certas leituras consideradas impr\u00f3prias ou perigosas para sua forma\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, a sociedade n\u00e3o via com bons olhos \u2018uma jovem s\u00e9ria dedicar-se \u00e0 escrita liter\u00e1ria\u2019. Assim, muitas escritoras escondiam seus escritos com receio de terem sua atividade, de certa forma clandestina, descoberta. No mundo liter\u00e1rio predominantemente masculino, as mulheres eram vistas como intrusas e sua \u2018aceita\u00e7\u00e3o passava por c\u00f3digos burgueses e de boas maneiras\u2019\u201d, situa Cl\u00e1udia Maia, no artigo Liberdade escrava, liberdade feminina: abolicionismo e feminismo de J\u00falia Lopes de Almeida em A Fam\u00edlia Medeiros, dispon\u00edvel no livro <\/span><em style=\"font-size: 16px;\">Vozes do G\u00eanero: Autoria e representa\u00e7\u00f5es.<\/em><\/p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/livros-seculo-XIX.gif&#8221; title_text=&#8221;livros-seculo-XIX&#8221; show_bottom_space=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; width=&#8221;60%&#8221; module_alignment=&#8221;left&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_2_font=&#8221;Elaine||||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;50px&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<p><span style=\"font-size: small;\">Alguns t\u00edtulos de livros publicados no s\u00e9culo XIX<\/span><\/p>\n<p>Apesar disso, a professora Cl\u00e1udia Maia demonstra que essas quest\u00f5es n\u00e3o impossibilitaram os avan\u00e7os, mesmo que pequenos. \u201cIsso n\u00e3o impediu que, no s\u00e9culo XIX, muitas mulheres se tornassem escritoras de talento, embora n\u00e3o reconhecidas, como Maria Firmina dos Reis, que publicou a primeira obra abolicionista no Brasil, ou Emilia Freitas que produziu, no final do s\u00e9culo XIX, um dos primeiros romances fant\u00e1sticos do pa\u00eds\u201d, exp\u00f5e.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;3_5,2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;0px||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/maria-firmina.jpg&#8221; title_text=&#8221;maria-firmina&#8221; show_bottom_space=&#8221;off&#8221; force_fullwidth=&#8221;on&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<span style=\"font-size: small;\">Ilustra\u00e7\u00e3o de como seria o rosto de Maria Firmina. Arte: Andr\u00e9 Valente\/BBC<\/span>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/emilia-freitas-1.png&#8221; title_text=&#8221;emilia-freitas-1&#8243; show_bottom_space=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; width=&#8221;50%&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_line_height=&#8221;1em&#8221; width=&#8221;50%&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<p><span style=\"font-size: small;\">Sem grandes informa\u00e7\u00f5es sobre Emilia Freitas, o que se sabe vem das suas publica\u00e7\u00f5es de jornais. Foto: O Povo<\/span><\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row column_structure=&#8221;3_5,2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_2_font=&#8221;Elaine||||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;50px&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<p>As mulheres, sempre que puderam, escreveram seus pensamentos, ideias e sentimentos. Um grande nome que realizou tais feitos foi J\u00falia Lopes de Almeida, carioca nascida em 1862. Em seus livros, \u201cas mulheres ocupam o centro das tramas e as hist\u00f3rias giram quase sempre em torno do universo feminino. Ela criou personagens femininas nada convencionais; mulheres aut\u00f4nomas, inteligentes e de atitudes\u201d, explica Maia, que desenvolveu estudos sobre a autora.<\/p>\n<p>Mesmo que J\u00falia Lopes de Almeida tenha abordado tais temas, quantas vezes ouvimos falar em seu nome? Pelo contr\u00e1rio, o grito do sil\u00eancio ecoa. \u201cA por\u00e7\u00e3o invis\u00edvel do <em>iceberg<\/em> de mulheres silenciadas come\u00e7a a emergir agora, e tem dimens\u00f5es colossais. Isso \u00e9 formid\u00e1vel e libertador\u201d, aponta Rosa Montero.<\/p>\n<p>Quantas escritoras n\u00e3o foram \u201cdescobertas\u201d por que n\u00e3o tiveram a chance? Tendo em mente o regionalismo e os espa\u00e7os de legitima\u00e7\u00e3o e de hegemonia, como a imprensa e os locais educacionais, entende-se o que Muzart sente quando diz que \u00e9 necess\u00e1rio \u201clutar pela inser\u00e7\u00e3o das mulheres no c\u00e2none liter\u00e1rio \u00e9 uma quest\u00e3o feminista: a inclus\u00e3o das marginalizadas\u201d.<\/p>\n<blockquote>\n<p>\u201cN\u00e3o que n\u00e3o haja mais hist\u00f3rias para contar, ao contr\u00e1rio: quanto mais adentramos o mar remoto do feminino, mais mulheres descobrimos: fortes ou delicadas, gloriosas ou insuport\u00e1veis, mas todas interessantes. As \u00e1guas do esquecimento est\u00e3o repletas de n\u00e1ufragas e basta embarcar para come\u00e7ar a<\/p>\n<p>v\u00ea-las.\u201d<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Rosa Montero<\/span><\/p>\n<\/blockquote>\n<p>Mesmo as escritoras que conseguiram ser lidas nesse per\u00edodo logo ca\u00edram no esquecimento, como explica a doutora em literatura brasileira Const\u00e2ncia Lima Duarte: \u201cAlgumas autoras foram aceitas pela sociedade letrada, mas eram mulheres brancas e ricas. Sempre da elite. Hoje, voc\u00ea se depara com centenas de nomes de escritoras do s\u00e9culo XIX que sumiram depois. Desapareceram. Quando morriam, enterravam a obra junto com a mulher. Foram respeitadas na \u00e9poca, mas n\u00e3o entraram para a hist\u00f3ria liter\u00e1ria\u201d.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/ju\u0301lia-lopes-de-almeida.jpeg&#8221; title_text=&#8221;ju\u0301lia-lopes-de-almeida&#8221; show_bottom_space=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; width=&#8221;61%&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; text_line_height=&#8221;1em&#8221; width=&#8221;61%&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<span style=\"font-size: small;\">J\u00falia Lopes expressava ideais revolucion\u00e1rios em suas obras. Foto: Jornal O Rascunho<\/span>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row column_structure=&#8221;3_5,2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_2_font=&#8221;Elaine||||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;50px&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<h2>Conquistadoras, Vanguardistas<\/h2>\n<p>\u201cS\u00e3o as mulheres que se atreveram a intelectualizar-se \u00e0 custa de serem consideradas damas de pouca responsabilidade. S\u00e3o os pezinhos teimosos que se recusaram a dar passagem ao preconceito\u201d, aponta Nara Queiroz, no livro <em><span style=\"font-weight: 400;\">Lute como uma garota: 60 feministas que mudaram o mundo.<\/span><\/em><\/p>\n<p>Essas mulheres, ainda que desconhecidas, protagonizaram importantes conquistas vanguardistas femininas. Lutaram, nos espa\u00e7os poss\u00edveis, para transformar os cen\u00e1rios liter\u00e1rio e social da \u00e9poca.<\/p>\n<p>Ana Eur\u00eddice Eufrosina de Barandas, N\u00edsia Floresta, Clarinda da Costa Siqueira, Maria Firmina dos Reis, Josefina \u00c1lvares de Azevedo, Revocata Helo\u00edsa de Melo, Julieta de Melo Monteiro, Am\u00e9lia Bevilacqua, Presciliana Duarte de Almeida, Francisca Senhorinha da Motta Diniz e tantas outras marcaram essas narrativas.\u00a0<\/p>\n<p>Conhe\u00e7a abaixo as hist\u00f3rias dessas mulheres.<\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;2_5&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; header_2_font=&#8221;Elaine||||||||&#8221; header_2_font_size=&#8221;50px&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<blockquote>\u201cCelebrar o passado \u00e9 responsabilidade de quem est\u00e1 comprometido com a constru\u00e7\u00e3o do futuro. Essas mulheres sofreram, e seu sofrimento \u00e9 hoje o nosso festejo para podermos nelas nos inspirar. Elas nos dizem que podemos ser her\u00f3icas\u201d.\n\n<span style=\"font-weight: 400;\">(Nara Queiroz)<\/span><\/blockquote>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; width=&#8221;100%&#8221; max_width=&#8221;2560px&#8221; custom_padding=&#8221;0px|||||&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_code _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<iframe src='https:\/\/cdn.knightlab.com\/libs\/timeline3\/latest\/embed\/index.html?source=1QnjsoGwb4CXbr7JGROU499FMkTtQ8dOaIDpBEbcIigE&#038;font=Default&#038;lang=pt-br&#038;initial_zoom=2&#038;height=650' width='100%' height='650' webkitallowfullscreen mozallowfullscreen allowfullscreen frameborder='0'><\/iframe>[\/et_pb_code][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; locked=&#8221;off&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.17.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; global_colors_info=&#8221;{}&#8221;]<p><strong>LEIA MAIS:<\/strong> <a href=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/historia\/\">Hist\u00f3ria<\/a> | <a href=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/literatura-feminina\/imprensa-feminina-do-seculo-xix-atuou-na-emancipacao-das-mulheres\/\">Imprensa Feminina do s\u00e9culo XIX<\/a><\/p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Escritoras enfrentaram obst\u00e1culos para se firmarem. Foto: Pixabay\u201cQuando, no s\u00e9culo XIX, as nossas primeiras escritoras, timidamente, ocultando-se em pseud\u00f4nimos, temeros\u00edssimas da opini\u00e3o masculina dominante, tentaram publicar suas narrativas, tudo era visto com muita delicadeza como obras de senhoras e equivalendo-se ao croch\u00ea, tricot, bordado ou culin\u00e1ria. 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