{"id":950,"date":"2016-04-06T14:02:02","date_gmt":"2016-04-06T17:02:02","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/?p=950"},"modified":"2022-06-07T20:55:48","modified_gmt":"2022-06-07T23:55:48","slug":"carta","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/carta\/","title":{"rendered":"CARTAS DE AMOR AO FUTEBOL"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400;\">O futebol foi a primeira paix\u00e3o que dividi com o meu irm\u00e3o, quando eu tinha quatro anos e ele, seis. Vivemos em uma fam\u00edlia apaixonada por esportes, dos menos conhecidos aos mais populares. Mas foi Jo\u00e3o o respons\u00e1vel pelo primeiro contato que tive com a bola e os primeiros ensinamentos, antes mesmo de compartilharmos o mesmo time na escola (e na vida, com o Sport Club do Recife).&nbsp;<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400;\">A gente trocou chuteiras e camisas. N\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos tanto em comum, mas eu queria copiar tudo aquilo que voc\u00ea fazia, em qualquer esporte que voc\u00ea estivesse. Era pura admira\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o.&nbsp;<\/span><\/p>\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-id=\"1982\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1982\" width=\"350\" height=\"515\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto1.png 391w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto1-204x300.png 204w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><figcaption>                                                               <\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"383\" height=\"577\" data-id=\"1984\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto2-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1984\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto2-1.png 383w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto2-1-199x300.png 199w\" sizes=\"auto, (max-width: 383px) 100vw, 383px\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Em casa a gente fazia bagun\u00e7a. Jog\u00e1vamos futebol no terra\u00e7o todos os dias depois do jantar, at\u00e9 que, em uma das nossas partidas mais acirradas, acertamos o jogo de copos de cristal de vov\u00f3. O nosso est\u00e1dio caseiro foi interditado eternamente.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mas isso n\u00e3o bastou, porque n\u00f3s j\u00e1 divid\u00edamos o time \u2013 inteiramente masculino \u2013 no col\u00e9gio. Lembra do professor Tiago? A gente adorava ele, acho que foi o primeiro treinador que tivemos (ou ser\u00e1 que foi Bruno?). Lembro que todos os gols que fiz eu dediquei a mainha, que nos assistia da arquibancada, vibrante e com l\u00e1grimas nos olhos, quase sempre. Era uma das poucas m\u00e3es que acompanhavam a rotina dos filhos no futebol, principalmente quando eram dois, entre eles, uma menina.&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"813\" height=\"572\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-1985\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto4.png 813w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/foto4-480x338.png 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 813px, 100vw\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p>A idade foi passando e eu n\u00e3o pude mais participar do mesmo time que voc\u00ea. J\u00e1 n\u00e3o era mais seguro, aos 12 anos, dividir a quadra com os meninos.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o foi o fim da nossa dupla, j\u00e1 que at\u00e9 hoje jogamos juntos nos encontros da fam\u00edlia. Mas eu precisei encontrar um novo espa\u00e7o para ocupar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mainha me levou at\u00e9 o Sport para tentar uma vaga naquela peneira \u2013 bem rasa, por sinal. \u00c9ramos tantas e as vagas eram quase inexistentes. Sonh\u00e1vamos em nos tornar jogadoras profissionais, mas os espa\u00e7os para meninas jogarem futebol no Recife eram escassos, como ainda hoje s\u00e3o. Tive que esperar.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Aos 13, parada depois de um ano sem disputar campeonatos escolares e nem mesmo participar de treinos, veio a esperan\u00e7a: um time s\u00f3 de meninas, no col\u00e9gio. Foi melhor que um sonho.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Lembro do quanto eu me esfor\u00e7ava para estar l\u00e1 na quadra do Salesiano durante a tarde, duas vezes por semana. Era um time incr\u00edvel. Dudinha, Juliana, Katherin, Kallyne, Raphaella e tantas outras que dividiram a quadra Dom Bosco sob a batuta do nosso treinador e amigo Gileno Siqueira.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>E assim fomos disputar o t\u00e3o amado Nordest\u00e3o Salesiano, no qual conquistamos o segundo lugar. Voltamos com a medalha de prata e com um novo desafio: formar uma nova equipe, j\u00e1 que a maioria do grupo estava concluindo o Ensino M\u00e9dio.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Assim fizemos. Eu permaneci na equipe com Katherin, que me ajudou a chamar outras amigas, como Maria, Fl\u00e1via, Thamara e sua irm\u00e3, Rayane. Disputamos novamente o Nordest\u00e3o Salesiano e, naquele ano, eu fui escolhida para ser a capit\u00e3 do time. Foi linda a nossa dedica\u00e7\u00e3o. Voltamos para casa, mais uma vez, com a medalha de prata.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" data-id=\"1986\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nordestao-2013-2.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1986\" width=\"370\" height=\"278\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"960\" height=\"720\" data-id=\"1987\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nordestao-2013-13.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1987\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nordestao-2013-13.jpg 960w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/nordestao-2013-13-480x360.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 960px, 100vw\" \/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Aquele foi o \u00faltimo campeonato que disputei, j\u00e1 que o time feminino se desfez. Passei anos distante da modalidade, mas eu continuava inspirada, assistindo todos aqueles jogos com Marta, Formiga e Cristiane. Acompanhava a conterr\u00e2nea B\u00e1rbara e sua atua\u00e7\u00e3o na sele\u00e7\u00e3o. O esporte nunca me abandonou, mesmo eu o tendo perdido de vista.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O destino e o futebol n\u00e3o se cruzam por acaso e eu precisava reencontrar esse caminho. Da mesma forma que \u201cescolhi\u201d cursar Jornalismo \u2013 por uma sugest\u00e3o de mainha \u2013, a minha \u00faltima participa\u00e7\u00e3o na universidade n\u00e3o poderia ser finalizada sem falar sobre um dos cap\u00edtulos mais importantes da minha vida. E \u00e9 por isso que eu concluo este texto deixando uma frase que a minha m\u00e3e, Ana L\u00facia, me falou quando eu ainda escolhia o tema deste trabalho: \u201cVoc\u00ea deve uma mat\u00e9ria ao futebol feminino e esse \u00e9 o seu legado para a categoria\u201d. Aqui, fora das quadras e dos textos, eu sigo torcendo nos est\u00e1dios. Obrigada, fam\u00edlia. Obrigada, futebol. Voc\u00eas me trouxeram at\u00e9 aqui!&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Lembran\u00e7as do tempo de crian\u00e7a nas quadras :)\" width=\"1080\" height=\"608\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/6HBQdjZKQDA?feature=oembed\"  allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O futebol foi a primeira paix\u00e3o que dividi com o meu irm\u00e3o, quando eu tinha quatro anos e ele, seis. Vivemos em uma fam\u00edlia apaixonada por esportes, dos menos conhecidos aos mais populares. Mas foi Jo\u00e3o o respons\u00e1vel pelo primeiro contato que tive com a bola e os primeiros ensinamentos, antes mesmo de compartilharmos o [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":914,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[76],"tags":[],"class_list":["post-950","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cartas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/950","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=950"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/950\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18373,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/950\/revisions\/18373"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/media\/914"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=950"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=950"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=950"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}