{"id":943,"date":"2016-04-06T14:00:42","date_gmt":"2016-04-06T17:00:42","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/?p=943"},"modified":"2022-06-07T21:04:39","modified_gmt":"2022-06-08T00:04:39","slug":"o-apito-tambem-e-das-mulheres","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/o-apito-tambem-e-das-mulheres\/","title":{"rendered":"O APITO TAMB\u00c9M \u00c9 DAS MULHERES"},"content":{"rendered":"<p>No dia 23 de dezembro de 1982, a Comiss\u00e3o Brasileira de Arbitragem (Cobraf) anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um quadro feminino de arbitragem, sob a perspectiva de regulamenta\u00e7\u00e3o do futebol de mulheres no Brasil.<\/p>\n<p>\u201cVejo com simpatia a ideia. Nada mais justo do que mulheres dirigindo jogos de futebol feminino. Al\u00e9m do mais, seria outra conquista na luta das mulheres por sua emancipa\u00e7\u00e3o e igualdade com os homens. Participariam de uma atividade que, at\u00e9 agora, \u00e9 destinada exclusivamente ao sexo masculino\u201d, afirmou o diretor da Cobraf, \u00c1ulio Nazareno.<\/p>\n<p>Apesar da regulamenta\u00e7\u00e3o do futebol feminino ainda restrita, a Associa\u00e7\u00e3o Profissional de \u00c1rbitros de Futebol Profissional (APAFP) anunciou, em abril de 1983, a cria\u00e7\u00e3o de um curso para forma\u00e7\u00e3o de ju\u00edzes atrav\u00e9s das associa\u00e7\u00f5es filiadas nos estados, permitindo, assim, a participa\u00e7\u00e3o de mulheres na profiss\u00e3o. As aulas seriam ministradas por outros \u00e1rbitros e por professores de Educa\u00e7\u00e3o F\u00edsica. Para participar do curso, era exigido segundo grau completo.<\/p>\n<p>A iniciativa para cria\u00e7\u00e3o do curso teria partido do ent\u00e3o presidente e vice-presidente da APAFP, Arnaldo Cesar Coelho e Valquir Pimentel; Leonel Pandolfo, da Associa\u00e7\u00e3o de \u00c1rbitros do Rio Grande do Sul; al\u00e9m de Gilson Cordeiro e In\u00e1cio Gon\u00e7alves, representando Pernambuco; e Tito Rodrigues, do Paran\u00e1.<\/p>\n<p>A ideia n\u00e3o foi simp\u00e1tica ao presidente da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol, Jo\u00e3o Havelange, que teve a sua rela\u00e7\u00e3o com a modalidade feminina marcada pela contradi\u00e7\u00e3o. Havelange sentenciou de imediato que &#8220;enquanto eu for presidente da CBD, mulher n\u00e3o joga e nem apita futebol&#8221;.<\/p>\n<p>O enredo sobre a hist\u00f3ria das mulheres na arbitragem poderia ser definido pelo posicionamento de Havelange e consolidado pela ditadura militar, ainda vigente no Brasil naquela d\u00e9cada. No entanto, essa narrativa cruzou o caminho da mineira <a href=\"https:\/\/artsandculture.google.com\/story\/DAUxB6lADPSFKw?hl=pt-BR\">Asal\u00e9a de Campos Fornero Medina<\/a>. L\u00e9a Campos, como era conhecida, tornou-se a primeira \u00e1rbitra mulher de futebol profissional do Brasil.<\/p>\n<p>Antes mesmo da Cobraf anunciar a cria\u00e7\u00e3o de um quadro feminino de arbitragem, L\u00e9a j\u00e1 havia se dedicado \u00e0 profiss\u00e3o. Em 1967, a mineira estudou por oito meses na escola de \u00e1rbitros da Federa\u00e7\u00e3o Mineira de Futebol. Apesar da conclus\u00e3o do curso, L\u00e9a teve o seu diploma bloqueado pela ent\u00e3o Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Desportos (CBD), o que a impedia de exercer a profiss\u00e3o.<\/p>\n<p>O veto durou at\u00e9 a chegada de um convite da Fifa para atuar como ju\u00edza na II Copa do Mundo de Futebol Feminina, que seria realizada no mesmo ano, no M\u00e9xico. Com a participa\u00e7\u00e3o em concursos de beleza de Minas Gerais, L\u00e9a foi consagrada Rainha do Ex\u00e9rcito. Atrav\u00e9s da conquista, a mineira conseguiu uma breve conversa com Em\u00edlio Garrastazu M\u00e9dici, <a href=\"https:\/\/www.bbc.com\/portuguese\/geral-60092018\">onde pediu ao ent\u00e3o presidente que redigisse uma carta<\/a> para Havelange liberando a sua atua\u00e7\u00e3o durante as partidas de futebol. M\u00e9dici prontamente atendeu o pedido de L\u00e9a, e enviou a correspond\u00eancia para Jo\u00e3o Havelange que, na \u00e9poca, estava \u00e0 frente da CBD.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-9d6595d7 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:33.33%\">\n<div class=\"wp-block-image is-style-default\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"200\" height=\"304\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/MF0000008682i-1.jpg\" alt=\"Centro de Mem\u00f3ria do Esporte da EEF-UFRGS | Acervo Museu do Futebol\u00a0\" class=\"wp-image-1978\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/MF0000008682i-1.jpg 200w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/MF0000008682i-1-197x300.jpg 197w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><figcaption>L\u00e9a Campos, primeira \u00e1rbitra mulher de futebol profissional do Brasil. Foto: Centro de Mem\u00f3ria do Esporte da EEF-UFRGS<\/figcaption><\/figure><\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:66.66%\">\n<p>Ao receber a carta de M\u00e9dici, Jo\u00e3o Havelange convocou uma coletiva de imprensa, para anunciar \u2013 mesmo \u00e0 contragosto \u2013 que &#8220;sai a primeira mulher \u00e1rbitra (brasileira) de futebol profissional para todo o mundo futebol\u00edstico&#8221;. Atrav\u00e9s de toda a sua luta e resist\u00eancia em um esporte machista e repressor, L\u00e9a entrou para a hist\u00f3ria como pioneira entre as \u00e1rbitras.<\/p>\n\n\n\n<p>Outra conquista importante para a categoria no Brasil foi a participa\u00e7\u00e3o da brasileira<a href=\"https:\/\/museudofutebol.org.br\/crfb\/personalidades\/618471\/\"> Cl\u00e1udia Vasconcelos Guedes<\/a>, que integrou a<a href=\"https:\/\/museudofutebol.org.br\/crfb\/acervo\/619415\/\"> primeira equipe de arbitragem da FIFA<\/a> inteiramente composta por mulheres. O feito aconteceu em 1971, na primeira Copa do Mundo Feminina, na China. Junto a Cl\u00e1udia estavam Linda Black, da Nova Zel\u00e2ndia, e a chinesa Zuo Xiudi.<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Pioneirismo em Pernambuco<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p>Falando em pioneirismo, Pernambuco tamb\u00e9m teve um nome importante na hist\u00f3ria da arbitragem brasileira: Maria Edilene Siqueira. Edilene tornou-se uma das primeiras mulheres a atuar como bandeirinha no futebol de \u201celite\u201d e a primeira a apitar um jogo profissional de atua\u00e7\u00e3o masculina.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia 8 de novembro de 1992, a \u00e1rbitra<a href=\"http:\/\/blogs.diariodepernambuco.com.br\/esportes\/2017\/03\/23\/uma-arbitra-no-comando-do-classicos-das-multidoes-25-anos-longos-depois\/\"> foi selecionada para apitar um jogo entre Sport e Santa Cruz<\/a>. Foi o primeiro cl\u00e1ssico, em Pernambuco, comandado por uma mulher. Contudo, um dos momentos mais marcantes na carreira de Edilene n\u00e3o aconteceu na sua terra natal. Em 1993, ela foi bandeirinha na partida entre Cruzeiro e Corinthians, no Pacaembu. O jogo era decisivo no Campeonato Brasileiro e Edilene foi uma das protagonistas. A partida estava empatada, quando Rivaldo, livre da marca\u00e7\u00e3o, recebeu a bola e fez o gol respons\u00e1vel pela vit\u00f3ria do Corinthians. O time do Cruzeiro achou que o lance estava impedido \u2013 mesmo as imagens da televis\u00e3o mostrando o contr\u00e1rio \u2013 e partiu para cima de Edilene, <a href=\"https:\/\/www.uol.com.br\/esporte\/futebol\/ultimas-noticias\/2016\/11\/25\/pioneira-do-apito-arbitra-foi-xingada-de-rapariga-e-levou-chute-em-campo.htm\">que levou um chute nas pernas do jogador Nonato.<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>A sua resist\u00eancia no gramado a levou ao comando de dois mundiais femininos, realizados em 1995 e 1999.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image alignfull size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"590\" height=\"337\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Maria-Edilene-Arquivo-DP.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-1977\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Maria-Edilene-Arquivo-DP.jpg 590w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2016\/04\/Maria-Edilene-Arquivo-DP-480x274.jpg 480w\" sizes=\"auto, (min-width: 0px) and (max-width: 480px) 480px, (min-width: 481px) 590px, 100vw\" \/><figcaption>Maria Edilene Siqueira, uma das primeiras mulheres a atuar como bandeirinha no futebol de \u201celite\u201d e a primeira a apitar um jogo profissional de atua\u00e7\u00e3o masculina. Foto: Arquivo DP<\/figcaption><\/figure>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<h4 class=\"wp-block-heading\"><strong>Conhe\u00e7a a hist\u00f3ria de outras \u00e1rbitras na hist\u00f3ria do futebol de mulheres:<\/strong><\/h4>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.folhape.com.br\/esportes\/e-um-sonho-diz-a-brasileira-edina-alves-primeira-arbitra-em-um\/167871\/\">Edina Alves<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"http:\/\/www.joaoalberto.com\/2017\/11\/11\/o-arbitro-da-fifa-que-mais-atuou-em-2017-e-mulher-e-recifense-conheca-deborah-cecilia\/\">Deborah Cecilia<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No dia 23 de dezembro de 1982, a Comiss\u00e3o Brasileira de Arbitragem (Cobraf) anunciou a cria\u00e7\u00e3o de um quadro feminino de arbitragem, sob a perspectiva de regulamenta\u00e7\u00e3o do futebol de mulheres no Brasil<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1977,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-943","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/943","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=943"}],"version-history":[{"count":16,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/943\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18378,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/943\/revisions\/18378"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/media\/1977"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=943"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=943"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=943"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}