{"id":951,"date":"2016-04-06T14:02:10","date_gmt":"2016-04-06T17:02:10","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/?p=951"},"modified":"2022-06-07T20:53:55","modified_gmt":"2022-06-07T23:53:55","slug":"o-surgimento-de-times-femininos-em-pernambuco-nos-anos-1980","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/o-surgimento-de-times-femininos-em-pernambuco-nos-anos-1980\/","title":{"rendered":"O SURGIMENTO DE TIMES FEMININOS<br>EM PERNAMBUCO NOS ANOS 1980"},"content":{"rendered":"\n<p>Com a revoga\u00e7\u00e3o do decreto <a href=\"https:\/\/docs.google.com\/document\/d\/1LCAAuAjfPVPHjuVkBEgbCin7PkQwDC8iwu09siBmVXY\/edit?usp=sharing\">que proibia a pr\u00e1tica do futebol feminino<\/a>, Pernambuco tamb\u00e9m ganhou adeptas. Ao analisar as edi\u00e7\u00f5es do <em>Diario de Pernambuco<\/em> da d\u00e9cada de 1980, nomes como o <a href=\"http:\/\/memoria.bn.br\/docreader\/029033_16\/4983\">Coisinhas do Pai<\/a> e as Panteras passam a ser frequentemente mencionados pelo jornal. \u00c9 interessante citar que esse jornal refor\u00e7ava o desenvolvimento da categoria em suas mat\u00e9rias.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 12 de fevereiro de 1980, o <em>DP<\/em> publica uma mat\u00e9ria com a seguinte manchete: <a href=\"http:\/\/memoria.bn.br\/docreader\/DocReader.aspx?bib=029033_16&amp;pagfis=2416\">Futebol feminino em Pernambuco pretende durar e ter sucesso<\/a>. O texto refere-se a uma entrevista concedida pela idealizadora do Coisinhas do Pai, at\u00e9 ent\u00e3o considerado primeiro time de futebol de mulheres em Pernambuco, Maria do Carmo Correia da N\u00f3brega. Confirmado por Maria do Carmo, o time fundado por ela foi criado no bairro de Boa Viagem, assim como o clube As Panteras. A fundadora do Coisinhas do Pai, na \u00e9poca com 18 anos, nasceu no bairro de \u00c1gua Fria, na Zona Norte do Recife, e relatou ser torcedora do Sport.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEst\u00e1vamos assistindo a um jogo na \u00e1rea de lazer do Pina, onde os rapazes jogavam vestidos de mulher. Eu e algumas amigas. Uns colegas foram logo insinuando que a gente devia tamb\u00e9m jogar futebol. A ideia pegou. Reuni as meninas e disse que toparia lev\u00e1-la \u00e0 frente. Arrumamos v\u00e1rias adeptas, todas amigas, mo\u00e7as l\u00e1 do Pina. Eu e Norminha (capit\u00e3 de outra equipe) formamos dois times e come\u00e7amos a treinar na praia. De in\u00edcio, uma empolga\u00e7\u00e3o. Depois, o pessoal foi tomando consci\u00eancia da coisa\u201d, afirma Maria do Carmo.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Semelhante aos problemas atuais, a falta de di\u00e1logo entre federa\u00e7\u00f5es, clubes e jogadoras impedia o progessivo desenvolvimento da categoria. Como comentado anteriormente, a tentativa de cercear as atividades futebol\u00edsticas das mulheres culminou no enfraquecimento da modalidade.&nbsp;&nbsp;<br>Na mesma entrevista concedida ao <em>Diario<\/em>, na edi\u00e7\u00e3o publicada no dia 12 de fevereiro de 1980, na p\u00e1gina 20 do caderno de Esportes, Maria do Carmo Correia da N\u00f3brega, do Coisinhas do Pai, narra um caso de censura por parte da Federa\u00e7\u00e3o Pernambucana de Futebol, quando a FPF tenta impedir a disputa entre elas e As Panteras, em um jogo preliminar \u00e0 partida do Sport contra a sele\u00e7\u00e3o da Rom\u00eania, que marcaria o retorno dos jogos na Ilha do Retiro:<\/p>\n\n\n\n<blockquote class=\"wp-block-quote is-layout-flow wp-block-quote-is-layout-flow\"><p>\u201cO incentivo com o futebol feminino vem sendo muito grande. Os moradores do Pina, parentes e amigos, os moradores ajudam no treinamento, ensinando os dribles e passes etc.&nbsp; Para a surpresa nossa, a dificuldade \u00e9 com a&nbsp; Federa\u00e7\u00e3o. N\u00e3o sei por que isso aconteceu. Soubemos atrav\u00e9s dos jornais, no dia seguinte, que a FPF n\u00e3o queria que o jogo fosse realizado. Queremos deixar bem claro que n\u00e3o estamos jogando para angariar pr\u00eamios e sim para motivar a participar do esporte das multid\u00f5es, um incentivo a mais para o futebol brasileiro.\u201d<\/p><\/blockquote>\n\n\n\n<p>A edi\u00e7\u00e3o do dia 1\u00ba de mar\u00e7o, noticia a procura dos organizadores da Liga Campinense de Esportes, da cidade de Campina Grande, Para\u00edba, pela participa\u00e7\u00e3o dos times recifenses Coisinha do Pai e As Panteras, para a participa\u00e7\u00e3o nos jogos do campeonato. Antes da partida interestadual, o Coisinhas do Pai enfrenta as Arapiracas \u2013 time formado no Cabo de Santo Agostinho \u2013, no dia 30 de mar\u00e7o de 1980.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na reportagem do <em>DP<\/em>, o coment\u00e1rio: \u201cIsso \u00e9 uma prova de que o futebol feminino n\u00e3o vai parar, muito pelo contr\u00e1rio, sua tend\u00eancia \u00e9 caminhar em frente depois daquele sucesso de que se revestiu sua primeira exibi\u00e7\u00e3o na Ilha do Retiro, quando um bom p\u00fablico teve a oportunidade de assistir aos verdadeiros pendores das garotas na arte de manejar o bal\u00e3o de couro, coisa at\u00e9 ent\u00e3o desconhecida e que se constitu\u00eda num privil\u00e9gio dos homens\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Fofoletes<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>O ano de 1980 tamb\u00e9m foi destaque para o Sport Clube do Recife, que estreou o seu time feminino, as Fofoletes, no dia 13 de maio, quando jogaram com outra equipe feminina tamb\u00e9m formada por atletas do clube. A disputa entre Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o e Fofoletes foi o aquecimento para o jogo do dia 15 de maio, data do primeiro confronto feminino do cl\u00e1ssico dos cl\u00e1ssicos, entre as Timbusitas (N\u00e1utico) e as Fofoletes (Sport). A partida das mulheres tamb\u00e9m antecedeu o jogo da equipe masculina.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignwide size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"680\" height=\"360\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pernambuco.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18300\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pernambuco.jpg 680w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/06\/pernambuco-480x254.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 680px, 100vw\" \/><figcaption>Time feminino do Sport \u00e9 fundado em 1980, com uma equipe dirigida pelo clube e outra pela torcida Bafo de Le\u00e3o.<br>Foto: Narciso Lins | Acervo Museu da Cidade do Recife<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p>Em junho de 1980, o Coisinha do Pai estabeleceu o regulamento disciplinar interno. Este seria um dos primeiros passos em busca de uma profissionaliza\u00e7\u00e3o da categoria em Pernambuco. Entre as determina\u00e7\u00f5es, estavam a proibi\u00e7\u00e3o de ingerir bebidas alco\u00f3licas em dias de treino, jogos ou excurs\u00f5es, bem como a proibi\u00e7\u00e3o do uso do cigarro durante os exerc\u00edcios. Para as atletas, tamb\u00e9m era determinado comunicar ao massagista, preparador f\u00edsico ou t\u00e9cnico qualquer contus\u00e3o, ferimento ou problema f\u00edsico. Outro ponto que chama a aten\u00e7\u00e3o \u00e9 o primor pelo comprometimento das jogadoras. O regulamento tamb\u00e9m estabelecia que, nos casos de indisciplina, ferindo o regulamento, haveria pena de advert\u00eancia, para o primeiro caso; na reincid\u00eancia, suspens\u00e3o; e expuls\u00e3o, no terceiro caso.<\/p>\n\n\n\n<p>O futebol de mulheres em Pernambuco, na d\u00e9cada de 1980, passou a ser regionalizado e divulgado pelos pr\u00f3prios clubes. Ainda remetendo ao Sport, durante a celebra\u00e7\u00e3o dos seus 75 anos, o clube organizou uma caravana que levou as jogadoras do Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o para realizar uma partida que antecedeu o jogo do time principal contra o Central, em Caruaru. Este seria o primeiro jogo feminino na cidade do Agreste.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar do comprometimento das jogadoras, a situa\u00e7\u00e3o das atletas n\u00e3o era diferente da hist\u00f3ria contada por n\u00f3s at\u00e9 hoje. Para realizar o sonho de jogar futebol, as mulheres dividiam o tempo com outras atividades, como estudo ou trabalho. O time Coisinhas do Pai precisou diminuir os dias de treinamento, passando de dois para um \u00fanico momento, aos domingos.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/memoria.bn.br\/docreader\/029033_16\/4390&amp;sa=D&amp;source=editors&amp;ust=1654138832215149&amp;usg=AOvVaw0dTyR-tcxjWLrWKvkUGQvk\">Maria do Carmo<\/a>&nbsp;tamb\u00e9m detalhou que, ap\u00f3s sete meses de cria\u00e7\u00e3o, o time havia jogado nove vezes, perdendo apenas uma partida contra As Panteras, que foi&nbsp;extinto&nbsp;pouco tempo depois. Contudo, o cen\u00e1rio estadual n\u00e3o impediu que novas equipes fossem firmadas, muitas delas no interior do Estado. Essas equipes raramente eram mencionadas pela m\u00eddia local.<\/p>\n\n\n\n<p>O Coisinha&nbsp;do Pai difere de outros times da \u00e9poca. Empresariada por um ga\u00facho, Gilberto Ara\u00fajo, a equipe ficou conhecida nacionalmente, e buscou competi\u00e7\u00f5es de alto n\u00edvel, com times femininos tradicionais do Sul e Sudeste do pa\u00eds. Gilberto chegou a mencionar a cria\u00e7\u00e3o de uma sede para o time. Entre os problemas enfrentados pela equipe estava, mais uma vez, o acordo financeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cTrabalhamos com patrocinadores e n\u00e3o realizamos jogos por dinheiro porque, conforme a lei, j\u00e1 que somos amadores, n\u00e3o podemos receber. O que realmente pretendemos \u00e9 conseguir mais jogos, para um maior interc\u00e2mbio do futebol feminino\u201d, afirmou Ara\u00fajo ao&nbsp;<em>DP<\/em>, no dia 13 de julho de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>O treinador do Coisinhas do Pai, Mois\u00e9s Correa Neto, tamb\u00e9m defendeu o desenvolvimento da categoria abertamente em suas declara\u00e7\u00f5es para o&nbsp;<em>Diario de Pernambuco<\/em>, e citou a dificuldade de encontrar outras equipes de mulheres no Estado.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cN\u00e3o entendo por que tanta dificuldade em encontrarmos, aqui, times de futebol feminino. Nos Estados Unidos, por exemplo, existem mais de trezentos times de futebol feminino. [&#8230;] E afinal, o futebol nem \u00e9 um esporte bruto e nem perigoso. Quando todos os times ficarem num esquema de trabalho s\u00f3lido, faremos a profissionaliza\u00e7\u00e3o do futebol feminino. Antigamente faz\u00edamos &nbsp;uma esp\u00e9cie de show no intervalo dos jogos de futebol profissional, mas suspendi tudo porque queremos participa\u00e7\u00f5es reais, como nas preliminares. N\u00e3o quero o \u2018Coisinha do Pai\u2019 como uma simples distra\u00e7\u00e3o para os intervalos\u201d, afirmou&nbsp;o t\u00e9cnico.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Congresso de Futebol Feminino<\/h4>\n\n\n\n<p>\u00c0 frente de mais uma movimenta\u00e7\u00e3o para regularizar o futebol feminino em Pernambuco, o time Coisinha do Pai liderou, atrav\u00e9s de Maria do Carmo e da secret\u00e1ria-executiva, Ivani Barbosa da Silva, uma comiss\u00e3o para organizar o I Congresso de Futebol Feminino do Brasil, de acordo com o&nbsp;<em>Diario,<\/em>&nbsp;mantendo contato com autoridades e entidades esportivas, com o objetivo de adquirir apoio para a categoria. As conversas aconteceram, inicialmente, com a Prefeitura do Recife e com a presid\u00eancia do extinto Banco do Estado de Pernambuco (Bandepe). O evento aconteceu no Centro de Conven\u00e7\u00f5es de Pernambuco, durante os dias 15 e 16 de dezembro de 1980.<\/p>\n\n\n\n<p>O Congresso tinha como meta a organiza\u00e7\u00e3o de uma estrutura administrativa e funcional para o futebol feminino local, al\u00e9m de discutir a portaria que proibia a pr\u00e1tica do desporto para as mulheres, e buscar o estabelecimento de crit\u00e9rios para a pr\u00e1tica do futebol feminino. O encontro tamb\u00e9m pretendia formar uma entidade que congregasse, legalmente, todas as equipes, sendo assim, a cria\u00e7\u00e3o de uma federa\u00e7\u00e3o voltada para o futebol de mulheres.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cJ\u00e1 existem mais de 25 equipes femininas praticando o futebol em nosso Estado, isso sem falar naquelas do interior que n\u00e3o conhecemos. &nbsp;Mas, por incr\u00edvel que pare\u00e7a, a pr\u00e1tica do futebol feminino ainda \u00e9 uma coisa clandestina, ilegal, tendo em vista uma portaria que pro\u00edbe essa atividade para mulheres\u201d, refor\u00e7a Maria do Carmo, fundadora do Coisinha do Pai.<\/p>\n\n\n\n<p>As organizadoras tamb\u00e9m pretendiam formalizar e criar o primeiro Campeonato de Futebol Feminino de Pernambuco, a exemplo do que j\u00e1 acontecia na categoria masculina.<\/p>\n\n\n\n<p>Na tentativa de obter recursos para a realiza\u00e7\u00e3o do evento, o Coisinhas do Pai divulgou uma carta aberta na edi\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>DP<\/em>,&nbsp;publicado no dia 24 de outubro de 1980:<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNosso time foi fundado em 01.01.1980, tendo participado de v\u00e1rias partidas de futebol com a seguinte denomina\u00e7\u00e3o \u2018Coisinha do Pai\u2019. Por\u00e9m, at\u00e9 a presente data, o \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela legaliza\u00e7\u00e3o de time de futebol, aqui em Pernambuco, n\u00e3o apresentou uma solu\u00e7\u00e3o para times femininos amadores ou profissionais. Assim sendo, a finalidade do Coisinha do Pai \u00e9 justamente participar de um congresso a ser realizado no Centro de Conven\u00e7\u00f5es, nesta cidade, no per\u00edodo de 15 a 20.12.80, onde ser\u00e3o debatidos e reivindicados os nossos direitos de legaliza\u00e7\u00e3o, mas para isso necessitamos de colabora\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>O encontro teve grande repercuss\u00e3o, atraindo a aten\u00e7\u00e3o de treinadores de futebol profissional, t\u00e9cnicos amadores, dirigentes de agremia\u00e7\u00f5es, advogados, m\u00e9dicos, psic\u00f3logos, soci\u00f3logos, al\u00e9m de presidentes de agremia\u00e7\u00f5es femininas do Norte e Nordeste e at\u00e9 mesmo especialistas em ginecologia.&nbsp;<a href=\"https:\/\/www.google.com\/url?q=http:\/\/memoria.bn.br\/DocReader\/029033_16\/19370&amp;sa=D&amp;source=editors&amp;ust=1654138832218421&amp;usg=AOvVaw11X3pc8aEdIt3BOjodHUnk\">Marco Maciel, governador do Estado, e Gustavo Krause, prefeito do Recife, tamb\u00e9m informaram que estariam presentes no Congresso.<\/a>&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ao todo, esperava-se mais de dez agremia\u00e7\u00f5es femininas criadas em Pernambuco. Entre os times locais, confirmaram presen\u00e7a o Coisinhas do Pai, Divinas e Maravilhosas, Realce, Timbuzetes e Garotas do Parque. Como noticiou o&nbsp;<em>DP<\/em>, na \u00e9poca em que o evento foi realizado, 25 equipes de futebol feminino existiam no Estado, sendo 15 delas localizadas no Recife.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da ampla divulga\u00e7\u00e3o e da promessa de participa\u00e7\u00e3o dos mais de trinta congressistas no evento, na manh\u00e3 do dia 16 de dezembro apenas dez pessoas compareceram ao local. N\u00e3o houve representa\u00e7\u00e3o do Governo do Estado e nem da Prefeitura do Recife, que tamb\u00e9m n\u00e3o comunicaram o motivo da aus\u00eancia e tampouco enviaram representantes.<\/p>\n\n\n\n<p>Entre os poucos presentes, o advogado, &nbsp;conselheiro do Santa Cruz e membro do Tribunal de Justi\u00e7a Desportiva da Federa\u00e7\u00e3o Pernambucana de Futebol, Gil Teobaldo, se disponibilizou para defender&nbsp;as atletas&nbsp;durante o processo de luta pela legaliza\u00e7\u00e3o da categoria.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s o t\u00e9rmino do lac\u00f4nico congresso, Maria do Carmo criticou abertamente o Sport Clube do Recife e afirmou que time \u201cusa as equipes femininas, se promove e n\u00e3o d\u00e1 apoio. Pelo contr\u00e1rio: quando surge &nbsp;qualquer coisa, diz que a equipe \u00e9 da torcida e invade o campo. Est\u00e1 provado que levamos o maior p\u00fablico aos est\u00e1dios e que ajudamos no desenvolvimento do futebol. Mas o Sport s\u00f3 quer promo\u00e7\u00e3o. Mesmo negativa. Agora mesmo estou falando dele. Mesmo ruim, \u00e9 promo\u00e7\u00e3o\u201d, afirmou a presidente e fundadora do Coisinha do Pai.<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\">Impedimento pelo Conselho Nacional de Desportos<\/h4>\n\n\n\n<p>Mesmo ap\u00f3s o decreto que proibia a atua\u00e7\u00e3o do futebol feminino ser revogado, o impedimento ainda seguia em alguns estados do Brasil. Pernambuco foi um deles. No dia 21 de outubro de 1980, o Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o, time feminino do Sport, organizado pela torcida Bafo do Le\u00e3o, informou que recebeu um comunicado do Conselho Nacional de Desportos (CND). De acordo com o presidente Jos\u00e9 Tavares de Moura, um of\u00edcio foi enviado ao clube alegando que a equipe estava realizando amistosos com entrada paga, na \u00e9poca, proibido.<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO time n\u00e3o \u00e9 dirigido pelo nosso clube e, sim, pela torcida. N\u00e3o joga os 90 minutos regularmente e, sim, nos intervalos dos jogos oficiais ou amistosos. Nunca se apresentou exigindo dinheiro. A CBF est\u00e1 querendo que seja extinto o futebol feminino e vamos consultar o nosso Departamento Jur\u00eddico para saber que provid\u00eancias devemos tomar\u201d, afirmou,&nbsp;\u00e0 \u00e9poca, &nbsp;Jos\u00e9 Tavares de Moura, presidente do Sport Clube do Recife.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a promessa de acionar o jur\u00eddico, Tavares convocou uma reuni\u00e3o com a torcida Bafo do Le\u00e3o no dia seguinte para discutirem o ocorrido. De acordo com a edi\u00e7\u00e3o do&nbsp;<em>Diario de Pernambuco<\/em>&nbsp;do dia, o CND enviou of\u00edcios \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Pernambucana de Futebol para proibir a atua\u00e7\u00e3o das jogadoras em Pernambuco. Com isso, o Primeiro Campeonato de Futebol Feminino, organizado pela Prefeitura do Recife, seria suspenso, voltando a ser realizado apenas no dia 7 de fevereiro de 1981. A equipe vencedora da competi\u00e7\u00e3o foi a Cora\u00e7\u00e3o de Le\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da suspens\u00e3o tempor\u00e1ria do torneio, a fundadora e presidente do Coisinha do Pai, Maria do Carmo, manteve o di\u00e1logo entre as entidades esportivas regionais. No dia 12 de novembro de 1980, a Federa\u00e7\u00e3o Pernambucana de Desportos Amadores anunciou o seu apoio \u00e0 categoria na luta pela legaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com a revoga\u00e7\u00e3o do decreto que proibia a pr\u00e1tica do futebol feminino, Pernambuco tamb\u00e9m ganhou adeptas. 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