{"id":18217,"date":"2022-05-31T22:02:20","date_gmt":"2022-06-01T01:02:20","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/?p=18217"},"modified":"2022-06-01T18:49:56","modified_gmt":"2022-06-01T21:49:56","slug":"apos-pressao-das-jogadoras-legalizacao-do-futebol-feminino-e-formalizada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/apos-pressao-das-jogadoras-legalizacao-do-futebol-feminino-e-formalizada\/","title":{"rendered":"AP\u00d3S PRESS\u00c3O DAS JOGADORAS, LEGALIZA\u00c7\u00c3O DO FUTEBOL FEMININO \u00c9 FORMALIZADA"},"content":{"rendered":"\n<div class=\"wp-block-image\"><figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"350\" height=\"262\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/liberacao.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-18219\" srcset=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/liberacao.jpg 350w, https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-content\/uploads\/2022\/05\/liberacao-300x225.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 350px) 100vw, 350px\" \/><\/figure><\/div>\n\n\n\n<p>Em agosto de 1981, o dirigente Ab\u00edlio de Almeida confirmou que a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (FIFA), sob o comando do presidente Jo\u00e3o Havelange, <a href=\"http:\/\/memoria.bn.br\/DocReader\/029033_16\/31933\">realizaria o campeonato mundial de futebol feminino.&nbsp;<\/a><\/p>\n\n\n\n<p>Embora o \u00e2nimo despertado pelo esporte tenha se difundido em todo o mundo, o futebol no Brasil ainda era proibido para as mulheres e continuava cercado de preconceitos. Contudo, a aceita\u00e7\u00e3o do p\u00fablico e das atletas na Europa foi significativa, atraindo aten\u00e7\u00e3o dos empres\u00e1rios. Com o movimento e a press\u00e3o das jogadoras para a regulamenta\u00e7\u00e3o da categoria, a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (Fifa) mostrou os primeiros movimentos para a organiza\u00e7\u00e3o da competi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Com o posicionamento da Fifa, em outubro de 1981 o dirigente do Conselho Nacional de Desportos (CND), Henri Aidar, afirmou que, se a Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol (CBF) resolvesse pela libera\u00e7\u00e3o do futebol de mulheres, o CND apreciaria a pr\u00e1tica \u201cbaseado em estudos de integrantes de entidades m\u00e9dicas e de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica\u201d.&nbsp; Mais uma vez, a participa\u00e7\u00e3o das mulheres no esporte ainda passaria por novas avalia\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>Durante a passagem pelo Brasil, em 21 de novembro de 1981, o presidente da Fifa, Jo\u00e3o Havelange, revelou a inten\u00e7\u00e3o de que dentro de dois anos o Campeonato Mundial de Futebol Feminino seria promovido, reconhecendo a pr\u00e1tica do esporte por mulheres. A competi\u00e7\u00e3o seria formada pela disputa de oito equipes convidadas pela Federa\u00e7\u00e3o.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Al\u00e9m da competi\u00e7\u00e3o feminina, a entidade pretendia introduzir o Campeonato Mundial Infanto-Juvenil e o Campeonato Mundial de Futebol de Sal\u00e3o, completando, ao todo, seis eventos dirigidos pela corpora\u00e7\u00e3o, entre Copa do Mundo, Campeonato Mundial de Juvenis e Jogos Ol\u00edmpicos, na modalidade futebol.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar de nenhuma movimenta\u00e7\u00e3o concreta no Brasil para legalizar o futebol feminino, em&nbsp; 30 de julho de 1982, o assessor jur\u00eddico do CND, Carlos Os\u00f3rio de Almeida, comunicou que \u201ca ado\u00e7\u00e3o do futebol feminino no Brasil dependeria muito mais da Fifa do que da pr\u00f3pria Confedera\u00e7\u00e3o Brasileira de Futebol pois, na hora que a Fifa fizer as regras e criar um Campeonato de Futebol Feminino, a entidade nacional poder\u00e1 participar\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>J\u00e1 no dia 24 de agosto de 1982, a Comiss\u00e3o Especial da Fifa passou a coordenar as leis a serem aplicadas no futebol feminino, entre elas o di\u00e2metro, peso e tipo da bola; tempo de dura\u00e7\u00e3o da partida, \u00e1rbitro e as leis pr\u00f3prias do jogo.&nbsp;&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>O in\u00edcio das regulamenta\u00e7\u00f5es n\u00e3o impediram que os organizadores ainda expusessem o pensamento de inferioridade das mulheres quanto \u00e0 pr\u00e1tica do futebol. Como afirmou o assessor jur\u00eddico do CND, Carlos Os\u00f3rio de Almeida: \u201cDo ponto de vista m\u00e9dico pode haver necessidade das regras serem diferentes, tendo em conta que h\u00e1 a considerar a condi\u00e7\u00e3o morfo-fisiol\u00f3gica da mulher. A bola pode ser muito pesada, chegando a machucar. Os juvenis jogam dois tempos de 40 minutos. Entre homens adultos, dois per\u00edodos de 45. No futebol feminino n\u00e3o deve ser igual\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s a declara\u00e7\u00e3o, o assessor jur\u00eddico do CND referiu-se \u00e0 afirma\u00e7\u00e3o acima como \u201capenas an\u00e1lises gen\u00e9ricas e n\u00e3o espec\u00edficas, e que \u00e9 perfeitamente aceit\u00e1vel a realiza\u00e7\u00e3o de experi\u00eancias para a regulamenta\u00e7\u00e3o, com o consequente estabelecimento do conjunto de normas, permitindo assim a sua libera\u00e7\u00e3o no Brasil\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Com a regulamenta\u00e7\u00e3o do futebol feminino por parte da Federa\u00e7\u00e3o, a CBF deveria ainda enviar um of\u00edcio para o CND informando que a categoria poderia ser disputada no pa\u00eds, em acordo com as regras fixadas internacionalmente pela Fifa.<\/p>\n\n\n\n<p>Caminhando na dire\u00e7\u00e3o oposta \u00e0 Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol, o presidente do Conselho Nacional de Desportos, Cesar Montagna, afirmou que, mesmo com a regulamenta\u00e7\u00e3o do futebol feminino, a categoria n\u00e3o deveria realizar os jogos em campos oficiais. Segundo Montagna, a CBF voltou a recomendar aos clubes e federa\u00e7\u00f5es que n\u00e3o promovessem jogos entre equipes femininas at\u00e9 que a modalidade fosse oficializada.<\/p>\n\n\n\n<p>A tentativa de enfraquecer a pr\u00e1tica do futebol feminino persistiu no Brasil. De acordo com mat\u00e9ria publicada no dia 1\u00ba de outubro de 1982 pelo <em>Diario de Pernambuco<\/em>, o general Cesar Montagna refor\u00e7ou que o futebol de mulheres ainda estava proibido no Brasil e alertou que, caso a ordem fosse descumprida, poderia haver puni\u00e7\u00f5es aos promotores dessas partidas.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A proibi\u00e7\u00e3o foi corroborada com mais uma declara\u00e7\u00e3o de Montagna, garantindo que, apesar de uma exig\u00eancia dos desportistas de Bras\u00edlia para que uma Federa\u00e7\u00e3o de Futebol Feminino fosse criada, o CND n\u00e3o permitiria a cria\u00e7\u00e3o de uma entidade que tratasse exclusivamente do futebol feminino em qualquer lugar do pa\u00eds. \u201cO futebol feminino ter\u00e1 que passar por um est\u00e1gio de desenvolvimento como aconteceu com o masculino, at\u00e9 adquirir as condi\u00e7\u00f5es de ser profissionalizado\u201d, salientou Cesar Montagna.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c9 importante comentar que, como apresentado neste site, o futebol feminino n\u00e3o recebeu apoio para ser desenvolvido da mesma maneira que o masculino. As partidas n\u00e3o eram remuneradas e os jogos aconteciam apenas nas preliminares de disputas profissionais dos times formados por homens. Ademais, a categoria ainda n\u00e3o era legalizada e o maior movimento foi feito por parte das jogadoras.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Para o ent\u00e3o presidente do Conselho Nacional de Desportos, a proibi\u00e7\u00e3o do futebol feminino tinha por objetivo \u201cevitar que este esporte torne-se alvo da explora\u00e7\u00e3o de pessoas inescrupulosas ou de projetos ca\u00e7a-n\u00edqueis\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda sem a legitima\u00e7\u00e3o da Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol, em abril de 1983 o presidente da institui\u00e7\u00e3o, Jo\u00e3o Havelange, afirmou que pretendia fazer com que o Brasil recebesse o primeiro Campeonato Mundial de Futebol Feminino. Apesar das afirma\u00e7\u00f5es de Havelange, a disputa n\u00e3o tinha data prevista para acontecer, j\u00e1 que o Comit\u00ea T\u00e9cnico da Federa\u00e7\u00e3o ainda estudava a regulamenta\u00e7\u00e3o da modalidade. Contudo, no mesmo ano,&nbsp; a&nbsp; libera\u00e7\u00e3o da pr\u00e1tica de futebol por mulheres foi, finalmente, formalizada.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em agosto de 1981, o dirigente Ab\u00edlio de Almeida confirmou que a Federa\u00e7\u00e3o Internacional de Futebol (FIFA), sob o comando do presidente Jo\u00e3o Havelange, realizaria o campeonato mundial de futebol feminino<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":18222,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_et_pb_use_builder":"off","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"categories":[88],"tags":[],"class_list":["post-18217","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-brasil"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18217","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=18217"}],"version-history":[{"count":4,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18217\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":18225,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/18217\/revisions\/18225"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/media\/18222"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=18217"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=18217"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/futebol-feminino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=18217"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}