{"id":631,"date":"2020-06-12T20:55:28","date_gmt":"2020-06-12T23:55:28","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/?page_id=631"},"modified":"2020-07-25T03:19:31","modified_gmt":"2020-07-25T06:19:31","slug":"fabuloso-futuro","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/fabuloso-futuro\/","title":{"rendered":"Fabuloso futuro"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; disabled_on=&#8221;on|off|off&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;Fabuloso futuro&#8221; header_fullscreen=&#8221;on&#8221; header_scroll_down=&#8221;on&#8221; scroll_down_icon=&#8221;%%7%%&#8221; scroll_down_icon_color=&#8221;#000000&#8243; content_max_width=&#8221;36%&#8221; content_max_width_tablet=&#8221;40%&#8221; content_max_width_phone=&#8221;100%&#8221; content_max_width_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; title_font=&#8221;|700|||||||&#8221; title_text_align=&#8221;left&#8221; title_font_size=&#8221;60px&#8221; background_enable_color=&#8221;off&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Futuro-fabuloso.jpg&#8221; module_alignment=&#8221;left&#8221; custom_margin=&#8221;||||false|false&#8221; custom_padding=&#8221;|||0%|false|false&#8221; title_font_size_tablet=&#8221;50px&#8221; title_font_size_phone=&#8221;30px&#8221; title_font_size_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; custom_css_title=&#8221;background-color:#000;||padding:20px;||margin-top: 38vh;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_fullwidth_header][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; disabled_on=&#8221;off|on|on&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; background_color=&#8221;#e0b917&#8243; locked=&#8221;off&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_blurb title=&#8221;FABULOSO FUTURO&#8221; url=&#8221;@ET-DC@eyJkeW5hbWljIjp0cnVlLCJjb250ZW50IjoicG9zdF9saW5rX3VybF9wYWdlIiwic2V0dGluZ3MiOnsicG9zdF9pZCI6IjYzMSJ9fQ==@&#8221; image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Futuro-fabuloso.jpg&#8221; alt=&#8221;%22Le\u00e3o aut\u00f4mato%22, %22O turco%22 e Deep Blue nascem do mesmo sonho&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; _dynamic_attributes=&#8221;url,link_option_url&#8221; header_font=&#8221;|800|||||||&#8221; header_text_color=&#8221;#ffffff&#8221; header_font_size=&#8221;26px&#8221; body_text_color=&#8221;#000000&#8243; background_enable_image=&#8221;off&#8221; link_option_url=&#8221;@ET-DC@eyJkeW5hbWljIjp0cnVlLCJjb250ZW50IjoicG9zdF9saW5rX3VybF9wYWdlIiwic2V0dGluZ3MiOnsicG9zdF9pZCI6IjYzMSJ9fQ==@&#8221; custom_css_blurb_title=&#8221;background-color:#000;||padding:10px;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_blurb][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243; custom_padding=&#8221;2px|||||&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243; width=&#8221;84.9%&#8221; custom_padding=&#8221;40px|||||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243; custom_margin=&#8221;|-2px||||&#8221; custom_padding=&#8221;|0px||||&#8221;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que contemporaneamente parece trivial no cotidiano poderia ser facilmente classificado como m\u00e1gica h\u00e1 algumas d\u00e9cadas. Imagine, por exemplo, que uma divaga\u00e7\u00e3o sobre uma rede social, como o Twitter, fosse mostrada para uma telefonista da d\u00e9cada de 40. Provavelmente ela acharia essa inven\u00e7\u00e3o poss\u00edvel apenas no campo da fic\u00e7\u00e3o. Para entendermos melhor como s\u00e3o imaginados cen\u00e1rios sobre o futuro, a reportagem entrevistou o futurista Jacques Barcia, fundador do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Futuring.Today<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e pesquisador afiliado do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Institute For The Future<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Formado em jornalismo, Barcia trabalhou em ve\u00edculos como a Folha de Pernambuco e o Jornal do Commercio. Na maior parte da sua atua\u00e7\u00e3o como jornalista, cobriu o setor de tecnologia. Em dezembro de 2013, foi trabalhar no Porto Digital do Recife. Ap\u00f3s a execu\u00e7\u00e3o de projetos e certificados, tornou-se futurista mais por uma consequ\u00eancia que por escolha. Para ele, se uma pessoa est\u00e1 estudando o futuro e comunicando isso para as pessoas, logo ela se torna <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">uma<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> futurista.<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto:<\/b> <b><i>Como \u00e9 o trabalho de futurista?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Atendemos muitas organiza\u00e7\u00f5es. A maioria, no meu caso, privadas. Normalmente est\u00e3o incomodadas com alguma incerteza e querem iluminar essa incerteza eliminando algumas d\u00favidas. Quando entro em jogo, a primeira coisa que <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">eu<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> fa\u00e7o \u00e9 melhorar a pergunta. Muitas vezes as pessoas n\u00e3o perguntam o mais relevante ou n\u00e3o fazem perguntas pertinentes. Para isso, n\u00f3s pesquisamos o assunto em quest\u00e3o, com foco nos aspectos de for\u00e7as de mudan\u00e7a hist\u00f3ricos, que moldam certos setores, mercados ou at\u00e9 a sociedade e envolvemos a organiza\u00e7\u00e3o nesse processo, facilitando seu entendimento com <em>workshops<\/em>. N\u00e3o gosto de fazer a pesquisa e \u201centregar\u201d o futuro. Eu coleto as evid\u00eancias e tento interpret\u00e1-las junto com a organiza\u00e7\u00e3o. Criamos cen\u00e1rios e, finalmente, estrat\u00e9gias na qual oriento e indico que \u201cdevemos responder essa quest\u00e3o desta forma\u201d.<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto: <\/b><b><i>H\u00e1 alcance para essa vis\u00e3o do futuro?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">Quando a organiza\u00e7\u00e3o nos procura, geralmente est\u00e1 querendo saber algo de longo prazo. Quando penso em futuro, penso em pelo menos 10 anos. Gosto de dizer que 10 anos \u00e9 longe o suficiente de forma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">para<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> que as divaga\u00e7\u00f5es sejam rid\u00edculas. Tem uma frase de Jim Dator que traduz isso: \u201ctoda proposi\u00e7\u00e3o \u00fatil sobre o futuro deve parecer, a princ\u00edpio, rid\u00edcula\u201d. Quando pensamos em futuro, temos que pensar em novos valores. Um exemplo \u00e9 que se, no passado, algu\u00e9m afirmasse que a IA iria definir com quem vamos nos relacionar ou at\u00e9 casar seria rid\u00edculo. Dessa forma, 10 anos \u00e9 longe o suficiente para ser rid\u00edculo, mas perto o suficiente para tomarmos a\u00e7\u00f5es. Por isso, geralmente, pensamos em 10, 20 ou 30 anos. 5O anos j\u00e1 \u00e9 algo bastante avan\u00e7ado, mas alguns futuristas j\u00e1 pensam daqui a 100 anos.<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto: O futurista n\u00e3o \u00e9 um vidente, certo?<\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Uma coisa muito importante <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">pra dizer<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 que futuristas n\u00e3o preveem o futuro, pois o futuro n\u00e3o pode ser previsto, mas podemos entender algumas possibilidades. Por exemplo, neste momento ningu\u00e9m previu o coronav\u00edrus mas, h\u00e1 10 anos, algu\u00e9m j\u00e1 falava na possibilidade de uma pandemia. Desde a consolida\u00e7\u00e3o da globaliza\u00e7\u00e3o, futuristas falam sobre como as cidades e a concentra\u00e7\u00e3o populacional com grande circula\u00e7\u00e3o de pessoas se transformariam em focos de pandemias. Na verdade o que aconteceu aqui foi muito maior. Se for analisar bem, o Ebola, a gripe su\u00edna, o zika e a chikungunya foram focos locais levados a outros centros por causa da intensa circula\u00e7\u00e3o de pessoas. Ent\u00e3o passamos por isso novamente: o coronav\u00edrus n\u00e3o estava nos cen\u00e1rios, mas t\u00ednhamos como entender que essa concentra\u00e7\u00e3o de pessoas em megacidades com a facilidade de mobilidade v\u00e3o facilitar pandemias que ter\u00e3o impacto geral. N\u00e3o podemos prever o futuro, mas podemos antecipar as possibilidades e nos prepararmos para esse futuro.<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto:<\/b> <b>Voc\u00ea j\u00e1 prestou servi\u00e7o para um cemit\u00e9rio, certo? Como foi?<\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia<\/b><span style=\"font-weight: 400;\">: Na verdade a gente fez um trabalho para o Sindicato dos Cemit\u00e9rios e Cremat\u00f3rios Particulares do Brasil (SINCEP), uma associa\u00e7\u00e3o que nos procurou querendo entender a \u201cmorte da morte\u201d. Basicamente eles estavam preocupados com a ideia de hiper-longevidade e come\u00e7aram a se perguntar sobre como vai ser quando as pessoas pararem de morrer. A gente melhorou essa pergunta para \u2018como seria a morte dos rituais de morte?\u2019. Era sobre como os jovens n\u00e3o iam mais a vel\u00f3rios, como as redes substituem o papel de prestar homenagem e contato com quem j\u00e1 se foi. Ent\u00e3o esse neg\u00f3cio estava mudando e fizemos um trabalho com eles para mostrar novas possibilidades sobre como, por exemplo, tecnologias e mudan\u00e7as culturais podem transformar seu neg\u00f3cio.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gente materializou uma possibilidade de futuro atrav\u00e9s de uma experi\u00eancia ou de um artefato. Nesse caso, fizemos um prot\u00f3tipo de um vel\u00f3rio de 2035, com atores e roteiro, e apresentamos sem dizer que simulava 2035. No fim da encena\u00e7\u00e3o, que foi interativa, com atores tamb\u00e9m na plateia, revelamos a \u201cfarsa\u201d. O interessante \u00e9 que uma das coisas que pesquisamos \u00e9 que vontades e personalidades poder\u00e3o ser simuladas de forma muito precisa no futuro. Tecnologias podem fazer com que personalidades de mortos continuem interagindo com seus entes queridos por algum tempo.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No caso da encena\u00e7\u00e3o, a pessoa que tinha morrido estava representada por uma voz que teria sido constru\u00edda atrav\u00e9s das mem\u00f3rias que a morta tinha postado nas redes sociais. Isso pode ser \u00fatil para contratos inteligentes, como um testamento, que funciona de forma que se coisa x acontecer, automaticamente a coisa y acontece. Imagine voc\u00ea colocar um testamento n\u00e3o em um peda\u00e7o de papel, mas em um software que fala e age como a pessoa que escreveu. Isso tudo foi para falar como, no futuro em 15 ou 20 anos, podemos ter um outro tipo de rela\u00e7\u00e3o com os mortos atrav\u00e9s de contratos inteligentes e intelig\u00eancias artificiais.<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto: <\/b><b><i>E empresas comuns tamb\u00e9m s\u00e3o curiosas sobre o futuro?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Prestamos esse servi\u00e7o para uma fabricante de carrocerias chamada <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Randon<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Ela tem um banco de cons\u00f3rcios para caminhoneiros comprarem carrocerias. Para eles, fizemos um trabalho sobre o futuro do dinheiro, de forma que ajudamos a entenderem como as no\u00e7\u00f5es de dinheiro e riqueza podem mudar. Nesse processo a gente facilitou a descoberta de v\u00e1rias outras possibilidades de neg\u00f3cios.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto: <\/b><b><i>Houve algum cliente n\u00e3o comercial?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> Teve o Museu do Amanh\u00e3. Fiz uma pesquisa sobre o futuro do trabalho para daqui a 50 anos e um dos resultados serviu como base para a cria\u00e7\u00e3o de uma mostra chamada Ofisuka. O interessante \u00e9 que um dos resultados, por um lado, foi o surgimento do trabalho hiper-criativo, que \u00e9 a ideia de que em 50 anos teremos uma nova forma de trabalhar e colaborar de forma criativa atrav\u00e9s de interfaces c\u00e9rebro a c\u00e9rebro. Ou seja, ligar a mente \u00e0 uma rede de intelig\u00eancias (mentes), com a possibilidade de criar e moldar ideias e sonhos, criando coisas absolutamente intang\u00edveis.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O outro \u00e9 que por causa desse novo tipo de interface, elementos do mundo particularmente animal estariam inseridos no mercado de trabalho, com animais sendo remunerados. A ideia de que o trabalho de um bosque \u00e9 se manter, por ser essencial, e que o trabalho natural dele \u00e9 ser um agente de ecossistema. Por isso, ele seria remunerado e essa remunera\u00e7\u00e3o seria revertida para ele pr\u00f3prio, de forma que ele passaria a ser considerado uma pessoa. Uma terceira possibilidade \u00e9 que a barreira entre vida pessoal e trabalho vai deixar de existir. Momentos como este, que estamos em confinamento, mostram que momentos de trabalho, de vida e de lazer ser\u00e3o os mesmos. Eu iria, por exemplo, n\u00e3o somente transformar meus colegas de trabalho na minha fam\u00edlia estendida, mas o contr\u00e1rio tamb\u00e9m. Ent\u00e3o vai existir a possibilidade de se criarem la\u00e7os familiares formais, mesmo que tempor\u00e1rios, para que essas pessoas trabalhem no ambiente familiar. As pessoas poder\u00e3o casar para fazer um trabalho em uma esp\u00e9cie de jun\u00e7\u00e3o de escrit\u00f3rio e casa para cumprir esse objetivo de projeto. Isso poderia ser desfeito ou reconfigurado depois.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Todos esses cen\u00e1rios possuem implica\u00e7\u00f5es muito profundas, pois criar uma sociedade em que pessoas compartilham e visualizam ideias numa realidade estendida extrema, ou de que a ideia de que animais possuem intelig\u00eancia, compartilhando ideias, \u00e9 muito impactante. A pergunta mais importante, por\u00e9m, \u00e9 sobre como vai ser quando o capital e os meios de produ\u00e7\u00e3o forem completamente intelectuais? O que acontece quando o trabalho e a personalidade for estendida para al\u00e9m dos humanos, quando o ecossistema ganhar status de pessoa ou animais tiverem seu trabalho e sua vida forem remunerado e protegidos? O que acontece quando m\u00e1quinas poderem ter independ\u00eancia e fizerem trabalhos para elas?<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto:<\/b><b><i> H\u00e1 quem imagine super-humanos no futuro por causa dos avan\u00e7os da nanotecnologia e da sa\u00fade. Como fica o conceito de igualdade quando s\u00f3 um grupo tem acesso a esses recursos?<\/i><\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia:<\/b><span style=\"font-weight: 400;\"> A gente j\u00e1 faz isso, somos super-humanos em rela\u00e7\u00e3o aos humanos de 100 anos. J\u00e1 temos ferramentas sociais integradas ou coisas como \u00f3culos, que faz com que eu corrija uma limita\u00e7\u00e3o que eu tenha. Alguns fil\u00f3sofos j\u00e1 dizem que j\u00e1 somos ciborgues. Tem um livro chamado <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Manifesto Ciborgue<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> que argumenta isso, pois a gente j\u00e1 integrou essas ferramentas. O <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">smartphone <\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00e9 uma parte estendida do meu c\u00e9rebro, seja mem\u00f3ria, comunica\u00e7\u00e3o ou sistema de navega\u00e7\u00e3o. Quando sa\u00edmos sem, nos sentimos inseguros e sem dire\u00e7\u00e3o. N\u00e3o tem como marcar algo comigo se voc\u00ea n\u00e3o tem como mandar um <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Whatsapp<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. J\u00e1 integramos essas coisas. H\u00e1 algo mais profundo, como marca-passo e transplante de \u00f3rg\u00e3os: \u201ceu vou receber o rim ou os olhos de uma pessoa que morreu\u201d. Se voc\u00ea dissesse isso h\u00e1 100 anos voc\u00ea iria para a fogueira e, h\u00e1 50 anos, dizer isso seria indecente. Nos tornamos super em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s gera\u00e7\u00f5es anteriores. Podemos at\u00e9 considerar uma <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">uma<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> categoria de humanos, mas que s\u00f3 pode ser identificada em compara\u00e7\u00e3o a uma quantidade de gera\u00e7\u00f5es anteriores.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Por outro lado, uma classe de super-humanos j\u00e1 existe: \u00e9 o 1% mais rico do mundo. N\u00e3o por causa de implantes tecnol\u00f3gicos, mas por causa de concentra\u00e7\u00e3o de renda. Essas pessoas possuem superpoderes, vivendo em outra esfera e outra categoria que n\u00e3o temos acesso, por causa desse implante chamado concentra\u00e7\u00e3o de renda.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Augusto: Como essas tecnologias influenciam o poder?\u00a0<\/b><\/p>\n<p><b>Jacques Barcia: <\/b><span style=\"font-weight: 400;\">A gente t\u00e1 partindo para um momento de automa\u00e7\u00e3o do poder. O poder \u00e9 a capacidade que eu tenho de fazer com que pessoas e organiza\u00e7\u00f5es fa\u00e7am coisas que elas normalmente n\u00e3o fariam. Ou, ao contr\u00e1rio, a capacidade de fazer coisas que eu normalmente n\u00e3o faria, seja facilitando ou impedindo. Esse poder de coer\u00e7\u00e3o estava reservado a pessoas, seja a pol\u00edcia, o governo ou a dire\u00e7\u00e3o de uma organiza\u00e7\u00e3o. Mas, claro, isso poderia acontecer tamb\u00e9m pela confian\u00e7a e autoridade de conhecimento.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O que est\u00e1 acontecendo \u00e9 que estamos conferindo poder aos algoritmos, automatizando e privatizando o poder. A ideia do carro aut\u00f4nomo \u00e9 isso. O sistema legal tem a presun\u00e7\u00e3o da inoc\u00eancia e, mais importante, as pessoas possuem a liberdade para cometer o crime, ainda que voc\u00ea n\u00e3o deva faz\u00ea-lo. E, dependendo da justificativa para cometer o crime, o crime talvez seja plaus\u00edvel e o indiv\u00edduo pode n\u00e3o ser punido. Por exemplo, voc\u00ea n\u00e3o pode roubar, mas se minha fam\u00edlia t\u00e1 com fome e eu roubar, talvez eu n\u00e3o seja punido por ser uma situa\u00e7\u00e3o extrema. Essa possibilidade existe e eu ainda vou ser julgado.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">No carro aut\u00f4nomo isso n\u00e3o acontece. Vamos supor que estou saindo do Recife Antigo para Boa Viagem e sigo pela Via Mangue. A via tem um limite de 60km por hora mas, se eu estivesse com uma urg\u00eancia como algu\u00e9m morrendo em casa, eu iria enfiar o p\u00e9 no acelerador, tomar uma multa e depois argumentar para n\u00e3o ser punido. No carro aut\u00f4nomo isso n\u00e3o acontece. Ele tem, por software, uma limita\u00e7\u00e3o de velocidade de acordo com o GPS. N\u00e3o tem como ele ir mais r\u00e1pido. Voc\u00ea pode, talvez, mandar uma mensagem, esperar ser atendido para contar sua hist\u00f3ria a algu\u00e9m da Uber, que pode ou n\u00e3o se compadecer para liberar a velocidade. Nesse tempo algu\u00e9m pode morrer, pois o limite de velocidade da via passa a estar dentro do carro, n\u00e3o fora dele. O carro passa a ter poder, me fazendo n\u00e3o fazer algo que eu faria. E esse poder n\u00e3o \u00e9 negoci\u00e1vel. Ele poderia ser alterado via protocolo, mas o exerc\u00edcio n\u00e3o pode ser alterado. Ele passa a ser privado e autom\u00e1tico. Automaticamente eu n\u00e3o posso fazer algo que normalmente n\u00e3o faria e ele passa a ser gerido por uma lei privada. As implica\u00e7\u00f5es desse tipo de conceito s\u00e3o bastante s\u00e9rias.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\"><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; disabled_on=&#8221;on|off|off&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;Fabuloso futuro&#8221; header_fullscreen=&#8221;on&#8221; header_scroll_down=&#8221;on&#8221; scroll_down_icon=&#8221;%%7%%&#8221; scroll_down_icon_color=&#8221;#000000&#8243; content_max_width=&#8221;36%&#8221; content_max_width_tablet=&#8221;40%&#8221; content_max_width_phone=&#8221;100%&#8221; content_max_width_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; title_font=&#8221;|700|||||||&#8221; title_text_align=&#8221;left&#8221; title_font_size=&#8221;60px&#8221; background_enable_color=&#8221;off&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Futuro-fabuloso.jpg&#8221; module_alignment=&#8221;left&#8221; custom_margin=&#8221;||||false|false&#8221; custom_padding=&#8221;|||0%|false|false&#8221; title_font_size_tablet=&#8221;50px&#8221; title_font_size_phone=&#8221;30px&#8221; title_font_size_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; custom_css_title=&#8221;background-color:#000;||padding:20px;||margin-top: 38vh;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_fullwidth_header][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; disabled_on=&#8221;off|on|on&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; background_color=&#8221;#e0b917&#8243; locked=&#8221;off&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_blurb title=&#8221;FABULOSO FUTURO&#8221; url=&#8221;@ET-DC@eyJkeW5hbWljIjp0cnVlLCJjb250ZW50IjoicG9zdF9saW5rX3VybF9wYWdlIiwic2V0dGluZ3MiOnsicG9zdF9pZCI6IjYzMSJ9fQ==@&#8221; image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Futuro-fabuloso.jpg&#8221; alt=&#8221;%22Le\u00e3o aut\u00f4mato%22, %22O turco%22 e Deep Blue nascem do mesmo sonho&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; _dynamic_attributes=&#8221;url,link_option_url&#8221; [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/631"}],"collection":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=631"}],"version-history":[{"count":15,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/631\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":820,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/631\/revisions\/820"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=631"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}