{"id":161,"date":"2020-04-17T23:50:15","date_gmt":"2020-04-18T02:50:15","guid":{"rendered":"https:\/\/www.jotabosco.com.br\/unicap\/alunos3\/?page_id=161"},"modified":"2021-05-21T11:28:31","modified_gmt":"2021-05-21T14:28:31","slug":"inteligencia-artificial-e-sociedade","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/inteligencia-artificial-e-sociedade\/","title":{"rendered":"Intelig\u00eancia Artificial e Sociedade"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; disabled_on=&#8221;on|off|off&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;N\u00f3s fazemos parte do futuro?&#8221; header_fullscreen=&#8221;on&#8221; header_scroll_down=&#8221;on&#8221; scroll_down_icon=&#8221;%%7%%&#8221; scroll_down_icon_color=&#8221;#000000&#8243; content_max_width=&#8221;58%&#8221; content_max_width_tablet=&#8221;&#8221; content_max_width_phone=&#8221;100%&#8221; content_max_width_last_edited=&#8221;on|tablet&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; title_font=&#8221;|700|||||||&#8221; title_text_align=&#8221;left&#8221; title_font_size=&#8221;60px&#8221; background_enable_color=&#8221;off&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Revolu\u00e7\u00e3o-Industrial.jpg&#8221; module_alignment=&#8221;right&#8221; custom_margin=&#8221;||||false|false&#8221; custom_padding=&#8221;|||0%|false|false&#8221; title_font_size_tablet=&#8221;50px&#8221; title_font_size_phone=&#8221;30px&#8221; title_font_size_last_edited=&#8221;on|tablet&#8221; custom_css_title=&#8221;background-color:#000;||padding:20px;||margin-top: 38vh;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_fullwidth_header][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; disabled_on=&#8221;off|on|on&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; background_color=&#8221;#ed4c3e&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_blurb title=&#8221;N\u00d3S FAZEMOS PARTE DO FUTURO?&#8221; url=&#8221;@ET-DC@eyJkeW5hbWljIjp0cnVlLCJjb250ZW50IjoicG9zdF9saW5rX3VybF9wYWdlIiwic2V0dGluZ3MiOnsicG9zdF9pZCI6IjYzMSJ9fQ==@&#8221; image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Revolu\u00e7\u00e3o-Industrial.jpg&#8221; alt=&#8221;%22Le\u00e3o aut\u00f4mato%22, %22O turco%22 e Deep Blue nascem do mesmo sonho&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; _dynamic_attributes=&#8221;url,link_option_url&#8221; header_font=&#8221;|800|||||||&#8221; header_text_color=&#8221;#ffffff&#8221; header_font_size=&#8221;26px&#8221; body_text_color=&#8221;#000000&#8243; background_enable_image=&#8221;off&#8221; link_option_url=&#8221;@ET-DC@eyJkeW5hbWljIjp0cnVlLCJjb250ZW50IjoicG9zdF9saW5rX3VybF9wYWdlIiwic2V0dGluZ3MiOnsicG9zdF9pZCI6IjYzMSJ9fQ==@&#8221; custom_css_blurb_title=&#8221;background-color:#000;||padding:10px;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_blurb][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243; custom_padding=&#8221;2px|||||&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; width=&#8221;84.9%&#8221; custom_padding=&#8221;40px|||||&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243; custom_margin=&#8221;|-2px||||&#8221; custom_padding=&#8221;|0px||||&#8221;]<\/p>\n<p><strong>O fim da humanidade est\u00e1 associado a<\/strong><span style=\"font-weight: 400;\"><strong> tecnologias como intelig\u00eancia artificial e rob\u00f3tica h\u00e1 d\u00e9cadas<\/strong>, pelo menos nos campos da literatura e do cinema. Dos exterminadores da Skynet (franquia <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Terminator<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">) \u00e0s m\u00e1quinas escravocratas de <em>Matrix<\/em>, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica j\u00e1 deixou clara a mensagem de que a sociedade contempor\u00e2nea pode criar seu pr\u00f3prio fim <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">ao conceder o dom da intelig\u00eancia a seres inanimados<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">. A realidade, por\u00e9m, mostra o poss\u00edvel fim da sociedade como a conhecemos como resultado de rupturas menos objetivas e mais lentas, com uma substitui\u00e7\u00e3o passiva, planejada e tr\u00e1gica de determinados grupos sociais por m\u00e1quinas, de forma que, pouco a pouco, o pr\u00f3prio lugar do humano no futuro <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">esteja<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> em <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">xeque<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Para autores como <strong>Bill Joy<\/strong>, na verdade, nosso futuro j\u00e1 est\u00e1 condenado e a causa n\u00e3o ser\u00e1 uma tomada de poder pelos rob\u00f4s. O cientista da computa\u00e7\u00e3o, desenvolvedor do Java e co-fundador da Sun Microsystems, ainda em 2000, escreveu um cat\u00e1rtico artigo na <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">edi\u00e7\u00e3o da <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">revista Wired intitulada <\/span><strong><i>Why the future doesn\u2019t need us<\/i><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">na qual<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0explica como os sonhos da rob\u00f3tica ir\u00e3o se transformar em pesadelos, dadas as premissas e objetivos dos detentores de poder e capital para ditar os caminhos nos avan\u00e7os dos campos da Intelig\u00eancia Artificial e da rob\u00f3tica. Todos os perigos apontados por Bill Joy parecem tomar forma nestas primeiras d\u00e9cadas do s\u00e9culo <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">21<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, e se relacionam com a falta de uso das massas trabalhadoras uma vez que elas tenham perdido a fun\u00e7\u00e3o de explora\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\">Joy afirma que, uma vez que as m\u00e1quinas <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">cheguem<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> em um n\u00edvel pleno de execu\u00e7\u00e3o de tarefas com performance melhor que a humana, alguns cen\u00e1rios podem se desenvolver. Cen\u00e1rios esses que haviam sido previstos por <strong>Theodore Kaczynski<\/strong>, terrorista conhecido como <strong>Unabomber<\/strong>, que assassinou tr\u00eas pessoas e feriu diversas outras durante sua campanha de 17 anos contra a tecnologia. <strong>O primeiro prev\u00ea que<\/strong>, por <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">tomarem<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> decis\u00f5es melhores, as m\u00e1quinas <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">ter\u00e3o<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> o poder de funcionar sem a supervis\u00e3o humana, pois as pessoas n\u00e3o mais entender<\/span><span style=\"font-size: 18px;\">iam<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> como essas decis\u00f5es <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">seriam<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> tomadas. Sendo assim, \u00e9 imposs\u00edvel <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">prever o comportamento dessas<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> m\u00e1quinas inteligentes, de forma que nosso destino estaria nas suas m\u00e3os atrav\u00e9s de um processo de depend\u00eancia. Nesse caso, deslig\u00e1-las seria um sin\u00f4nimo de suic\u00eddio, pois a organiza\u00e7\u00e3o social iria colapsar.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\">\u201cPodem argumentar que a ra\u00e7a humana nunca seria tola o suficiente para entregar todo o poder para as m\u00e1quinas. Mas n\u00e3o estamos sugerindo que a ra\u00e7a humana poderia voluntariamente dar o poder para as m\u00e1quinas ou que essas m\u00e1quinas poderiam levantar seu poder propositadamente. O que sugerimos \u00e9 que a ra\u00e7a humana poderia facilmente permitir ser arrastada para uma posi\u00e7\u00e3o de tamanha depend\u00eancia das m\u00e1quinas que n\u00e3o ter\u00edamos outra escolha pr\u00e1tica al\u00e9m de aceitar todas as decis\u00f5es delas. Como sociedade, nossos problemas se tornariam mais e mais complexos, da mesma forma que as m\u00e1quinas se tornariam mais e mais inteligentes, ent\u00e3o pessoas deixariam m\u00e1quinas tomarem ainda mais decis\u00f5es para elas, simplesmente porque decis\u00f5es feitas por m\u00e1quinas trariam melhores resultados que as feitas por homens\u201d, argumenta Bill Joy, que faz quest\u00e3o de afirmar n\u00e3o ser apologista do Unabomber.<\/span><\/p>\n<p><strong>Adriano Pila<\/strong>, mestre e doutor em Ci\u00eancia da Computa\u00e7\u00e3o e Matem\u00e1tica Computacional, explica: &#8220;N\u00f3s seres humanos somos fant\u00e1sticos em termos de racioc\u00ednio, percep\u00e7\u00e3o de imagens, sons, movimento. O mais potente computador n\u00e3o consegue fazer isso. Entretanto, os computadores s\u00e3o excelentes em fazer c\u00e1lculos complexos sequ\u00eanciais. E o que est\u00e1 por tr\u00e1s dessa revolu\u00e7\u00e3o \u00e9 um conjunto de coisas. Primeiro uma quest\u00e3o de conectividade, com muitos dispositivos conectados \u00e0 internet alimentando muitos computadores em nuvem. Isso deve ser multiplicado por 1.000 com o advento do 5G, com conex\u00e3o r\u00e1pida para tudo (seus eletrodom\u00e9sticos, carros, eletr\u00f4nicos) estar ligado \u00e0 nuvem. Na nuvem, est\u00e3o fazendas de computadores recebendo toda essa informa\u00e7\u00e3o. Logo teremos no mercado os computadores qu\u00e2nticos, que devem multiplicar a velocidade atual por 100 milh\u00f5es. Bom, cen\u00e1rio montado. Muitas informa\u00e7\u00f5es, muita conex\u00e3o, muito poder de processamento, muitos algoritmos de intelig\u00eancia artificial conversando entre si nessa infovia. <strong>Digamos que uma bomba de pulsos eletromagn\u00e9ticos fosse detonada sobre os Estados Unidos. Estima-se que isso causaria um apag\u00e3o tecnol\u00f3gico capaz de aniquilar 4 milh\u00f5es de pessoas em poucas semanas<\/strong>, somente por causa da depend\u00eancia tecnol\u00f3gica atual. Bancos sem sistema significa que o cidad\u00e3o n\u00e3o consegue sacar dinheiro. Mercado sem sistema dificilmente consegue vender. Policia sem sistema n\u00e3o consegue monitorar bandidagem e agir etc&#8221;.<span style=\"font-size: 18px;\"><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\"><strong>Um segundo cen\u00e1rio descrito por Kaczynski<\/strong> \u00e9 que o controle humano sobre os sistemas artificiais inteligentes ser\u00e1 mantido. Nesse caso, o controle dessa tecnologia e, consequentemente, da sociedade, estaria nas m\u00e3os de uma pequena elite detentora do capital tecnol\u00f3gico. As massas, que antes sustentavam a pir\u00e2mide da concentra\u00e7\u00e3o de riqueza, se tornariam sup\u00e9rfluas, pois o trabalho humano n\u00e3o seria mais necess\u00e1rio. Se essa elite for impiedosa, <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">como \u00e9 natural de todas as elites na hist\u00f3ria humana<\/span><span style=\"font-size: 18px;\">, ela poderia simplesmente decidir exterminar as demais classes. Se n\u00e3o, investiriam em propaganda e t\u00e9cnicas para reduzir a taxa de natalidade at\u00e9 o ponto de o planeta ser deixado somente para si. Previs\u00f5es apontam, por\u00e9m, que um sistema de intelig\u00eancia artificial capaz de desencadear esses cen\u00e1rios s\u00f3 deve existir em d\u00e9cadas.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\">\u201cHoje a IA dispon\u00edvel \u00e9 a chamada &#8216;IA fraca&#8217; (<\/span><i style=\"font-size: 18px;\">Weak AI<\/i><span style=\"font-size: 18px;\">) ou &#8216;IA estreita&#8217;, n\u00e3o h\u00e1 nenhum ind\u00edcio cient\u00edfico que <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">a IA<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> ir\u00e1 alcan\u00e7ar ou ultrapassar o n\u00edvel de cogni\u00e7\u00e3o dos seres humanos (<\/span><i style=\"font-size: 18px;\">Strong AI<\/i><span style=\"font-size: 18px;\">). Apesar das in\u00fameras especula\u00e7\u00f5es a cerca dessa possibilidade, na minha opini\u00e3o e dos cientistas que acompanho, ela ainda est\u00e1 no campo da fic\u00e7\u00e3o. As pesquisas entre especialistas indicam que essa possibilidade pode se concretizar daqui a um per\u00edodo entre 70 e 100 anos, o que \u00e9 extremamente longo para previs\u00e3o cient\u00edfica e, por isso, se torna fic\u00e7\u00e3o. Parece razo\u00e1vel fazer previs\u00f5es para os pr\u00f3ximos 10 anos, <\/span><span style=\"font-size: 18px;\">e<\/span><span style=\"font-size: 18px;\"> centradas em processos que j\u00e1 est\u00e3o sendo testados em laborat\u00f3rio. Exemplo: a minimiza\u00e7\u00e3o ou elimina\u00e7\u00e3o do vi\u00e9s contido nos dados nos modelos de <\/span><i style=\"font-size: 18px;\">Deep Learning<\/i><span style=\"font-size: 18px;\">\u201d, aponta <strong>Dora Kaufman<\/strong>, soci\u00f3loga e doutora no Programa de Tecnologias de Intelig\u00eancia e Design Digital da PUC-SP. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\">Mesmo assim, sintomas apontados no artigo de Bill Joy j\u00e1 podem ser sentidos contemporaneamente. A hist\u00f3ria mostra, tamb\u00e9m, que o medo da marginaliza\u00e7\u00e3o e exclus\u00e3o da sociedade n\u00e3o \u00e9 exclusivo deste s\u00e9culo<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\"><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text disabled_on=&#8221;on|on|off&#8221; _builder_version=&#8221;4.9.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; background_video_mp4=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2021\/05\/AMICACAO02.mp4&#8243; background_video_width=&#8221;1920&#8243; background_video_height=&#8221;1080&#8243; min_height=&#8221;720px&#8221;][\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/Anjos-ludistas-1.jpg&#8221; title_text=&#8221;Anjos ludistas&#8221; disabled_on=&#8221;off|off|on&#8221; _builder_version=&#8221;4.9.4&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221; hover_enabled=&#8221;0&#8243; sticky_enabled=&#8221;0&#8243;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;]<\/p>\n<p><span>Entre os anos 1811 e 1816 um novo tipo de movimento de trabalhadores industriais tomou a Inglaterra. Chamados de \u201c<strong>ludistas<\/strong>\u201c, esses profissionais foram meros espectadores das primeiras d\u00e9cadas da <strong>primeira <\/strong><\/span><strong><span>R<\/span><span>evolu\u00e7\u00e3o <\/span><span>I<\/span><\/strong><span><strong>ndustrial<\/strong> e, com o crescente deslocamento de postos de trabalho por causa das m\u00e1quinas, eles se organizaram em grupos para lutar contra a crescente automa\u00e7\u00e3o. Sua principal ferramenta de reivindica\u00e7\u00e3o foram a\u00e7\u00f5es diretas que consistiam em invas\u00f5es de f\u00e1bricas e quebra de equipamentos industriais. Esse movimento, que deu \u00e0 luz as primeiras conquistas trabalhistas, n\u00e3o lutava primeiramente contra o desemprego, mas contra a precariza\u00e7\u00e3o imposta pela nova configura\u00e7\u00e3o das f\u00e1bricas. Mais de dois s\u00e9culos depois, novos desafios se imp\u00f5em contra a classe trabalhadora com o avan\u00e7o da Intelig\u00eancia Artificial e da rob\u00f3tica, que anunciam uma poss\u00edvel quarta <\/span><span>R<\/span><span>evolu\u00e7\u00e3o <\/span><span>I<\/span><span>ndustrial. Em ambos tempos hist\u00f3ricos, feridas do capitalismo foram expostas.<\/span><\/p>\n<p><span>Na primeira <\/span><span>R<\/span><span>evolu\u00e7\u00e3o <\/span><span>I<\/span><span>ndustrial, m\u00e1quinas substitu\u00edram artes\u00e3os especializados e deslocaram esses trabalhadores ao posto de simples operadores de m\u00e1quinas, cujo sal\u00e1rio era menor e carga hor\u00e1ria maior. Dessa forma, a explora\u00e7\u00e3o barata permitiu a amplia\u00e7\u00e3o dos lucros que, por sua vez, alimentaram o investimento em novos maquin\u00e1rios. \u00c0s v\u00e9speras da anunciada quarta <\/span><span>R<\/span><span>evolu\u00e7\u00e3o <\/span><span>I<\/span><span>ndustrial, al\u00e9m dos trabalhadores da manufatura, profissionais como agentes de viagem, telefonistas e corretores de im\u00f3veis j\u00e1 est\u00e3o sendo substitu\u00eddos por sistemas digitais inteligentes. Desta vez, os trabalhadores substitu\u00eddos encontram uma alternativa na economia de plataforma, liderada por empresas como Uber, iFood e Rappi. Para esse tipo de organiza\u00e7\u00e3o, pessoas trabalham sem v\u00ednculo empregat\u00edcio e s\u00e3o chamadas de <\/span><span>\u201c<\/span><span>empreendedoras<\/span><span>\u201d<\/span><span>.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243;]<\/p>\n<h1>&#8220;O buraco \u00e9 mais embaixo&#8221;<span style=\"font-size: 18px;\"><strong><\/strong><\/span><\/h1>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><strong>Jacques Barcia<\/strong>, futurista, fundador do Futuring.Today e pesquisador afiliado do <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Institute For The Future<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">, aponta: \u201cJ\u00e1 consideramos desemprego tecnol\u00f3gico como algo que acontece de tempos em tempos depois da Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. Mas a automa\u00e7\u00e3o vem substituindo, agora, al\u00e9m do trabalho f\u00edsico, tamb\u00e9m o intelectual. Ele vem sendo substitu\u00eddo ou mediado por plataformas. A velocidade com que isso acontece tem um impacto muito grande. Coisas como o coronav\u00edrus mostraram que esse buraco \u00e9 muito mais embaixo: muitas coisas m\u00e1quinas n\u00e3o fazem, muitos trabalhos n\u00e3o podem ser substitu\u00eddos nesse curto prazo e as promessas da economia de plataforma est\u00e3o falhando\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como conta o pesquisador, a promessa da economia de plataforma consiste no discurso de que qualquer um pode ter trabalho, pois o trabalhador poderia se conectar a uma plataforma e usar seus recursos para ter renda. \u00c9 o caso de quem tem um carro e roda no Uber, ou quem tem uma moto ou bicicleta e faz compras no Rappi. \u201cA realidade \u00e9 que falta seguran\u00e7a social, o que impede uma economia sustent\u00e1vel. Isso permite que, durante a pandemia, por exemplo, alguns servi\u00e7os continuem funcionando, mas sem <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> seguran\u00e7a social para que o trabalhador seja acobertado. Mas isso vai al\u00e9m da economia de plataforma e <strong>reflete toda a incongru\u00eancia da estrutura econ\u00f4mica dos \u00faltimos 50 anos, que \u00e9 extremamente ligada ao pensamento liberal ou neoliberal<\/strong>, do mercado regulando tudo e a fal\u00e1cia de que se as pessoas fizerem bem seu servi\u00e7o elas ter\u00e3o um futuro. Hoje a gente v\u00ea que n\u00e3o \u00e9 assim, as pessoas precisam de condi\u00e7\u00f5es para operar e se sustentar\u201d, completa Jacques.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\"><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.6.0&#8243; _module_preset=&#8221;default&#8221;]<\/p>\n<p><span><strong>Leonardo Lima<\/strong>, mestre em Design, Antrop\u00f3logo e coordenador do Laborat\u00f3rio de Objetos Urbanos Conectados (LOUCo) do Porto Digital do Recife, prop\u00f5e um contraponto \u00e0s cr\u00edticas: \u201cEnxergo essa quest\u00e3o da economia de plataforma como uma discuss\u00e3o da classe m\u00e9dia. Tem uma galera que melhorou de vida, apesar da explora\u00e7\u00e3o. Mas tem muita gente que n\u00e3o percebe que muitos j\u00e1 viviam explorados desde a realidade anterior. O que acontece \u00e9 que a classe m\u00e9dia t\u00e1 perdendo dinheiro e t\u00e1 ficando furiosa, n\u00e3o reconhecendo que o Uber foi uma melhoria de vida para muitos&#8221;. <\/span><\/p>\n<p><span>Ele prop\u00f5e que imaginemos um trabalhador cuja renda \u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo, em um emprego no qual \u00e9 submetido a ass\u00e9dio e horas extras n\u00e3o remuneradas. &#8220;Imagine que agora ele pode trabalhar para si e, mesmo pagando um carro e rodando pelas mesmas 10h, como no emprego tradicional, ainda consiga tirar mais dinheiro e ter mais qualidade de vida. \u00c9 claro que <\/span><span>ele <\/span><span>vai achar boa essa economia. N\u00f3s, a classe m\u00e9dia, somos quem acha isso terr\u00edvel. Corretamente, consideramos o m\u00ednimo conquistas como f\u00e9rias, jornada de 8h e 13\u00ba sal\u00e1rio, mas gente do mundo todo j\u00e1 vive com bem menos que isso\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Essa migra\u00e7\u00e3o de trabalhadores dos empregos formais para a economia de plataforma seria um dos primeiros sinais da nova onda de desemprego tecnol\u00f3gico, que se iniciou ainda em 2017 e pode retornar em breve. O estudo <\/span><i><span>O Brasil precisa se preparar para a era da intelig\u00eancia artificial?<\/span><\/i><span>, realizado pelo economista brasileiro Jo\u00e3o Moraes Abreu e pela cientista em computa\u00e7\u00e3o russa Katya Klinova, ambos da Harvard Kennedy School, mostra que 44 milh\u00f5es de brasileiros ocupam empregos com alta probabilidade de automa\u00e7\u00e3o nas pr\u00f3ximas d\u00e9cadas. Ou seja, 53% da for\u00e7a de trabalho do <\/span><span>B<\/span><span>rasil est\u00e1 amea\u00e7ada. O n\u00famero \u00e9 alto se comparado com o j\u00e1 alarmante relat\u00f3rio Employment Outlook, feito pela Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE) e publicado em 2019, que mostra 14% da for\u00e7a de trabalho da comunidade internacional amea\u00e7ada pela automa\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_code raw_content_tablet=&#8221;&#8221; raw_content_phone=&#8221;&#8221; raw_content_last_edited=&#8221;on|phone&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; background_color=&#8221;#ecf0f1&#8243; height_tablet=&#8221;400px&#8221; height_phone=&#8221;250px&#8221; height_last_edited=&#8221;on|desktop&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221;]<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/e.infogram.com\/91742816-3eb7-4927-a25f-d09755b5bbf1?src=embed\" title=\"Trabalho e probabilidade de automatiza\u00e7\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"630\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"border:none;\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe>[\/et_pb_code][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.2&#8243; min_height=&#8221;182px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa de Jo\u00e3o e Katya tamb\u00e9m estabelece um comparativo com o mercado de trabalho dos Estados Unidos, no qual estima-se que 47% dos postos de trabalho tem alta chance de serem automatiz\u00e1veis nos pr\u00f3ximos anos. O \u00edndice funciona assim: profiss\u00f5es em alto risco s\u00e3o as que encontram-se com mais de 70% de chances do desenvolvimento de uma tecnologia efetiva que elimine a necessidade de trabalho humano direto. As com m\u00e9dia chance de automa\u00e7\u00e3o est\u00e3o com risco entre 30% e 70%, enquanto as com baixa chance de automa\u00e7\u00e3o t\u00eam um risco calculado em menos de 30%. \u201cOs n\u00fameros, seja para os EUA ou para o Brasil, n\u00e3o indicam qual a chance de a automa\u00e7\u00e3o ocorrer de fato, j\u00e1 que isso depende de fatores econ\u00f4micos como custo de m\u00e3o de obra local. Mas eles indicam a probabilidade de existir capacidade tecnol\u00f3gica nos pr\u00f3ximos anos para desempenhar as atividades de cada ocupa\u00e7\u00e3o sem a interven\u00e7\u00e3o de humanos\u201d, alerta o pesquisador na publica\u00e7\u00e3o, que pode ser encontrada em ingl\u00eas, na \u00edntegra, <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1pyuiMHTXqM72E1MFDn6FndKf0LJlfHA-6MK5sdTgSa0\/edit\">aqui<\/a>.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A pesquisa mostra, ainda, que as atividades com maior risco de serem <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">superadas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> na corrida tecnol\u00f3gica para automa\u00e7\u00e3o s\u00e3o as de motorista (98%) e auxiliar de escrit\u00f3rio (97%). Somadas, as duas classes s\u00e3o respons\u00e1veis por empregar mais de <strong>5,3 milh\u00f5es de brasileiros<\/strong>, de acordo com dados do PNAD divulgados no segundo semestre de 2018.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Nesse sentido, a automa\u00e7\u00e3o pode ser um agente <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">catalisador<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> na j\u00e1 crescente onda de desemprego que assola o Brasil. No pa\u00eds, de acordo com pesquisa do Instituto Brasileiro de <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">G<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">eografia e Estat\u00edstica (IBGE), divulgado em mar\u00e7o, existem atualmente 12,9 milh\u00f5es de desempregados no Brasil, o equivalente a uma taxa de 12,2% de desemprego. Em um cen\u00e1rio de demiss\u00f5es em todos os setores, um dos \u00fanicos que abriram postos de trabalho, de acordo com pesquisa do IBGE de 2019, foi o de <strong>transportes<\/strong>. O saldo positivo foi associado a aplicativos como <strong>Uber e 99<\/strong>. Al\u00e9m dos motoristas, saltou tamb\u00e9m o n\u00famero de motoboys em estados como o Rio de Janeiro. De acordo com a Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), o n\u00famero desses profissionais no estado cresceu, entre 2008 e 2018, 74%, atingindo o n\u00famero de 5.085 trabalhadores.<\/span><\/p>\n<p><span><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_code _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; background_color=&#8221;#ecf0f1&#8243; height_tablet=&#8221;405px&#8221; height_phone=&#8221;250px&#8221; height_last_edited=&#8221;on|desktop&#8221;]<iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/e.infogram.com\/9558ec38-1048-4d6b-840d-82121a86241f?src=embed\" title=\"Trabalhos e chance de automa\u00e7\u00e3o\" width=\"1200\" height=\"600\" scrolling=\"no\" frameborder=\"0\" style=\"border:none;\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe>[\/et_pb_code][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cConforme o Brasil avan\u00e7a em uma crise econ\u00f4mica com desemprego substancial, uma parte significativa da popula\u00e7\u00e3o brasileira procura gerar renda atrav\u00e9s da <\/span><strong><i>gig economy<\/i><\/strong><span style=\"font-weight: 400;\">, como pode ser visto com o <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">boom<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> de trabalhadores nos servi\u00e7os de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">delivery<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> e corridas compartilhadas\u201d, escrevem <strong>Bruno Moreschi<\/strong>, artista visual e coordenador do instituto INOVA USP, e <strong>Gabriel Pereira<\/strong>, PhD em forma\u00e7\u00e3o em Estudos da Informa\u00e7\u00e3o e Design Digital na Universidade de Aarhus (DK), no artigo <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">The Brazilian Workers in Amazon Mechanical Turk \u2013 Dreams and realities of ghost workers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">. Para Jacques Barcia, \u201ca automa\u00e7\u00e3o e a economia de plataforma formam o plano do pr\u00f3ximo est\u00e1gio da economia liberal. \u00c9 desobrigar os detentores de riqueza de prover certas seguran\u00e7as, provendo o intermedi\u00e1rio entre o prestador e o tomador de servi\u00e7o. As implica\u00e7\u00f5es disso j\u00e1 eram bastante claras e <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> Covid-19 mostrou que a gente precisa de um formato mais justo\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como afirmou o economista Jo\u00e3o Moraes de Abreu, o que vai definir se as tecnologias de automa\u00e7\u00e3o ser\u00e3o implementadas ou n\u00e3o ser\u00e3o quesitos como o valor da m\u00e3o de obra. Al\u00e9m disso h\u00e1 a quest\u00e3o do investimento para trocar os humanos por m\u00e1quinas e, tamb\u00e9m, a <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">aceitabilidade<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> do p\u00fablico que ir\u00e1 consumir ou usufruir um produto ou servi\u00e7o feito de forma automatizada. <strong>Esses obst\u00e1culos, por\u00e9m, podem ser revistos com o contexto da pandemia do novo coronav\u00edrus<\/strong> e, consequentemente, da crise econ\u00f4mica que deve se agravar no Brasil por causa da doen\u00e7a e das medidas que o Governo Federal vem tomando para lidar com o v\u00edrus.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O passado d\u00e1 exemplo de que uma crise pode se transformar uma \u201coportunidade\u201d para a automa\u00e7\u00e3o: estudo do McKinsey Global Institute (MGI) mostra que, nos EUA, nos tr\u00eas anos ap\u00f3s a crise de 2008, <strong>44% das firmas s\u00f3 conseguiram reduzir despesas atrav\u00e9s de mecanismos de automa\u00e7\u00e3o<\/strong>. Com o coronav\u00edrus, a hist\u00f3ria pode se repetir de forma mais tr\u00e1gica, com automa\u00e7\u00e3o n\u00e3o somente da linha de produ\u00e7\u00e3o.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cAgora, com o coronav\u00edrus, enxergo as pessoas que tomam essas decis\u00f5es como <strong>cegas para o elemento humano<\/strong>. Nesses momentos, empres\u00e1rios s\u00f3 enxergam oportunidade, como usar o v\u00edrus como desculpa para colocar o carro automatizado e vender essa proposta como uma boa alternativa. Existe o entrave social das pessoas n\u00e3o se sentirem bem ao lidar com rob\u00f4s, mas acho que depois do coronav\u00edrus esse medo pode aliviar e essa automa\u00e7\u00e3o pode ser acelerada. J\u00e1 existe tecnologia para, por exemplo, a MC Donald\u2019s funcionar totalmente automatizada, desde a prepara\u00e7\u00e3o da comida at\u00e9 o atendimento. Basta ver que nas franquias j\u00e1 existem caixas automatizados. O mesmo vale para as empresas de \u00f4nibus, que querem eliminar o cobrador. No <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">drive-thru<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">, j\u00e1 falamos com uma caixa. Vamos notar a substitui\u00e7\u00e3o dessas pessoas? Vale dizer que, na verdade, tratam-se de trabalhadores que j\u00e1 atuam como rob\u00f4s, pois fazem a mesma coisa todo dia. <strong>Vivemos um momento no qual temos que educar as pessoas para que elas se tornem melhores humanos<\/strong>, desenvolvendo habilidades como empatia, colabora\u00e7\u00e3o e intelig\u00eancia emocional. T\u00e9cnica por t\u00e9cnica, como adestramento de humano, n\u00e3o vamos precisar mais. Pois o rob\u00f4 vai fazer mais e melhor, sem f\u00e9rias, pregui\u00e7a ou dribles\u201d, comenta Leonardo Lima.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Como podemos perceber, o processo de demiss\u00f5es e automa\u00e7\u00e3o empurrando mais trabalhadores para a informalidade da <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">gig economy<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> \u00e9 alvo de diversas cr\u00edticas. Nesse sentido, \u00e9 precisa a afirma\u00e7\u00e3o de que a <strong>\u201cautoma\u00e7\u00e3o n\u00e3o substitui o trabalho, ela o desloca\u201d<\/strong>, de Lilly Irani, pesquisadora de pol\u00edticas culturais de alta tecnologia e professora da Universidade de San Diego (US). Resta o questionamento, por\u00e9m, do que acontece quando as pr\u00f3prias empresas que lideram essa economia de plataforma, principal fonte de renda para desempregados, planejam automatizar seus servi\u00e7os. O Uber j\u00e1 est\u00e1 desenvolvendo os carros aut\u00f4nomos, assim como o iFood busca realizar <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">suas<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> entregas atrav\u00e9s de um sistema de drones com navega\u00e7\u00e3o sem pilotos.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Rappi.jpg&#8221; title_text=&#8221;Rappi&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;]<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">\u201cA estrat\u00e9gia expl\u00edcita do Uber \u00e9 ter no futuro uma frota de carros aut\u00f4nomos, existem v\u00e1rios projetos pilotos sendo testados em diferentes partes do mundo. E, sim, os carros aut\u00f4nomos v\u00e3o gerar desemprego em massa, levando em considera\u00e7\u00e3o <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">que<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> hoje s\u00e3o cerca de <strong>100 milh\u00f5es de motoristas de Uber no mundo<\/strong>. O mesmo acontece com rela\u00e7\u00e3o aos <strong>servi\u00e7os de entrega<\/strong>, tamb\u00e9m com tempo contado. J\u00e1 existem v\u00e1rias experi\u00eancias de entrega aut\u00f4noma, inclusive do pr\u00f3prio iFood, veja seu novo rob\u00f4 de entrega nos shoppings que ser\u00e1 estendido para ambientes internos em geral. O movimento de inova\u00e7\u00e3o sempre visa prestar melhores servi\u00e7os, mais r\u00e1pidos e mais baratos, e melhores produtos, com menor custo e personalizados, e as tecnologias de IA reduzem custo e aumentam a efici\u00eancia. Na minha vis\u00e3o, o maior impacto social negativo da IA \u00e9 justamente no mercado de trabalho e a sociedade tem que tomar consci\u00eancia e agir no sentido de minimizar os impactos negativos\u201d, comenta a soci\u00f3loga Dora Kaufman.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">O relat\u00f3rio <em>Employment Outlook<\/em>,\u00a0da OCDE, (o mesmo que aponta 14% dos postos de trabalho com extin\u00e7\u00e3o por automa\u00e7\u00e3o nos pr\u00f3ximos 15 ou 20 anos), tamb\u00e9m visa orientar os pa\u00edses membros da comunidade internacional. \u201cEssas mudan\u00e7as resultam em <strong>ansiedade sobre o futuro<\/strong>. O crescimento da desigualdade de renda e oportunidades, distor\u00e7\u00f5es na concorr\u00eancia transfronteiri\u00e7a, a percep\u00e7\u00e3o de injusti\u00e7a fiscal, o risco de mudan\u00e7a clim\u00e1tica e a desacelera\u00e7\u00e3o da economia s\u00e3o todas causas para preocupa\u00e7\u00e3o. (\u2026) Nesse contexto desafiador, <strong>\u00e9 crucial refor\u00e7ar nossa aten\u00e7\u00e3o nas pessoas e no bem-estar<\/strong>. Na era digital, \u00e9 importante que as pessoas sintam que contar\u00e3o com algum suporte caso elas se percam, e que ser\u00e3o ajudadas na sua busca por novas e melhores oportunidades. O ritmo e <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">a<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> velocidade dessas mudan\u00e7as requerem a\u00e7\u00f5es pol\u00edticas \u00e1geis e decisivas, inspiradas por um novo tipo de crescimento, mais inclusivo e mais sustent\u00e1vel\u201d, alerta a organiza\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica intergovernamental. O que se tem feito, por\u00e9m, n\u00e3o se aproxima dessas orienta\u00e7\u00f5es.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-size: 18px;\">\u201cEstudos mostram que vai haver uma grande substitui\u00e7\u00e3o de m\u00e3o de obra nos pr\u00f3ximos anos por IA, que pode executar tarefas que n\u00e3o exigem um racioc\u00ednio grande ou mesmo apenas analisar dados a partir de uma hierarquia n\u00e3o t\u00e3o r\u00edgida. Ou seja, o que n\u00e3o precisar de um humano vai ser automatizado. Dentro dessa perspectiva, o governo est\u00e1 investindo em <strong>aumentar o horizonte de explora\u00e7\u00e3o,<\/strong> barateando ainda mais a m\u00e3o de obra para evitar a demiss\u00e3o dessas pessoas. Esse trabalhador vai ser ainda mais tratado como uma pe\u00e7a da m\u00e1quina, n\u00e3o como uma pessoa, porque ele \u00e9 mais barato. A Uber usa o humano como um prot\u00f3tipo, pois o objetivo \u00e9 chegar no ponto de automa\u00e7\u00e3o. Eles n\u00e3o querem pagar 70% para uma pessoa rodar. Eles querem ficar com 100% atrav\u00e9s de rob\u00f4, da mesma forma que as outras empresas\u201d, afirma Leonardo Lima.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Trabalhadores \u00f3rf\u00e3os do Uber, iFood e Rappi poderiam, ainda, recorrer ao trabalho de <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">ghost workers<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> para a Amazon. Entenda na mat\u00e9ria <a href=\"https:\/\/www.jotabosco.com.br\/unicap\/alunos3\/inteligencia-artificial-e-arte\/\"><em>Pode a intelig\u00eancia artificial criar arte?<\/em><\/a> quem s\u00e3o esses trabalhadores fantasmas e como, atrav\u00e9s de uma plataforma an\u00f4nima de trabalho digital repetitivo, os chamados <\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">Amazon mechanical turks<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\"> fazem a \u201cm\u00e1gica\u201d mec\u00e2nica da intelig\u00eancia artificial.<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; min_height=&#8221;34px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221;]<\/p>\n<h1>Nem m\u00e1quinas, nem rebanho: UM FUTURO PARA humanos<\/h1>\n<p><span><\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Transformou-se, ou, talvez, perdeu-se pela hist\u00f3ria o significado do termo ludista. Se no s\u00e9culo 19 foi associado aos trabalhadores que quebravam as m\u00e1quinas que iriam substitu\u00ed-los nas f\u00e1bricas (tendo como poss\u00edvel origem o oper\u00e1rio <strong>Ned Ludd<\/strong>, supostamente o primeiro da sua classe a promover a a\u00e7\u00e3o de sabotagem), no s\u00e9culo 20 \u00e9 designado aos conservadores que n\u00e3o aceitam os avan\u00e7os tecnol\u00f3gicos nas mais diversas \u00e1reas. Atualmente, \u00e9 adjetivo depreciador facilmente disparado contra pesquisadores da \u00e1rea da tecnologia e da inova\u00e7\u00e3o que se atrevem a criticar o universo do qual fazem parte.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">Em 1999, por exemplo, o New York Times publicou um coment\u00e1rio de Gregg Easterbrook com o t\u00edtulo <\/span><em><span style=\"font-weight: 400;\">Comida para o<\/span><\/em><span style=\"font-weight: 400;\"><em> futuro<\/em>.<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"><\/span><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0Nele, o colunista afirma que,\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">algum<\/span><span style=\"font-weight: 400;\"> <\/span><span style=\"font-weight: 400;\">dia, arroz ter\u00e1 vitamina A embutida<\/span><i><span style=\"font-weight: 400;\">.<\/span><\/i><span style=\"font-weight: 400;\">\u00a0A publica\u00e7\u00e3o vai de encontro \u00e0s\u00a0<\/span><span style=\"font-weight: 400;\">criticas de ambientalistas como Amory e Hunter Lovins, tachados como ludistas por pedirem precau\u00e7\u00e3o nas pesquisas desenvolvidas somente pelo seu potencial econ\u00f4mico, deixando de lado o fator evolucion\u00e1rio. Isso anos antes de tecnologias como a m\u00e1quina de agrot\u00f3xicos aut\u00f4noma ou o uso de \u00f3culos realidade virtual para acalmar vacas leiteiras enclausuradas em ambientes pequenos.<\/span><\/p>\n<p><span><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/M\u00e1quina-ou-rebanho-.jpg&#8221; title_text=&#8221;M\u00e1quina ou rebanho&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;]<\/p>\n<p><span>Talvez o termo tenha se tornado ofensivo desta forma ao ser associado ao terrorista Unabomber. O caso de Theodore Kaczynski chama aten\u00e7\u00e3o, inclusive, por\u00a0tratar-se de uma pessoa diretamente ligada ao campo da tecnologia. Antes de se tornar recluso e enviar <strong>cartas-bomba<\/strong> para executivos de empresas de alta tecnologia e professores universit\u00e1rios, foi considerado um dos matem\u00e1ticos mais promissores dos EUA nos anos 60. Tinha forma\u00e7\u00e3o em Harvard, doutorado em Michigan e chegou a lecionar em Berkeley. Com a popularidade do terrorista e do termo, poucos cr\u00edticos ao processo da tecnologia escapam deste adjetivo.<\/span><\/p>\n<p><span>Bill Joy, apesar de ter ajudado diretamente no desenvolvimento da linguagem Java e ser co-fundador da Sun Microsystems, temeu ser chamado de ludista pelas preocupa\u00e7\u00f5es sobre o futuro escritas no seu artigo. Al\u00e9m de fomentar o desenvolvimento tecnol\u00f3gico, <strong>o cientista n\u00e3o criticou diretamente a tecnologia, mas o porqu\u00ea e como ela est\u00e1 sendo desenvolvida e aplicada na sociedade<\/strong>. Seu discurso segue a mesma linha dos pensamentos de Jacques Barcia e Leonardo Lima, entrevistados pela reportagem, que alimentam um ambiente tecnol\u00f3gico criativo com iniciativas no Recife.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cAs empresas tentam vender a automa\u00e7\u00e3o como uma boa. E \u00e9 positivo, mas o problema \u00e9 o capitalismo, que n\u00e3o permite as pessoas usufru\u00edrem\u00a0dos bens automatizados. Ningu\u00e9m deve trabalhar quebrando pedra ou varrendo rua, pois rob\u00f4s podem e devem fazer isso. Vai desempregar a galera? Vai, mas por isso temos que trabalhar a tecnologia com o avan\u00e7o social. Vamos chegar ao ponto de 50% de desemprego, pois o empres\u00e1rio est\u00e1 apaixonado pela tecnologia e vai aceler\u00e1-la nesse ponto. Eles v\u00e3o fazer e v\u00e3o dizer que \u00e9 a melhor coisa do mundo. Se o Jeff Bezos puder, por exemplo, botar rob\u00f4s para trabalhar para ele, voc\u00ea acha que ele n\u00e3o vai? Claro que vai, e sem a menor pena. Por isso temos que entender a tecnologia como algo que deve andar de m\u00e3os dadas com as pessoas e com a sociedade\u201d, argumenta Leonardo Lima, coordenador do LOUCo.<\/span><\/p>\n<p><span>Para Jacques Barcia, a narrativa de automa\u00e7\u00e3o tem dois lados, e ambos utilizam o mesmo argumento. Ele explica que uma delas \u00e9 a ut\u00f3pica, que segue o primeiro sonho da rob\u00f3tica descrito por Bill Joy no artigo da Wired, no qual as m\u00e1quinas v\u00e3o fazer com que o trabalho humano n\u00e3o seja mais necess\u00e1rio em um futuro de abund\u00e2ncia<\/span><span>, no qual<\/span><span> e a riqueza ser\u00e1 compartilhada. As pessoas ir\u00e3o apenas usufruir desses bens. A vis\u00e3o dist\u00f3pica usa o mesmo argumento, s\u00f3 que coloca o trabalho como obsoleto no sentido de ningu\u00e9m ter emprego. Para o futurista, o futuro vai ser uma mistura dos dois. Essa for\u00e7a de trabalho pode n\u00e3o ser recondicionada, mas certas produ\u00e7\u00f5es v\u00e3o ser condicionadas \u00e0 gratuidade ou com tend\u00eancia <\/span><span>\u00e0<\/span><span> a zero.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>\u201c<strong>Acho que seria mais interessante pensar, por exemplo, sobre quando seres humanos e m\u00e1quinas estiverem trabalhando juntos.<\/strong> Que tipos de habilidades os humanos precisam para ver a m\u00e1quina n\u00e3o como ferramenta, mas como colega? E que c\u00f3digos precisamos desenvolver para elas lidarem com nossas emo\u00e7\u00f5es? Ou como desenvolvemos um sistema social menos vulner\u00e1vel a rupturas dram\u00e1ticas, para que pessoas n\u00e3o dependam do seu trabalho para viver, como \u00e9 hoje. Ent\u00e3o, podemos pensar em formas para que momentos de \u00f3cio sejam mais comuns, fazendo com que elas n\u00e3o dependam do seu trabalho. N\u00e3o gosto da ideia de renda b\u00e1sica universal por ela ser uma ferramenta de manuten\u00e7\u00e3o de <\/span><i>status quo<\/i><span>, no qual o estado recolhe o dinheiro e distribui para pessoas consumirem de organiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 uma ferramenta para manter o sistema e sua l\u00f3gica de produ\u00e7\u00e3o de bens e servi\u00e7os, venda e consumo. Tem um conceito que eu acho mais legal: o de recursos b\u00e1sicos universais. Ao inv\u00e9s de dar dinheiro, dar recursos como \u00e1gua, sa\u00fade, energia e internet. Recursos para pessoas fazerem coisas e viverem, n\u00e3o recursos financeiros para consumirem e manterem a m\u00e1quina girando\u201d, explica Jacques.<\/span><\/p>\n<p><span><\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Invas\u00e3o-de-Charlie2.jpg&#8221; title_text=&#8221;Invas\u00e3o de Charlie2&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;]<\/p>\n<p><span>Uma das iniciativas que buscam aliar a tecnologia \u00e0 sociedade \u00e9 o <strong>Laborat\u00f3rio de Objetos Urbanos Conectados (LOUCo)<\/strong>, coordenado por Leonardo. Trata-se de um espa\u00e7o criado pelo Porto Digital do Recife para que pessoas possam produzir inova\u00e7\u00f5es e solu\u00e7\u00f5es para a sociedade. L\u00e1, o designer trabalha o conceito de inova\u00e7\u00e3o de forma pr\u00f3xima a sua no\u00e7\u00e3o de progresso, que \u201c\u00e9 tudo aquilo que diminui o poder do ser humano sobre o outro\u201d. O laborat\u00f3rio foi criado originalmente voltado para o <em>software<\/em>, mas a necessidade de <em>hardware<\/em> surgiu com as demandas da pr\u00f3pria cidade, como Internet das coisas e cidades inteligentes. Dessa forma, pessoas se re\u00fanem no espa\u00e7o, debatem projetos e usam suas ferramentas com valor subsidiado.<\/span><\/p>\n<p><span>O coordenador explica que trata-se de \u201cum espa\u00e7o para orientar pessoas na prototipa\u00e7\u00e3o de produtos, ensin\u00e1-las a usar ferramentas, espalhar conhecimento e desmistificar essas novas tecnologias como impressora 3D. Atuamos como um agregador, no microcosmo somos uma <strong>plataforma que agrega pessoas a partir dos seus interesses para que surjam empresas e inova\u00e7\u00f5es<\/strong>. Penso que se \u00e9 inovador pelo que voc\u00ea entrega, n\u00e3o pela forma. Eu sou da \u00e1rea de <\/span><span>C<\/span><span>i\u00eancias <\/span><span>S<\/span><span>ociais, sou muito apegado aos conceitos. Trabalhamos esses conceitos para que eles sejam algo al\u00e9m do processo da ferramenta. \u00c9 importante pensar no problema antes, estamos num mercado muito saturado de tecnologia\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Questionado se h\u00e1 sa\u00eddas para conciliar a tecnologia de automa\u00e7\u00e3o com o avan\u00e7o social, o antrop\u00f3logo comenta: \u201cTecnologias como o Uber s\u00e3o resultado de anos de pesquisa, que envolvem diversas pessoas, desde os programadores aos encarregados de servirem o caf\u00e9. \u00c9 justo que somente uma empresa seja dona desse neg\u00f3cio? Na minha vis\u00e3o, isso deveria ser <strong>patrim\u00f4nio da humanidade<\/strong>, pois foi a humanidade que gerou. Al\u00e9m disso, temos que ser cuidadosos ao analisar essas ferramentas. Ao mesmo tempo que o Whatsapp chega para democratizar a comunica\u00e7\u00e3o com o aux\u00edlio de \u00e1udios, por exemplo, ele tamb\u00e9m alimenta uma falsa inclus\u00e3o digital. Dizem que 94% das pessoas com smartphone tem acesso \u00e0 internet, mas n\u00e3o \u00e9 assim, pois cart\u00e3o pr\u00e9 pago s\u00f3 d\u00e1 acesso \u00e0s redes sociais. Ent\u00e3o a galera recebe uma <\/span><i>fake news<\/i><span> mas n\u00e3o pode acessar a internet para conferir\u201d.<\/span><\/p>\n<p><span>Dessa forma, o problema da tecnologia \u00e9, na verdade, o problema de um sistema marcado por incongru\u00eancias. Leonardo cita o exemplo da falta de l\u00f3gica da ind\u00fastria automobil\u00edstica. Nela, os carros j\u00e1 s\u00e3o feitos de maneira quase aut\u00f4noma e cont\u00ednua, de forma a lotar cada vez mais p\u00e1tios conforme as vendas caem. Para o mestre em Design, a fabrica\u00e7\u00e3o deveria funcionar em um esquema de produ\u00e7\u00e3o de um estoque menor, que seria reposto conforme as vendas. Esse formato n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel, por\u00e9m, porque a l\u00f3gica ainda \u00e9 de produ\u00e7\u00e3o industrial para gerar demanda.<\/span><\/p>\n<p><span>\u201cTemos que <strong>libertar o humano do trabalho repetitivo<\/strong>, robotizado. Se tiv\u00e9ssemos feito isso, estar\u00edamos em outro mundo agora. A vis\u00e3o do capitalismo de que sem sal\u00e1rio n\u00e3o tem trabalho \u00e9 absurda. Vemos isso nessa pandemia. Quem \u00e9 m\u00fasico t\u00e1 fazendo m\u00fasica, quem \u00e9 pintor est\u00e1 pintando. Quem est\u00e1 perdido \u00e9 quem n\u00e3o teve essa instru\u00e7\u00e3o. Imagine esse mundo com rob\u00f4s aut\u00f4nomos produzindo os bens, de forma que isso permita <\/span><span>\u00e0s<\/span><span> pessoas trabalharem em rede para resolver problemas que a humanidade criou, como limpeza oce\u00e2nica. Ningu\u00e9m vai querer parar parar de trabalhar. Gostamos de resolver padr\u00f5es e resolu\u00e7\u00f5es de problemas, a gente se satisfaz com isso\u201d, afirma.<\/span><\/p>\n<p><span>Assim como Jacques, o antrop\u00f3logo enxerga um futuro com dois cen\u00e1rios, um ut\u00f3pico e o outro tr\u00e1gico. No primeiro, algo acontece e a renda dos 1% mais ricos \u00e9 dividida e terminamos com a tecnologia <\/span><span>sendo<\/span><span> usada para fins de isonomia, trazendo melhores condi\u00e7\u00f5es de sa\u00fade, bem estar e conviv\u00eancia para toda a sociedade. \u201cO outro cen\u00e1rio seria o da exacerba\u00e7\u00e3o da desigualdade, no qual a riqueza continua se concentrando e surgem novos mito do Pel\u00e9, afirmando que todos podem ascender socialmente, seguindo o mito do <\/span><i>american dream<\/i><span>, traduzido atualmente no \u2018startupeiro\u2019. Acho que <strong>dever\u00edamos nos preocupar em startups para trazer impactos reais<\/strong>, que n\u00e3o v\u00e3o ficar milion\u00e1rias, mas que podem oferecer melhores condi\u00e7\u00f5es para os trabalhadores. Ao inv\u00e9s de unic\u00f3rnios, essas startups deveriam ser baratas, diferentes dessas velhas corpora\u00e7\u00f5es\u2026 <strong>\u00c9 isso ou a sociedade vai ser uma classe ilhada, como nesses condom\u00ednios de luxo, e o resto passando necessidade<\/strong>. Acho que j\u00e1 estamos assim. Ou isso vai se exacerbar ou quebramos esse padr\u00e3o de apropria\u00e7\u00e3o de conhecimento cient\u00edfico para o privado. Isso deveria ser da humanidade\u201d, finaliza o antrop\u00f3logo.<\/span><\/p>\n<p><span>Bruno Moreschi, artista visual <a href=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/inteligencia-artificial-e-arte\/\">entrevistado para a investiga\u00e7\u00e3o do impacto da IA na arte<\/a>, afirma que dever\u00edamos usar a linguagem art\u00edstica para discutir as influ\u00eancias dessas tecnologias na nossa sociedade e na nossa vida. De fato, <strong>\u00e9 papel da arte servir como lente pela qual a vida e nossa realidade \u00e9 representada de forma mais sens\u00edvel<\/strong>, oferecendo novas vis\u00f5es sobre nossos problemas e solu\u00e7\u00f5es, sobre as fraquezas e for\u00e7as do humano.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span>Em tempo, podemos lembrar que uma das primeiras obras cinematogr\u00e1ficas a traduzir o sentimento de cr\u00edtica a esse sistema capitalista foi longa <em>Tempos modernos<\/em> (1936), de <strong>Charles Chaplin<\/strong>, que exp\u00f5e a desumaniza\u00e7\u00e3o durante a primeira Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. At\u00e9 a contemporaneidade, imagens do seu personagem nocauteado e preso entre as engrenagens de um sistema industrial bruto ecoam n\u00e3o s\u00f3 na s\u00e9tima arte, mas tamb\u00e9m na internet e redes sociais. Por\u00e9m, um de seus discursos mais tocantes com rela\u00e7\u00e3o \u00e0s transforma\u00e7\u00f5es da humanidade foi durante <\/span><i>O grande ditador<\/i><span> (1940), no qual o cineasta quebra a quarta parede e faz um discurso que traduz <strong>o sentimento de uma gera\u00e7\u00e3o incerta sobre o futuro<\/strong>:<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_testimonial author=&#8221;Charles Chaplin&#8221; job_title=&#8221;Ator e diretor&#8221; company_name=&#8221;em O grande ditador (1940)&#8221; portrait_url=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/charlie-chaplin-obit-dead.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;]<\/p>\n<p><span>Neste mundo h\u00e1 espa\u00e7o para todos. A terra, que \u00e9 boa e rica, pode prover as necessidades de todos. O nosso modo de vida pode ser livre e belo, mas nos perdemos. A gan\u00e2ncia envenenou os homens. Criamos a \u00e9poca da velocidade, mas nos enclausuramos nela. A m\u00e1quina que produz abund\u00e2ncia tem-nos deixado em pen\u00faria. Nosso conhecimento nos deixou <\/span><span>c\u00ednicos<\/span><span>, nossa intelig\u00eancia nos fez \u00e1speros e cru\u00e9is. Pensamos demais e sentimos de menos. Precisamos de humanidade mais que de m\u00e1quinas. Mais que esperteza, precisamos de gentileza. Sem essas virtudes, a vida ser\u00e1 violenta e tudo estar\u00e1 perdido. O r\u00e1dio e o avi\u00e3o nos aproximaram, e a natureza dessas inven\u00e7\u00f5es clama para a bondade do homem. (\u2026) N\u00e3o vos entregueis a estes humanos n\u00e3o naturais, estes homens-m\u00e1quina, com mentalidades-m\u00e1quina e cora\u00e7\u00f5es-m\u00e1quina. Voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o m\u00e1quinas, voc\u00eas n\u00e3o s\u00e3o rebanho, voc\u00eas s\u00e3o homens. O povo tem o poder, o poder de criar m\u00e1quinas e o poder de criar felicidade, o poder de tornar a vida livre e bela<\/span><\/p>\n<p>[\/et_pb_testimonial][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; disabled_on=&#8221;on|off|off&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_fullwidth_header title=&#8221;N\u00f3s fazemos parte do futuro?&#8221; header_fullscreen=&#8221;on&#8221; header_scroll_down=&#8221;on&#8221; scroll_down_icon=&#8221;%%7%%&#8221; scroll_down_icon_color=&#8221;#000000&#8243; content_max_width=&#8221;58%&#8221; content_max_width_tablet=&#8221;&#8221; content_max_width_phone=&#8221;100%&#8221; content_max_width_last_edited=&#8221;on|tablet&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; title_font=&#8221;|700|||||||&#8221; title_text_align=&#8221;left&#8221; title_font_size=&#8221;60px&#8221; background_enable_color=&#8221;off&#8221; background_image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Revolu\u00e7\u00e3o-Industrial.jpg&#8221; module_alignment=&#8221;right&#8221; custom_margin=&#8221;||||false|false&#8221; custom_padding=&#8221;|||0%|false|false&#8221; title_font_size_tablet=&#8221;50px&#8221; title_font_size_phone=&#8221;30px&#8221; title_font_size_last_edited=&#8221;on|tablet&#8221; custom_css_title=&#8221;background-color:#000;||padding:20px;||margin-top: 38vh;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_fullwidth_header][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; disabled_on=&#8221;off|on|on&#8221; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243; background_color=&#8221;#ed4c3e&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][et_pb_row _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;4.4.8&#8243;][et_pb_blurb title=&#8221;N\u00d3S FAZEMOS PARTE DO FUTURO?&#8221; url=&#8221;@ET-DC@eyJkeW5hbWljIjp0cnVlLCJjb250ZW50IjoicG9zdF9saW5rX3VybF9wYWdlIiwic2V0dGluZ3MiOnsicG9zdF9pZCI6IjYzMSJ9fQ==@&#8221; image=&#8221;https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-content\/uploads\/2020\/06\/Revolu\u00e7\u00e3o-Industrial.jpg&#8221; alt=&#8221;%22Le\u00e3o aut\u00f4mato%22, %22O turco%22 e Deep Blue [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":""},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/161"}],"collection":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=161"}],"version-history":[{"count":29,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/161\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":869,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/161\/revisions\/869"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/inteligenciaartificial\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=161"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}