NA HORA DE DECIDIR O CAMINHO: AUTORAL OU COVER?

Ter em seus primeiros shows um público grande é o sonho de toda banda iniciante. Conquistar gradativamente um público e levar para toda a história da banda uma legião de fãs é o atestado de que deu certo. Assim, podemos caracterizar as opções de dar o primeiro passo de um novo grupo musical.

Uns optam por conquistar primeiro um público grande através da música de outros artistas, para depois apresentar o trabalho próprio. Enquanto outros preferem dar o start a passos lentos, mas com a sua originalidade e produção.

Ambos os perfis garantem que a cena é difícil, mas com certeza o público de um show cover, que presta tributo a uma banda já consagrada é maior que num show de um grupo autoral da região e pouco conhecida.  No Recife, as bandas cover conseguem reunir um maior público num curto espaço de tempo, mas as bandas de cunho autoral também conseguem vencer na cena se forem competentes, mostrarem talento e conquistar o público.

A interação da plateia com uma banda cover é instantânea e calorosa. Os fãs exprimem aos novos músicos o amor pelas bandas famosas, enxergam eles no palco e cantam com o maior fervor e devoção. Receber esse retorno do público é estimulante para os músicos que iniciam na carreira.

Porém, uma banda cover não progride do cenário bairrista, não alcança o prestígio do seu próprio público. E muitas vezes não conseguem desvincular a cena cover e decolar para a cena autoral. No Estado os dois cenários possuem grandes grupos e produções.

 

COVER

1069987_408549489253952_1913434070_nBanda A Beatles Cover Night

As bandas Maggie Peppers (Cover Red Hot Chilli Peppers) e A Beatles Cover Night (Cover Beatles) são duas das bandas cover mais influentes na cena do Rock Underground em Pernambuco.

Bernardo Coimbra é baixista e fundador da banda Maggie Peppers e afirma que tocar cover tem seus altos e baixos. “Para o mercado cover é necessário fazer da sua banda um produto que vá chamar a atenção do produtor, e, consequentemente, despertar a vontade nele de vender sua banda”, explica. Para ele, se manter tocando em bares, casas de shows e eventos não é fácil, é preciso ensaiar bastante e o retorno financeiro mesmo não vale o esforço. Todos da banda acabam buscando uma carreira profissional paralela à música, pois tocar é muito complicado, tem que ter muito amor e raça para se manter.

A questão de muitas bandas cover é que seu inicio é mais fácil, o dinheiro entra mais rápido, o retorno aparece nas primeiras apresentações. Porém, isso não é o suficiente para a sobrevivência e permanência da banda.

AUTORAL

310564_10150346730612630_795900349_nVictor Fugagnoli (à direita) e seus amigos da Mentes & Jardins

Já para enfrentar o começo autoral é necessária uma fonte de renda própria, que sustente os investimentos dos primeiros produtos e divulgações, além de uma dedicação total à música, sem perder o tempo em trabalhos secundários.

Lucid Dreams e Alcova Rubra são duas bandas autorais que buscam espaço no disputado mercado fonográfico pernambucano. Elas se utilizam de estratégias de divulgação diferenciadas para alcançar o público desejado.

A banda Alcova Rubra apresenta uma proposta focada ao rock brasileiro, com letras em português e composições que lembram Cazuza, Legião Urbana e Ultrage a Rigor. A banda investe na arte gráfica dos seus banners e encartes de discos e vinis. Ela possui um disco gravado e um EP em produção.

A Lucid Dreams, por sua vez, arrisca na divulgação ao vivo, foi partícipe de festivais em Caruaru, Carpina, Petrolina e Olinda, além de Recife e Jaboatão dos Guararapes. A banda também tenta divulgar seu trabalho na internet e em jogos digitais, participando de concursos como Web Festival, Guitar Flash e produzindo músicas para jogos independentes.

Victor Fugagnoli, líder e vocalista da banda Lucid Dreams, diz que hoje o meio mais indicado para se começar a divulgar sua banda é a internet e as redes sociais e que, para começar sua carreira, é necessário estar preparado para receber muitas críticas, que começam na sua própria casa. “O começo de tudo requer muita coragem e conhecimento. Você não pode simplesmente sonhar em ter uma banda e ela aparece na sua frente, o problema já começa desse ponto. Para começar uma banda, além de integrantes competentes a gente precisa estudar demais”, afirmou Victor.

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