O jornalismo me encontrou ainda criança, quando sonhava em ser escritora, pois escrevia cartas, poemas e textos escolares com o prazer de quem brincava de boneca, mesmo período em que meu passatempo favorito era ir a biblioteca com a minha avó.

Já no ensino fundamental, me vi apaixonada por explicar para meus amigos sobre tudo que eu entendia ou estudava para entender. Daí, vieram aulas de filosofia, sociologia, política, redação e tudo mais que eu conseguia traduzir. Assim, o jornalismo conseguiu unir minhas maiores paixões: entender e explicar o mundo por meio das palavras.

O trabalho de conclusão de curso “Dizer Adeus”, é também o trabalho da minha vida. Decidi me desafiar em produzir, escrever, fotografar e editar sobre um assunto o qual é difícil de ser digerido por qualquer um.

Minha história com o luto começou aos sete anos, quando perdi meu irmão para um tumor no cérebro. Na época ele tinha pouco mais de dois anos e vivíamos implicando um com o outro. Como criança, vivi a dor e o sentimento de culpa por não tê-lo ido visitar no hospital uma última vez, por tê-lo excluído das brincadeiras com minhas amigas. Além disso, o vazio de ter perdido um companheiro para o resto da vida, alguém que estaria aqui hoje, com pouco mais de 15 anos, me dando muito trabalho.

Alguns anos depois perdi minha avó que, além de ser minha segunda mãe, foi uma grande referência e apoio em muitos momentos da minha vida. Graças a ela passei boa parte da minha infância brincando de estudar, vendendo rifa de porta em porta para as festas da escola e construindo meu futuro, e foi com a ida dela que pensei pela primeira vez sobre como seria de agora em diante.

E, por último, perdi minha bisavó, a mulher mais vaidosa que eu pude conhecer. Com mais de 80 anos ela sempre fez questão de duas coisas: seu batom e sua cerveja Bohemia no horário de almoço. Dela o maior sentimento que guardo é saudade, das coxinhas que comemos juntas, das brincadeiras de “mão mole” e dos seus últimos dias, quando dormia no seu quarto durante a tarde para que a gente pudesse ficar pertinho uma da outra.

Esse projeto é dedicado a vocês: luquinhas, vovó nilda e vovó bisa.

Obrigada por tanto.

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