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Colaboração das leitoras

Masculinidade tóxica e as manic pixie dream girls

Existe um tipo de personagem feminina constante nos filmes, séries e livros: as manic pixie dream girls.

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Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt, atores do filme 500 dias com Ela. A personagem Summer (Zoey) é uma MPDG. Divulgação: EW
Zooey Deschanel e Joseph Gordon-Levitt, atores do filme 500 dias com Ela. A personagem Summer (Zoey) é uma MPDG. Divulgação EW

As manic pixie dream girls (MPDG) podem ser, facilmente, comparadas ao tipo ideal machista de “bela, recatada, do lar” e totalmente sem vida em comparação aos protagonistas masculinos de suas respectivas histórias.

Você é familiarizado com personagens femininas que fogem do padrão de femme fatale, não são ameaçadoras ou classicamente femininas? Que, apesar disso, se encaixam em todos os padrões sociais de beleza, mas não são “como todas as outras garotas” por serem excêntricas e um tanto quanto despreocupadas? Esse é um estereótipo bem comum dentro do cinema e se chama manic pixie dream girls. Elas são um tipo bastante frequente de personagem feminino que o crítico de cinema Nathan Rabin, que cunhou o termo após ver a personagem de Kirsten Dunst em Elizabethtown (2005), define como: ‘aquela criatura cinematográfica cintilante e superficial que só existe na imaginação febril dos escritores’’.

Basicamente, elas são personagens absurdamente machistas que são disfarçadas de “garotas ideais” pelos escritores. O problema do machismo nessas personagens é simples. De modo geral, elas não tem história ou crescimento algum e só existem para que o protagonista tenha algum tipo de crescimento, enquanto elas ficam presas sem qualquer desenvolvimento em suas histórias. Nem mesmo a um passado elas têm direito. Normalmente são misteriosos, assim como seu aparecimento na história. Claro que personagens excêntricas não precisam, necessariamente, ser uma manic pixie dream girl.

MPDG podem se encaixar nisso sem serem totalmente um objeto de admiração para um homem e sem serem usadas exclusivamente para o crescimento de um personagem masculino. Um exemplo é a Sam, de As Vantagens de Ser Invisível. Apesar de se encaixar nos padrões de MPDG, ela mostra ser muito além das idealizações de Charlie, o protagonista. Isso mostra a importância de boas personagens femininas na ficção: elas ajudam a demonstrar que, assim como as mulheres fictícias, as da vida real também são fortes e donas de suas próprias vidas.

Apesar de não serem protagonistas das histórias que fazem parte, essas personagens crescem sozinhas, independente dos personagens masculinos.

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Colaboração das leitoras

Das páginas à televisão: a história da Archie Comics

A Archie Comics é uma das maiores e mais bem-sucedidas editoras na história dos quadrinhos.

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Arte promocional para a série Riverdale (Veronica Fish)

COMO NASCEU
Archie teve sua primeira aparição na revista Pep Comics #22 em dezembro de 1942 e teve como ideia principal apresentar uma linha de história mais simples do que acontecia na época com o frenesi de super-heróis que tomava todas as revistas em quadrinhos, incluindo as da MLT Magazines, nome original da editora Archie Comics, que foi rebatizada devido ao sucesso dos quadrinhos.

THE RISE…

Capa do Archie Superteens Versus Crusaders (Site Archie Comics)

Capa do Archie Superteens Versus Crusaders (Site Archie Comics)

Em 1942, Archie ganhou sua própria publicação: a Archie Comics, mais tarde simplificada para apenas Archie. Ele tinha como público-alvo crianças e contava histórias de mistério, envolvendo a cidadezinha pacata de Riverdale e seus moradores. O sucesso foi tão grande que diversos spin-offs foram criados, como “Archie’s Girls Betty and Veronica”, que apresentava histórias com foco nas duas personagens femininas mais amadas dos quadrinhos; “Archie’s Pal Jughead”, que tinha Jughead Jones como destaque; “Little Archie” um spin-off focado na turma quando crianças; e “Archie’s Super Teens”, que explorou a onda de super-heróis, dando aos personagens principais superpoderes condizentes com suas personalidades nos quadrinhos originais. Archie tinha, e tem até hoje, uma base de fãs extremamente leal, que consume e adora todas as suas histórias, sendo considerado por muitos um ícone americano. Ele é a representação mais comum e ideal do que seria um garoto típico com os valores típicos dos Estados Unidos na época em que vivia.

… AND THE FALL
O autor Bart Beaty cita em seu livro Twelve-Cent Archie que “o objetivo da Archie Comics não era produzir um número enorme de histórias, mas dar aos leitores virtualmente o mesmo material com apenas as variações necessárias para fazê-los voltarem por mais.” Porém, como toda fórmula, uma hora ela não funcionou mais. Somada a um envelhecimento do público original, falta de impacto na nova geração e medo de danificar a marca do Archie, as revistas do garoto ruivo mais famoso da América só fizeram diminuir com as atitudes tomadas por Richard Goldwater e Michael Silberkleit, diretores da época e filhos dos donos originais. Isso acabou danificando as vendas e a empresa a cada nova atitude tomada para “proteger a marca” da Archie Comics. Quando Jon Goldwater, meio irmão de Richard, tomou posse da empresa em 2008 mudanças e modernizações foram feitas nos quadrinhos e própria marca.

UMA NOVA ERA
Com Jon Goldwater pressionando na tecla da mudança e se esforçando para tornar Archie novamente relevante, riscos antes jamais sequer pensados foram tomados, como a distribuição dos quadrinhos online. A série Life With Archie explorou temas mais maduros e inseriu o primeiro personagem gay da série, Kevin Keller, que teve um impacto tão grande que fez a edição de sua primeira aparição, Veronica #202, ganhar uma segunda leva de revistas. Algo sem precedentes para Archie nos tempos atuais. Com a modernização das histórias e seus temas, Archie Comics voltou a fazer sucesso com até mesmo suas tramas mais bizarras, como Archie meets Kiss, sendo sucesso de vendas. Mais ou menos na mesma época, o diretor de criação, Roberto Aguirre-Sacasa, lançou a ideia de um apocalipse zumbi em Riverdale. Com a aprovação imediata de Goldwater, After Life With Archie chegou às prateleiras em 2013, sendo não só um grande sucesso de público, mas também extremamente elogiada pelos críticos. Em 2015, Archie Comics teve seu primeiro, e até o momento, único reboot, com a intenção de dar aos personagens uma nova mão de tinta, alterando até mesmo seus designs clássicos, tudo com a ideia de mostrar que não só a empresa, mas as histórias estavam abraçando a mudança, fazendo a marca da Archie Comics forte mais uma vez.

RIVERDALE

Pôster da 3ª temporada de Riverdale. Divulgação: CW

Pôster da 3ª temporada de Riverdale. Divulgação: CW

Talvez o maior exemplo da nova força do Archie tenha sido a estreia da série da CW, Riverdade, que, embora falha não só em narrativa. mas também em adaptação, não poderia ser mais propícia para a época atual dos quadrinhos, que recentemente delimitaram o público jovem-adulto como audiência. E mesmo com todas os seus problemas, Riverdale teve um papel extremamente importante em chamar uma nova parcela do público não-familiarizado com as histórias do Archie e introduzi-los no incrível universo do menino ruivo mais conhecido dos Estados Unidos.

 

CURIOSIDADES

A leitora Larissa Vasconcelos listou algumas curiosidades sobre o universo Archie Comics e o Killer Queens os transformou em vídeo.

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Colaboração das leitoras

A ditadura da magreza

‘O Mínimo para Viver’ mostra a difícil luta e recuperação dos transtornos alimentares.

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Divulgação: Netflix

Anorexia. Transtorno. Destruturação familiar. Esses foram os temas abordados em O Mínimo para Viver, filme produzido pela Netflix. Escrito e dirigido por Mati Noxon, o longa mostra a batalha da jovem Ellen (Lily Collins) contra a anorexia e o Dr. William Beckham (Keanu Reeves), que estava auxiliando em seu tratamento. A produção gerou muita polêmica por tentar retratar a vida de pessoa que sofre com transtornos alimentares, além de ser acusado de incentivar e ensinar como perder peso. O público ficou dividido em relação ao filme por retratar a personagem de maneira crua, exibindo imagens de um corpo com os ossos salientes devido à magreza e seu contato com a comida, que é mínima. Mas por que tornar temas importantes e necessários em tabus? Um levantamento realizado pela Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo revelou que 77% das jovens no Estado apresentam propensão a desenvolver algum tipo de distúrbio alimentar, como anorexia, bulimia e compulsão por comer.

Além de expor os problemas de saúde da protagonista, o filme retrata seu ambiente familiar desestruturado e despreparado para lidar com a situação. O pai que nunca aparece, uma mãe distante e o convívio conturbado com a madrasta. Não seria essa a intenção do filme? Defender e levantar a discussão sobre o tema, conscientizando que anorexia é um distúrbio que necessita de uma atenção e cuidados especiais. A protagonista sempre afirma estar sob controle da situação, mas na verdade não consegue comer e ainda faz exercícios compulsivamente para perder calorias. Ellen não concorda que está doente, mas seu peso e sua aparência dizem o contrário. Até que a jovem aceita ser internada em uma casa onde há pessoas com o mesmo problema que o seu, onde passa a fazer novas amizades e encarar o distúrbio de modo diferente. No Brasil, a anorexia atinge mais as mulheres que os homens, representando a taxa de um homem a cada dez mulheres com o transtorno. Esse é um tema que, sim, deve ser falado, debatido e discutido em todos as suas vertentes.

Durante seu tratamento, Ellen não apresenta melhoras e está perdendo cada vez mais peso, o que é muito crítico para quem já está em um estágio muito avançado da anorexia. Até que a jovem encara a morte de frente, que é o momento crucial para que ela retorne ao tratamento de maneira séria. Abrir os olhos da população sobre um assunto como distúrbios alimentares é essencial no momento em que vivemos com a quantidade de informações oferecidas pela internet. Os jovens estão mais propensos a diversos tipos de dados e ‘exemplos’. Não devemos tomar a conscientização e o debate que o filme levanta como uma forma de ensinar e mostrar de maneira irresponsável os transtornos. Irresponsável é não falar sobre o assunto, irresponsável é fingir que isso não é um problema de saúde que se deve dar atenção.

Apesar da pressão normalmente cair sobre as meninas, apenas 10% das pessoas que sofrem de transtornos alimentares são homens, é importante ressaltar que eles também sofrem com a ditadura da magreza. Esse acontecimento foi chamado de manorexia, uma mistura da palavra man com anorexia. Pesquisas da Universidade de Harvard mostram que 25% dos casos de bulimia e anorexia atingem os homens, o que é um valor considerável. A pergunta é: até que ponto vale à pena abrir mão da sua saúde apenas para ter um corpo magro e socialmente aceito?

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