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Opinião

A representação da mulher na mídia

O documentário Miss Representation mostra como a mídia apresenta a mulher como um ser inferior ao homem.

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Imagem: Captura de tela do documentário

O documentário Miss Representation, que está no catálogo da Netflix, mostra como a mídia faz com que as garotas, desde crianças, procurem atingir um padrão irreal de beleza e a mulher como um ser que não pode ocupar cargos de poder. Ele foi produzido e dirigido pela cineasta e atriz Jennifer Siebel Newsom, que queria descobrir e entender um pouco mais sobre o mundo em que a filha dela vai viver.

A produção possui entrevistas com meninas que relatam casos pessoais ou que aconteceram com conhecidas. Por exemplo, uma delas admitiu alisar o cabelo para se aproximar do “padrão”, outra questionou sobre o porquê as amigas vão nos intervalos das aulas para o banheiro retocar a maquiagem se a escola é um local de aprendizagem. Uma das garotas falou sobre sua irmã mais nova e como ela se machuca por se tratada mal na escola, já que não possui o “corpo perfeito”. Meninos compartilharam que não concordam com a forma que os homens tratam as mulheres. Crianças, adolescentes e mulheres estão em busca de um ideal de beleza inalcançável e a mídia sempre está apresentando os mesmos tipos de corpos. Isso desencadeia diversas consequências como depressão, transtornos alimentares, baixa autoestima, entre outros.

Atrizes como Jane Fonda, Rosaria Dawson, Geena Davis e Daphne Zuniga; a jornalista Katie Couric, âncora da CBS Evening News; professoras de jornalismo e ciência política com PhD; Condoleezza Rice, ex-Secretária de Estado dos Estados Unidos; e Marie Wilson, fundadora do White House Project, debaterem esse assunto durante o documentário. Há também a participação de alguns homens falando sobre a falta de mulheres na política dos Estados Unidos, eles foram Gavin Newsom, atual governador da Califórnia, que nomeou duas mulheres como chefe da polícia e do corpo de bombeiros, sendo muito criticado, principalmente, por mulheres; e Cory Booker, atual senador de Nova Jersey. Essa falta acaba afetando as decisões, já que a visão e perspectiva da mulher não vão estar presentes. É como se a política fosse um assunto de homens e elas não tivessem o direito de ocupar cargos de liderança. Desse modo, como é que garotas mais novas vão acreditar que é possível trabalhar nessa área se elas não têm modelos a seguir? Essa representação pode ocorrer tanto na realidade como na mídia.

A presença de personagens femininas como líderes está presente em algumas séries, programas de TV e filmes, mas o número ainda é pequeno. Como exemplo, podemos citar Oprah Winfrey, Ellen DeGeneres e Christina Yang de Grey’s Anatomy. Se analisarmos os filmes de Hollywood, podemos perceber que quando as mulheres são as protagonistas (momentos raros), elas estão procurando conquistar um homem, encontrar o amor da sua vida ou casar. Isso também está presente em desenhos animados. Quando ocupam posições de poder, como chefes de uma revista de moda (Olá, Miranda Priestly), elas são vistas como pessoas malvadas e arrogantes. E não há dúvidas de que na maioria dos clipes de músicas elas têm o papel de objeto sexual, a mesma coisa acontece em filmes e séries. Quando sua personagem é empoderada, uma super heroína ou está fazendo o que quer, ela vai, de algum modo, ser coisificada para atrair o espectador masculino.

Trazendo dados de fora do documentário, o relatório do Center for the Study of Women in Television and Film, da Universidade Estadual de San Diego, revelou a porcentagem de mulheres protagonistas de acordo com os gêneros dos filmes. A pesquisa foi baseada nas produções de 2018. É possível concluir que elas estão muito presentes em filmes de comédia, a opção adequada quando o objetivo é sexualizar e a tratar as personagens como objetos. Também podendo colocá-las em busca do amor, conectadas com algum personagem masculino ou como motivo para risadas.

Divulgação: Netflix

Voltando para o documentário, ele traz vários dados interessantes como o número de meninas que não estão satisfeitas com o corpo, que as mulheres americanas gastam mais em produtos de beleza do que em investimento na própria educação (em média entre 12 e 15 mil dólares, por ano, em produtos de beleza e tratamentos), o pequeno número de mulheres que fazem parte do governo americano e que apenas 16% dos protagonistas de filmes são mulheres. Outro exemplo apresentado foi os casos de jornalistas mulheres que são coisificadas ou sexualizadas. Algumas usam roupas com grandes decotes, saias curtas e o foco, mais uma vez, vai para a beleza. Quando, na verdade, o mais importante é passar a informação para o público, esse é o seu trabalho. Porém, a questão é se a mulher é bonita o suficiente para estar na TV. Mesmo quando estão ocupando cargos de poder, como Hillary Clinton (exemplo usado no documentário), a aparência das mulheres se torna notícia e as pessoas acabam deixando de falar sobre o que elas estão defendendo, ou seja, o propósito delas na área. São várias as cenas de apresentadores que falam coisas absurdas sobre as mulheres que tentavam se eleger.

Para finalizar, as mulheres representam 16% do total de roteiristas, diretores, produtores, cineastas e editores e sofrem um certo tipo de preconceito. O exemplo apresentado foi o de Catherine Hardwicke, diretora do filme Crepúsculo. Seus roteiros traziam personagens femininas como protagonistas e a desculpa que recebeu era que existiam poucas atrizes rentáveis e, para isso, o filme precisava ser de baixo orçamento. Catherine não desistiu! Produziu o filme Thirteen, participou do Festival de Sundance e acabou ganhando um prêmio. A grande questão apresentada pela diretora é: por que homens podem dirigir filmes sobre mulheres, como Sex And The City e Hannah Montana, mas ela não pode dirigir “filmes de homens”?

Utilizando novamente o relatório do Center for the Study of Women in Television and Film, os 100 melhores filmes de bilheteria de 2018 foram separados e o número de mulheres que ocuparam os cargos na equipe criativa foi calculado. Os dados reforçam o que foi discutido durante o documentário.

Miss Representation tem como foco a mídia americana, mas sabemos que esses modelos de personagens femininas e padrão de beleza estão presentes em todos os lugares. A sociedade não determina o valor de uma mulher através do que ela defende ou conquista, a beleza é que define quem ela é. Tudo é sobre o corpo.

Porém, a mídia também tem o poder de gerar mudanças em relação a esse tema. Podemos dizer que algumas séries e filmes, como Grey’s Anatomy, Scandal e How To Get Away With Murder, estão apresentando personagens fortes e empoderadas. Também temos na realidade mulheres fortes e que servem de inspiração para várias garotas, como Emma Watson, Michelle Obama e Malala Yousafzai. Esses são apenas alguns pontos que o documentário aborda. Meu conselho é que você separe 1h30min e assista Miss Representation, tenho certeza de que não vai se arrepender.

O infográfico a seguir apresenta algumas das palavras mais citadas na produção, a quantidade para cada uma não está 100% exata, já que foram sendo contabilizadas durante a reprodução do documentário, mas elas podem trazer uma ideia resumida sobre o conteúdo.

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Opinião

A realidade das mulheres apresentada nas músicas de Taylor Swift

Atualmente, a cantora americana é considerada como uma das melhores compositoras dessa geração.

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Imagem de divulgação do álbum Lover (Instagram: Taylor Swift)

Taylor Swift surpreendeu os fãs ao lançar, durante a quarentena, o álbum folklore. Ele foi produzido não com o intuito de quebrar recordes ou criar hits, mas como uma forma de compartilhar os seus pensamentos com os fãs. Como de costume, ela disponibilizou um projeto muito bem elaborado. Uma das músicas se chama mad woman e fala sobre como as mulheres são rotuladas de loucas ao se irritarem e reagirem quando são acusadas de algo ou sofrem comentários machistas ou negativos, por exemplo. Já que o “correto” é apenas aceitar o ocorrido e não lutar de volta. Mas essa não é a primeira vez que a cantora retrata nas suas composições a realidade de diversas mulheres.

Amanda Marinho é fã da cantora desde 2008 e compartilha que Taylor sempre foi uma forma de inspiração, pois “por mais que a mídia e as pessoas ao redor dela estivessem a criticando pelas composições, ela nunca baixou a cabeça, nunca teve vergonha de estar escrevendo sobre aquilo porque, no final das contas, está escrevendo sobre a vida dela. Como fã, você sabe que ela é extremamente calculista, sabe pra onde quer exatamente levar a carreira. Taylor é muito business minded. Isso também sempre me inspirou, ela é muito certa do que quer e muito dedicada”.

Esse grande amor e admiração fez com que sua irmã, Ana Beatriz Marinho, conhecesse o trabalho de Taylor. “Minha irmã sempre foi muito fã, desde o início. Eu conhecia algumas músicas porque é meio difícil não escutar vivendo com uma pessoa que ama Taylor Swift. Em 2014, eu escutei o 1989, mas eu não gostava dela o suficiente para acompanhar a carreira. Fiquei mais fã no início de 2019, quando saiu o show da Netflix, o Reputation Tour. O que vejo muito em Taylor é que ela tem um propósito e sabe o que quer. Isso é perceptível nos álbuns. Outra coisa é que as primeiras, quintas e últimas faixas do álbum sempre vão ser extremamente fortes, elas estão ali por um motivo. No Lover, por exemplo, a primeira é I Forgot That You Existed, a quinta é The Archer, que é perfeito para ela e a carreira, e a última é Daylight, que é a música do CD.

Amanda também comentou que a artista sempre escreveu sobre diferentes realidades, olhares e perspectivas das mulheres, como em Mary Song, Better Than Revenge e Girl At Home. “É muito interessante ver que ela está tomando certas palavras que usam contra ela a seu favor. Por ser uma escritora e ter um poder tão grande com as palavras, Taylor consegue pegar várias situações que podem ser pessoais ou não e transformar em arte, em música. Isso é muito bonito. No folklore, por exemplo, em epiphany, ela escreveu sobre a realidade do seu avô na guerra e a dos enfermeiros e médicos na Covid-19”, adiciona a fã.

Porém, Swift é vítima de ataques desde o início da sua carreira. Em 2009, ela foi humilhada durante seu discurso no VMA quando o rapper Kanye West subiu no palco e a interrompeu, alegando que quem merecia o prêmio era a cantora Beyoncé. Esse momento é lembrado até hoje por diversas pessoas. Uma das críticas que Taylor ainda escuta é que as suas canções são muito parecidas, mas ela é uma artista que já lançou CDs country, pop e acabou de disponibilizar um álbum alternativo.

As pessoas também comentavam sobre como ela acabava com os namorados apenas para escrever o seu próximo hit de sucesso, já que sempre escreveu músicas sobre seus antigos relacionamentos. É óbvio que o mesmo não acontece com os homens, que podem namorar com diversas mulheres e escrever sobre elas sem problemas. Eles não serão julgados pela mídia, que sempre fala sobre a vida amorosa da cantora.

Na música Shake It Off, do álbum 1989 (2014), Taylor brinca com essa situação no trecho “I go on too many dates, but I can’t make them stay. At least that’s what people say” (eu vou em muitos encontros, mas eu não consigo fazer com que eles fiquem. Pelo menos é isso que as pessoas falam. Tradução nossa). O mais fácil é encontrar artigos e notícias falando sobre os namoros de artistas femininas, como se fosse mais importante do que o trabalho dela. O single seguinte foi Blank Space. Nele, uma personagem foi criada com base no que as pessoas imaginam dela: uma namorada possessiva e ciumenta que está em busca do seu próximo erro e animada para saber como o relacionamento terminará. Além disso, possui uma grande lista de ex-namorados que dirão que ela é louca, pois é um pesadelo vestido de sonho.

Beatriz Marinho relembra que Taylor falou várias vezes como estava com medo de lançar o Lover (2019), pois havia uma mudança drástica entre ele e o reputation (2017). Além disso, as pessoas comentavam como as suas músicas eram apenas sobre términos de relacionamentos e que ela não conseguiria escrever outras canções ao se casar ou começar um relacionamento sério. “O Lover foi ela mostrando que consegue escrever músicas boas e letras que fazem sentido, tem storytelling, significado, metáforas e simbologias. Ela compôs sobre amor mais consolidado, como Daylight, e mostrou a capacidade de imaginar a situação de um término, que é Death By A Thousand Cuts”, conclui.

Taylor decidiu responder a todos os ataques que recebeu durante grande parte de sua carreira com o clipe de Look What You Made Me Do, do álbum reputation. No final dele, diferentes versões/eras da artista aparecem agindo conforme a mídia e outras pessoas a rotulam, como alguém falsa e que sempre passa a imagem de vítima, por exemplo. Nesse momento, a indústria musical recebeu uma nova Taylor Swift, a que não iria mais se calar diante de ofensas. Algo confirmado em uma parte da canção: “I’m sorry, the old Taylor can’t come to the phone right now. Why? Oh ‘cause she’s dead”.

O caso mais recente foi uma polêmica entre a cantora e Scooter Braun. Ela se posicionou contra a venda da Big Machine Label Group, sua antiga gravadora, para a Ithaca Holdings. A empresa possui os direitos de todos os seus álbuns, até 2018, já que em novembro do mesmo ano ela assinou com a Universal Music Group. O motivo de não ter gostado da notícia é que Scooter e dois clientes dele fizeram bullying on-line com ela quando Kim Kardashian, esposa de Kanye, vazou o trecho de uma gravação ilegal. Ele também permitiu que Kanye produzisse um clipe que colocava o corpo dela nu em uma cama. Além disso, Taylor afirmou que não recebeu a oportunidade de comprar seus trabalhos de volta.

Swift publicou um texto revelando que soube da notícia por meio da mídia e o acordo que recebeu era que, se permanecesse na Big Machine, ganharia os direitos de um álbum velho ao produzir um novo. Porém, ela não queria ser associada a nenhum dos donos: Braun da Ithaca Holdings e Scott Borchetta da Big Machine. Borchetta publicou um texto contradizendo diversos pontos apresentados por Taylor. Porém, isso mostra o poder que os homens importantes do cenário musical têm sobre seus artistas, principalmente as mulheres. Pois, é fácil fazer com que as pessoas acreditem que elas estão mentindo e arrumando briga por nada, apenas para aparecer.

Para retratar um dos problemas que as mulheres sofrem no geral, não apenas na indústria da música, Taylor decidiu que The Man, do álbum Lover, seria seu novo single. A ideia da canção é retratar como os homens são vistos como superiores e que tudo é mais fácil para eles. Na letra, ela questiona se conseguiria alcançar seus objetivos mais rápido se fosse um homem (“I’m so sick of running as fast as I can wondering if I’d get there quicker if I was a man”). Ou seja, todos acreditam no que eles falam, pois nunca cometem erros e são perfeitos fazendo apenas o essencial ou ainda realizando atos ridículos, como ficar com as pernas abertas em um metrô.

Para Amanda, essa letra é uma realidade, principalmente no cenário musical. Ela afirma que, atualmente, a maioria das músicas que estão em destaque nas plataformas de streaming são de rap, que objetificam as mulheres. “É bizarro pensar que em pleno 2020 elas ainda fazem sucesso e que o homem pode usar a mulher como objeto em clipes e músicas. Todo mundo vai comprar, cantar, achar o máximo e vai ficar por isso mesmo. Quando Taylor escreveu The Man, além de ter sido um passo super importante pra ela, como mulher, é um wake up call muito bom para as pessoas olharem, de modo geral, ao redor e ver o que está acontecendo”.

No clipe, a cantora se caracterizou de homem e retratou, por exemplo, ser idolatrado pelas mulheres por estar cuidando sozinho da filha em um parque ou parabenizado pelos colegas por ter dormido com alguém. Alguns trechos falam sobre como ela não seria julgada por estar vestindo algo em específico ou ter sido grossa. Também não questionariam se merece o sucesso que conquistou e que não há problemas em ficar com raiva, mas uma mulher seria vista como malvada. No final do vídeo, Taylor está na cadeira de diretora e pergunta ao protagonista se ele pode ser um pouco mais sensual e agradável.

Essa é uma crítica perfeita sobre como as mulheres sofrem em diversos ambientes e sempre escutam comentários nesse estilo. Isso acontece bastante com artistas femininas que estão envolvidas com música e filmes/séries, pois suas apresentações e personalidades são de grande importância. Caso contrário, o público não irá gostar delas e serão julgadas se cometerem algum deslize, não importa o tamanho do “erro”.

A cantora tem um total de 29 AMAs, recorde da premiação. (Instagram: Taylor Swift)

Diversos artistas vêm comentando sobre como Taylor Swift é uma compositora incrível, inclusive por causa do storytelling de algumas canções. Ana Beatriz comenta como isso acontece desde o começo da carreira de Taylor. “Sempre vai ter músicas que a história contada é muito presente, como em Haunted, Back To December e All Too Well, que é considerada por muita gente conceituada como uma das melhores dos últimos anos. A intenção dela com o folklore era fazer um álbum que contasse histórias interligadas. Algumas são as mesmas, mas apresentadas de perspectivas diferentes”.

Ela também citou o trabalho da artista com temas, que podem estar em faixas diferentes do mesmo álbum ou aparecer como referências em outros. “Por exemplo, a música Red fala que o amor é vermelho e há o mito do string of faith, que tem uma linha vermelha conectando você e sua alma gêmea e ninguém pode ver. Quando chega no Lover, em Daylight, ela fala que achava que o amor era vermelho, mas é dourado. Algo que também está presente em invisible string, do folklore, na qual a linha é dourada. Então, é possível perceber esses temas voltando”.

Swift já acumulou diversas conquistas durante sua carreira, que teve início em 2004. Já vendeu, mundialmente, mais de 50 milhões de álbuns e 150 milhões de singles, possui dez Grammys e um Emmy Award e apareceu em 2010, 2015 e 2019 na Time Magazine como uma das cem pessoas mais influentes do mundo. Não há dúvidas de que a cantora continuará surpreendendo o público com suas escritas, performances e abordagens de forma inteligente.

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Opinião

A cultura pop durante a pandemia do Covid-19

Um dos setores que sofreu grande impacto com a chegada da pandemia do Covid-19 foi a área do entretenimento.

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Atriz Lana Parrilla na CCXP 2019 (Instagram)

Como a cultura pop continua firme e entretendo seu público durante a pandemia se os cinemas estão fechados, as gravações de filmes e séries estão sendo adiadas e os fãs não podem se reunir para assistir o seu artista preferido ou comparecer às convenções?

FILMES

Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica. Divulgação: painel do Walt Disney Studios no D23 Expo

Com as estreias de grandes longas adiadas e a queda nas bilheterias, os estúdios tomaram a decisão de lançar algumas produções diretamente nas plataformas digitais. Esse foi o caso de Greyhound que, após ser adiado indefinidamente, foi lançado diretamente na Apple TV. A estreia de Dois Irmãos: Uma Jornada Fantástica foi antecipada na Disney+ após passar um curto período nos cinemas. Outro filme disponibilizado diretamente na plataforma foi Artemis Fowl.

Enquanto isso, a pandemia deu ideias para alguns cineastas. Um exemplo é Michael Bay e Adam Goodman, que serão os produtores de Songbird – filme de Adam Mason. A trama acontece em 2022, mostrando que a pandemia do coronavírus piorou e o vírus está fortalecido depois de sofrer mutações.

Após um confinamento bem sucedido e medidas rigorosas, a Nova Zelândia anunciou no início de Junho que não possuía casos ativos. Portanto, as filmagens de Avatar 2, por exemplo, foram retomadas. Os estúdios devem seguir normas determinadas pela Comissão de Filmes da Nova Zelândia e aprovadas pelo governo. A mesma coisa aconteceu no Reino Unido. Com as novas regras de segurança definidas pelo governo e pelos órgãos de saúde, algumas produções, como Animais Fantásticos 3 e The Batman, poderão continuar suas gravações.

SÉRIES

Alguns seriados foram finalizados antes do previsto, ou seja, os espectadores não tiveram uma conclusão das histórias. Porém, a equipe de The Blacklist teve uma ideia para conseguir encerrar a 7ª temporada. Eles usaram cenas em live-action (gravadas antes da quarentena) e animação no estilo HQ.

Episódio final da 7ª temporada de The Blacklist. Divulgação: NBC

Um outro formato que vem sendo produzido são as séries gravadas a distância. Parks and Recreation fez um especial de meia hora, baseado no isolamento social, com a participação do elenco principal e arrecadou US$2,8 milhões para o Feeding America. Outro exemplo foi a série Staged, comédia da BBC com David Tennant, Michael Sheen, Georgia Tennant e Anna Lundberg. Na série, que contou com seis episódios de 15-20 min, os atores tentam ensaiar o roteiro de uma peça de teatro durante a quarentena. Já a Netflix lançou Homemade, série antológica de curtas sobre a quarentena. Cada episódio tem entre cinco e sete minutos e é comandado por diferentes diretores, como Kristen Stewart, Maggie Gyllenhaal, Rungano Nyoni, Gurinder Chadha, Naomi Kawase e Sebastián Lelio.

No caso de séries brasileiras, há Diário de um Confinado. Escrito por Bruno Mazzeo e dirigido pela sua esposa Joana Jabace, o programa acompanha o dia a dia da quarentena do protagonista Murilo (Mazzeo), que precisa fazer faxina, pedir comida, ir ao supermercado, lidar com as preocupações e fake news compartilhadas pela mãe (Renata Sorrah) e a vizinha (Deborah Bloch) que segue as medidas de segurança de forma extremamente rigorosa. Tudo foi gravado nas casas dos atores e eles se comunicam por chamadas de vídeo. No caso de Mazzeo e Bloch, eles se encontram durante as cenas porque ela é sua vizinha na vida real.

MÚSICA

Algo que faz muito sucesso durante a quarentena são as lives dos artistas. Além de entreter os fãs, é uma forma de aproveitar o momento para realizar arrecadações. O primeiro grande festival durante a pandemia foi o One World: Together At Home, realizado pela cantora Lady Gaga em parceria com a ONG Global Citizen e OMS. Ele durou cerca de oito horas, teve apresentações de cantores como Paul McCartney, Jessie J, Liam Payne, Niall Horan e Kesha e arrecadou US$ 127,9 milhões.

A ONG Global Citizen, em parceria com a Comissão Europeia, também realizou o Global Goal: Unite For our Future – The Concert com performances de Shakira, Coldplay, Usher, Miley Cyrus, Chloe X Halle, entre outros para conscientizar sobre a luta pela igualdade do acesso aos tratamentos e medicamentos contra a COVID-19. Alguns artistas brasileiros que realizaram lives para arrecadar doações foram Sandy e Junior, Ivete Sangalo, Gilberto Gil, Milton Nascimento e o trio Elba Ramalho, Alceu Valença e Geraldo Azevedo.

Devido ao momento atual, alguns artistas estão aderindo à ideia de shows no formato drive-in. Dessa forma, as pessoas podem comparecer e assistir a apresentação dentro do carro, sem gerar aglomeração e seguindo as exigências de segurança. Devido ao momento atual, alguns artistas estão aderindo à ideia de shows no formato drive-in. Dessa forma, as pessoas podem comparecer e assistir a apresentação dentro do carro, sem gerar aglomeração e seguindo as exigências de segurança.

Show do Jota Quest. Divulgação: Instagram Allianz Parque

No Brasil, há o Arena Sessions do Allianz Parque (SP) e sua programação pode ser conferida no site oficial. O show da banda Jota Quest, por exemplo, fez parte do evento e todos os ingressos foram vendidos. Também há a exibição de filmes e realização de stand-ups. Nos Estados Unidos, apresentações drive-in já foram realizadas por Keith Urban, Pat Green e Bruce Springsteen.

CONVENÇÕES

As convenções são eventos muito esperados na área da cultura pop, pois há a participação dos elencos de séries e filmes adorados pelo público, assim como novidades sobre as produções. A opção que surgiu foi realizá-las de forma online. O DC FanDome será gratuito e realizado em 22 de agosto às 14h (horário de Brasília). O evento, que vai durar 24 horas, apresentará novidades e terá a presença dos criadores e elencos do Arrowverse, Stargirl, Esquadrão Suicida, Aquaman, Adão Negro e Shazam!. Após ser cancelada por causa do coronavírus, a San Diego Comic-Con será realizada de forma online e gratuita. A edição San Diego Comic-Con At Home acontecerá entre 22 e 26 de julho.

Divulgação: DC FanDome

LITERATURA

Como as pessoas estão passando mais tempo em casa e as livrarias fechadas, as editoras Intrínseca, TAG e Leitura criaram clubes de assinaturas de livros, que funcionam da seguinte forma: ao pagar um valor mensal, você recebe um livro escolhido por curadores e um brinde.

Divulgação: Instagram Editora Intrínseca

O Intrínsecos, por exemplo, seleciona um livro que nunca foi publicado no Brasil, pois só chegará às livrarias depois de 45 dias ou mais e em outro formato. Ele possui um design diferente e colecionável e vem acompanhado de um marcador e postal colecionáveis; uma revista com textos, entrevistas e ilustrações para expandir o universo da obra; e um brinde relacionado à história. A editora-executiva Danielle Machado revelou que houve um crescimento no número de assinantes.

                                                                                                                                   FAZENDO O BEM

Darren Criss, Matthew Morrison, Jane Lynch, Jenna Ushkowitz, Chris Colfer, Amber Riley e Kevin McHale, todos de Glee, realizaram uma live para arrecadar fundos para o Actor’s Fund. Essa é uma forma dos fãs se entreterem e, ao mesmo tempo, fazer o bem. Outra opção é realizar sorteios. Com o objetivo de conseguir doações para o No Kid Hungry, Meals on Wheels America e America’s Food, o elenco de Friends anunciou que o sorteado e cinco amigos irão conhecê-los, fazer uma tour nos estúdios da Warner e participar da reunião especial que será disponibilizada no HBO Max.

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Colaboração das leitoras

Das páginas à televisão: a história da Archie Comics

A Archie Comics é uma das maiores e mais bem-sucedidas editoras na história dos quadrinhos.

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Arte promocional para a série Riverdale (Veronica Fish)

COMO NASCEU
Archie teve sua primeira aparição na revista Pep Comics #22 em dezembro de 1942 e teve como ideia principal apresentar uma linha de história mais simples do que acontecia na época com o frenesi de super-heróis que tomava todas as revistas em quadrinhos, incluindo as da MLT Magazines, nome original da editora Archie Comics, que foi rebatizada devido ao sucesso dos quadrinhos.

THE RISE…

Capa do Archie Superteens Versus Crusaders (Site Archie Comics)

Capa do Archie Superteens Versus Crusaders (Site Archie Comics)

Em 1942, Archie ganhou sua própria publicação: a Archie Comics, mais tarde simplificada para apenas Archie. Ele tinha como público-alvo crianças e contava histórias de mistério, envolvendo a cidadezinha pacata de Riverdale e seus moradores. O sucesso foi tão grande que diversos spin-offs foram criados, como “Archie’s Girls Betty and Veronica”, que apresentava histórias com foco nas duas personagens femininas mais amadas dos quadrinhos; “Archie’s Pal Jughead”, que tinha Jughead Jones como destaque; “Little Archie” um spin-off focado na turma quando crianças; e “Archie’s Super Teens”, que explorou a onda de super-heróis, dando aos personagens principais superpoderes condizentes com suas personalidades nos quadrinhos originais. Archie tinha, e tem até hoje, uma base de fãs extremamente leal, que consume e adora todas as suas histórias, sendo considerado por muitos um ícone americano. Ele é a representação mais comum e ideal do que seria um garoto típico com os valores típicos dos Estados Unidos na época em que vivia.

… AND THE FALL
O autor Bart Beaty cita em seu livro Twelve-Cent Archie que “o objetivo da Archie Comics não era produzir um número enorme de histórias, mas dar aos leitores virtualmente o mesmo material com apenas as variações necessárias para fazê-los voltarem por mais.” Porém, como toda fórmula, uma hora ela não funcionou mais. Somada a um envelhecimento do público original, falta de impacto na nova geração e medo de danificar a marca do Archie, as revistas do garoto ruivo mais famoso da América só fizeram diminuir com as atitudes tomadas por Richard Goldwater e Michael Silberkleit, diretores da época e filhos dos donos originais. Isso acabou danificando as vendas e a empresa a cada nova atitude tomada para “proteger a marca” da Archie Comics. Quando Jon Goldwater, meio irmão de Richard, tomou posse da empresa em 2008 mudanças e modernizações foram feitas nos quadrinhos e própria marca.

UMA NOVA ERA
Com Jon Goldwater pressionando na tecla da mudança e se esforçando para tornar Archie novamente relevante, riscos antes jamais sequer pensados foram tomados, como a distribuição dos quadrinhos online. A série Life With Archie explorou temas mais maduros e inseriu o primeiro personagem gay da série, Kevin Keller, que teve um impacto tão grande que fez a edição de sua primeira aparição, Veronica #202, ganhar uma segunda leva de revistas. Algo sem precedentes para Archie nos tempos atuais. Com a modernização das histórias e seus temas, Archie Comics voltou a fazer sucesso com até mesmo suas tramas mais bizarras, como Archie meets Kiss, sendo sucesso de vendas. Mais ou menos na mesma época, o diretor de criação, Roberto Aguirre-Sacasa, lançou a ideia de um apocalipse zumbi em Riverdale. Com a aprovação imediata de Goldwater, After Life With Archie chegou às prateleiras em 2013, sendo não só um grande sucesso de público, mas também extremamente elogiada pelos críticos. Em 2015, Archie Comics teve seu primeiro, e até o momento, único reboot, com a intenção de dar aos personagens uma nova mão de tinta, alterando até mesmo seus designs clássicos, tudo com a ideia de mostrar que não só a empresa, mas as histórias estavam abraçando a mudança, fazendo a marca da Archie Comics forte mais uma vez.

RIVERDALE

Pôster da 3ª temporada de Riverdale. Divulgação: CW

Pôster da 3ª temporada de Riverdale. Divulgação: CW

Talvez o maior exemplo da nova força do Archie tenha sido a estreia da série da CW, Riverdade, que, embora falha não só em narrativa. mas também em adaptação, não poderia ser mais propícia para a época atual dos quadrinhos, que recentemente delimitaram o público jovem-adulto como audiência. E mesmo com todas os seus problemas, Riverdale teve um papel extremamente importante em chamar uma nova parcela do público não-familiarizado com as histórias do Archie e introduzi-los no incrível universo do menino ruivo mais conhecido dos Estados Unidos.

 

CURIOSIDADES

A leitora Larissa Vasconcelos listou algumas curiosidades sobre o universo Archie Comics e o Killer Queens os transformou em vídeo.

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