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Comportamento

Cresce violência contra a mulher

A cada 7.2 segundos uma mulher é vítima de violência física.

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Imagem: Pixabay

Em 2015, a Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180) realizou 749.024 atendimentos, equivalente a 1 atendimento a cada 42 segundos. Desde 2005, são quase 5 milhões. Os dados são do Instituto Maria da Penha e do Ligue 180, respectivamente. Os casos de violência doméstica contra a mulher vêm crescendo no Brasil e nem todos são denunciados, pois existe o medo de correr mais riscos ao entregar o parceiro ou se separar. O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) divulgou que, em 2018, passou pela Justiça do país 507 mil processos referentes à violência doméstica contra a mulher. São vários os dados que afirmam como esse é um problema sério e que deve ser mais discutido, procurando outras formas de diminuir os números de aspecto negativo.

As violências doméstica e familiar não se enquadram apenas nas agressões realizadas dentro da residência da vítima, mas em qualquer local, contanto que tenha sido ocasionada por uma relação de convivência familiar ou afeto entre o agressor e a vítima. No caso do Brasil, foi implementada a Lei Maria da Penha, que foi considerada pela Organização das Nações Unidas como uma das três melhores legislações do mundo no enfrentamento à violência contra as mulheres. O papel da lei é de “criar mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher” e classifica os tipos de violência nas categorias: patrimonial, sexual, física, moral e psicológica. O DataSenado ouviu a opinião das mulheres sobre a Lei e 20% acredita que ela não protege as mulheres; 26% acredita; e 54% afirmou que em parte. A pesquisa “Percepção da sociedade sobre violência e assassinatos de Mulheres” (2013) apurou que 54% da população conhece uma mulher que já foi agredida pelo parceiro.

Mas esse tipo de violência não acontece apenas aqui! A série Grey’s Anatomy decidiu debater esse assunto na 14ª temporada com a história da residente Jo Wilson/Brooke mostrando que esse problema, infelizmente, está presente em outros países.

O relacionamento de Jo com seu marido Paul Stadler era extremamente abusivo. O rapaz a maltratava fisicamente e psicologicamente, fazendo com que ela decidisse fugir de casa e trocar de nome para não ser encontrada. Wilson é uma das residentes no Hospital Grey Sloan e se assusta ao encontrar Paul no local com sua nova esposa Jenny pedindo o divórcio, já que ela sumiu antes de pedir os documentos para acabar oficialmente com o casamento. A futura médica tenta compreender o porque aquela mulher está com Paul e, ao conseguir conversar com Jenny, descobre que o comportamento dele não mudou. Continua sendo um agressor e manipula a esposa para que ela acredite que tudo o que acontece é sua culpa. “1-800-799-7233” é o número do National Domestic Violence Hotline e do episódio (14X09), que acaba com a atriz Camilla Luddington (Jo Wilson) deixando uma mensagem sobre violência doméstica.

Lembrando que a violência contra a mulher não ocorre apenas dentro das casas, ela está presente em todos os lugares, inclusive nas ruas. E já está na hora de dizer um basta! Com essa onda de assédios e violência, movimentos como o #MeToo, utilizado por pessoas que sofreram abusos sexual, e o Time’s Up, uma iniciativa contra o assédio e a desigualdade de gênero, surgiram em 2017. Também existe um app que procura ajudar as mulheres que vivem violência doméstica.

O Mete a Colher surgiu em março de 2016 na Startup Weekend Women. Criado por mulheres recifenses, o aplicativo oferece a opção de pedir e oferecer ajuda, compartilhar histórias e conversar com outras mulheres. Por enquanto, o foco do Mete a Colher é violência doméstica, mas o time já está desenvolvendo uma nova plataforma que vai abranger a violência sexual e moral, principalmente no ambiente de trabalho. As redes sociais do Mete a Colher funcionam como um canal de atendimento às mulheres, via inbox, e procuram desenvolver uma comunicação educativa. “Produzimos posts falando sobre a Lei Maria da Penha, Ligue 180, características de relacionamento abusivo, como ajudar uma mulher em situação de vítima, enfim, a comunicação é toda pensada para ajudar a mulher que deseja romper o ciclo violento no seu relacionamento”, conclui Renata Albertim.

Filmes e documentários que também abordam a violência doméstica:

Dormindo com o Inimigo (1991): Laura (Julia Roberts) descobre o lado possessivo e violento do marido. Com medo de denunciá-lo à polícia, ela sofre os abusos em silêncio. A única opção que ela encontra para sair dessa vida é forjar a própria morte e recomeçar a vida com outra identidade e em outra cidade. Mas o que ela não esperava era que o ex-marido descobrisse que foi enganado.

Silêncio das Inocentes (2010): O documentário conta a história de mulheres vítimas de violência doméstica e dá destaque à vida de Maria da Penha.

Vidas Partidas (2016): O filme brasileiro apresenta o casal Graça e Raul, pais de duas garotas. A esposa estava tendo sucesso em sua carreira e o esposo estava desempregado. Depois de garantir um novo emprego e se igualar financeiramente à Graça, ele torna-se agressivo e ela vira vítima da violência doméstica.

Violência Doméstica (2001): O documentário acompanha a polícia de Tampa (EUA) atendendo chamadas de mulheres que são vítimas de violência doméstica e o trabalho feito no abrigo The Spring que atende mulheres e crianças.

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Comportamento

Compreendendo o racismo nos EUA com Ava DuVernay

Atualmente, Ava é membro do Conselho 2020-2021 da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

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Divulgação: Twitter Queen City Nerve // Imagem: Alex Orellana

O Black Lives Matter (BLM) teve início em 2013, quando George Zimmerman matou a tiros o adolescente afro-americano Trayvon Martin e foi absolvido. Em 2014, começou a ganhar mais reconhecimento após a morte de dois afro-americanos: Michael Brown e Eric Garner, ambos assassinados por policiais. O movimento ativista organiza protestos que envolvem a questão da força policial, discriminação racial e desigualdade racial no sistema de justiça criminal dos EUA.

Esse ano, o mês de junho foi marcado pela realização de diversos protestos nos Estados Unidos, em Londres, na Alemanha e França, por exemplo. O motivo? A divulgação do vídeo da morte de George Floyd, homem negro que teve seu pescoço pressionado pelo joelho de um policial branco durante nove minutos. As pessoas se reuniram com a ideia de ajudar na luta contra o racismo e a favor da igualdade de raças. Além de pedir justiça por Floyd e outras pessoas negras que também foram vítimas da brutalidade policial, como Breonna Taylor, Ahmaud Arbery e Regis Korchinski Paouet.

Os movimentos antirracistas também contaram com a presença de artistas, como Ariana Grande, Harry Styles, Lewis Hamilton, Keke Palmer e John Boyega, que, ao realizar um discurso durante o protesto, afirmou “eu estou falando isso do meu coração. Olha, eu não sei se terei uma carreira depois disso”. Durante esses acontecimentos, livros, filmes e documentários foram recomendados para que as pessoas compreendam melhor a questão do racismo nos EUA. Pois, é mais importante educar do que “cancelar”. As produções mais citadas foram o documentário A 13ª Emenda e a minissérie Olhos que Condenam, ambos da diretora, cineasta e roteirista Ava DuVernay.

Pôster 13ª Emenda. Divulgação: Netflix

A 13ª Emenda analisa a correlação entre a criminalização da população negra dos EUA e o boom do sistema prisional do país e ganhou o Emmy, BAFTA e NAACP Image Award de Melhor Documentário. O nome faz referência à lei que afirma que é inconstitucional alguém ser mantido como escravo, garantindo a liberdade a todos os americanos. Porém, isso é uma exceção se for o caso de uma punição por crime. O documentário mostra como o número de prisioneiros nos EUA foi aumentando a partir de 1970, pois as pessoas negras começaram a ser vistas apenas como criminosos, estupradores e um perigo para a sociedade. Com isso, elas começaram a ser presas por crimes pequenos, como vadiagem ou vagabundagem, apenas para serem submetidas ao trabalho forçado. Um exemplo é o caso do encarceramento em massa dos afro-americanos após a Guerra Civil, que foram usados para reconstruir a economia do Sul.

Além disso, apresenta como as empresas lucram com o complexo industrial presidiário. Por isso, é importante para elas que as prisões permaneçam lotadas. De acordo com Daniel Wagner, repórter investigativo do BuzzFeed, “uma das razões de ser tão difícil falar sobre e questionar o encarceramento em massa neste país [Estados Unidos] é o fato dele ter se tornado tão monetizado”. Elas investem no trabalho gratuito dos detentos e lucram com isso, o que não deixa de ser um modelo de trabalho escravo.

A 13ª Emenda conta com a participação de Angela Davis, Bryan Stevenson, Van Jones, Henry Louis Gates Jr., entre outros. Também está disponibilizada na Netflix uma vídeo de 36 minutos de Oprah Winfrey entrevistando Ava DuVernay sobre o sistema penitenciário dos EUA e a opressão que as pessoas negras sofrem durante anos no país.

Pôster Olhos Que Condenam. Divulgação: Netflix

Já a minissérie apresenta o caso dos Cinco do Central Park, como ficaram conhecidos Antron McCray, Kevin Richardson, Yusef Salaam, Raymond Santana e Korey Wise. Os garotos negros do Harlem foram condenados por um estupro mesmo sem a presença de evidências para incriminá-los. Porém, eles não eram os culpados e estavam apenas no lugar errado e na hora errada. O caso aconteceu em 1989 e a última absolvição ocorreu em 2002. Antron, Yusef, Kevin e Raymond foram liberados após cumprirem a pena estabelecida. Por ser o mais velho, Korey Wise foi enviado à prisão para adultos, permanecendo no local por 13 anos e em uma solitária.

Em Olhos Que Condenam, é possível perceber que ele foi o que mais sofreu e teve experiências mais difíceis. Em 2002, o autor do crime se rendeu, as condenações dos cinco foram revogadas e eles abriram um processo contra a cidade. A minissérie retrata muito bem a história dos garotos antes, durante e depois da prisão.

Ela também conseguiu o que desejava, fazer com que muitas pessoas abrissem os olhos para a questão racial não apenas nos Estados Unidos, mas no mundo. Como as pessoas negras são julgadas apenas pela sua cor, onde garotos foram condenados mesmo sem provas de que teriam sido os culpados. Olhos que Condenam traz a realidade de diversos adolescentes negros e mexe com o psicológico de qualquer pessoa. Pois, não tem como acompanhar o que eles sofreram sem se emocionar e sentir raiva do erro judiciário. A produção é, com toda certeza, um soco no estômago.

A Netflix também disponibilizou o Oprah Apresenta: Olhos que Condenam. Uma conversa entre Oprah Winfrey, Ava DuVernay, os cinco do Central Park, o elenco e os produtores. É perceptível a ligação recíproca entre Antron, Kevin, Yusef, Raymond e Korey e os atores mais jovens (Jharrel Jerome, Caleel Harris, Ethan Herisse, Marquês Rodriguez e Asante Blackk), pois foram os responsáveis por contar as histórias e mostrar a injustiça. Jharrel Jerome vivenciou Korey na minissérie, o que lhe rendeu o Emmy de Melhor Ator em Série Dramática ou Telefilme. No seu discurso, ele afirmou “mais importante, isso [o prêmio] é para os homens que conhecemos como Exonerated Five”. Já Asante Blackk atuou como Kevin e se tornou o ator mais jovem a ser indicado no Emmy.

Imagem: Instagram Ava DuVernay

Ava começou a fazer história em 2012, quando ganhou na categoria de Melhor Direção do Festival Sundance de Cinema de 2012 com o filme Middle of Nowhere, sendo a primeira mulher afro-americana a ganhar esse prêmio. Já em 2015, com o longa Selma, ela foi a primeira diretora negra a ser nomeada para um Globo de Ouro e ter seu filme nomeado para o Oscar de Melhor Filme. Porém, o mais chocante é que, mesmo com seu filme disputando o Oscar, ela não foi nomeada para a categoria de Melhor Diretor, mostrando o problema da falta de representatividade nesses grandes eventos. 

DuVernay se tornou conhecida por dar voz à população negra, trazendo assuntos importantes e protagonistas negros nas suas produções. Ela tem a empresa ARRAY, que se dedica à amplificação de filmes independentes feitos por pessoas de cor e mulheres diretoras. Um dos seus projetos futuros é Colin in Black & White, minissérie da Netflix sobre a juventude de Colin Kaepernick, ex-jogador de futebol americano que fez um protesto relacionado à violência racial nos EUA ao não cantar o hino nacional antes do jogo.

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A calçada dos assédios em Hollywood

O ano de 2017 foi marcado por diversas denúncias sobre assédio sexual no perfeito mundo de Hollywood.

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Logo do movimento Time's Up (https://timesupnow.org/)

Muitos relatos sobre assédio sexual acabaram dando origem à alguns movimentos como o #MeToo, utilizado por pessoas que sofreram abusos sexual, e o Time’s Up, uma iniciativa contra o assédio e a desigualdade de gênero.

RELATOS

Em outubro, denúncias de estupro e assédio sexual contra o produtor Harvey Weinstein que acabou trazendo casos que aconteceram em 1990, por exemplo, trazendo histórias que permaneceram em silêncio por anos. Com a grande quantidade de relatos, Weinstein foi demitido da The Weinstein Company, empresa que fundou ao lado de seu irmão e que recentemente declarou falência. E foi a partir dessa denúncia que o efeito dominó começou.

Kevin Spacey conhecido pelo seu papel em House Of Cards, agora é reconhecido pelas denúncias que recebeu. Ele foi acusado de assediar o ator Anthony Rapp quando ele era menor de idade e de agir de maneira indevida com pelo menos oito pessoas da equipe da série e foi demitido, mais do que certo, não é mesmo?

A equipe e as atrizes da série One Tree Hill, Sophia Bush, Hilarie Burton, Danneel Ackles, Bethany Joy e outras, assinaram e divulgaram uma carta que denunciava o produtor e criador da série Mark Schwahn de assédio sexual, depois que a roteirista Audrey Wauchope se pronunciou no Twitter sobre o mesmo. Também responsável por The Royals, ele foi denunciado pela atriz Alexandra Park e suspenso da produção da série.

Que garota assistiu Gossip Girl e não se apaixonou por Ed Westwick? Ele foi acusado por duas mulheres de agressão sexual. Outro que também não escapou das denúncias foi Andrew Kreisberg (showrunner de Flash e Supergirl) acusado por “apenas” 19 mulheres de assédio sexual e de tocá-las de maneira inapropriada. A Streaming Things trouxe os exemplos que foram mais comentados, mas, é claro, que houve mais denúncias. Com esses ocorridos, foi criado o site Rotten Apples para mostrar em que produções houve a presença de pessoas responsáveis por assédios ou abusos.

MOVIMENTOS

#MeToo: Surgiu há mais de 10 anos com a ativista Tarana Burke. Ganhou um maior destaque depois do caso de Harvey Weinstein quando a atriz Alyssa Milano pediu que mulheres que sofreram abusos ou assédios usassem a hashtag nas redes sociais. Diversas pessoas aderiram ao movimento no Twitter, incluindo famosas como Lady Gaga, Evan Rachel Wood, Danneel Ackles, e até homens, como o ator da Broadway Javier Munoz.

Time’s Up: Fundado em 1º de Janeiro de 2018 por celebridades de Hollywood. A carta do manifesto foi assinada por mais de 300 mulheres do ramo do entretenimento e também existe um site para ajudar vítimas de assédio sexual no trabalho com várias informações, como por exemplo sobre os direitos femininos. E não acaba por aí, também tem a arrecadação de dinheiro para ajudar mulheres e homens com menos condições de denunciarem assédio sexual, no momento já foi arrecadado US$ 21.0M. O Time’s Up tomou conta do tapete vermelho da cerimônia do Golden Globe com atrizes vestindo preto e atores com broches do movimento, e de outras premiações como o Bafta, Grammy’s e no Oscar.

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