{"id":212,"date":"2024-11-19T18:53:54","date_gmt":"2024-11-19T21:53:54","guid":{"rendered":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/?p=212"},"modified":"2024-11-25T16:57:57","modified_gmt":"2024-11-25T19:57:57","slug":"trajado-de-sonho-ykaro-mc-para-a-081-na-beca","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/trajado-de-sonho-ykaro-mc-para-a-081-na-beca\/","title":{"rendered":"Trajado de sonho: Ykaro MC para a 081 na Beca"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p>Na Ilha do Maruim, em Olinda, as noites ganham vida ao som dos bailes improvisados nas vielas estreitas. \u00c9 l\u00e1 que Ykaro MC, 22 anos, faz ecoar sua voz entre as palafitas da favela, onde as batidas do funk e do rap s\u00e3o trilha sonora de vidas que misturam resist\u00eancia e sonho. Ele n\u00e3o \u00e9 um nome grande do cen\u00e1rio musical \u2014 ainda. Mas suas letras carregam uma pot\u00eancia genu\u00edna, fruto de uma realidade que transforma um bon\u00e9 da Cyclone, um t\u00eanis&nbsp; ou um chinelo Kenner em algo muito maior do que moda: um s\u00edmbolo de pertencimento e dignidade.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cNa comunidade, quando voc\u00ea bota uma roupa dessas, \u00e9 como se voc\u00ea fosse algu\u00e9m. Parece besteira, mas \u00e9 autoestima. \u00c9 mostrar pra si mesmo que voc\u00ea vale algo\u201d, explica Ykaro, com o sorriso t\u00edmido de quem sabe bem o peso das palavras que canta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-1 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\">\n<div class=\"wp-block-group is-layout-constrained wp-block-group-is-layout-constrained\">\n<div class=\"wp-block-group is-nowrap is-layout-flex wp-container-core-group-is-layout-1 wp-block-group-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231116_170043-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-230\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n<\/div>\n\n\n\n<p>Os n\u00fameros da vida real&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>A Ilha do Maruim n\u00e3o aparece nos mapas tur\u00edsticos de Olinda, mas \u00e9 casa para milhares de fam\u00edlias que enfrentam a dureza da exclus\u00e3o social. Segundo o IBGE (2022), mais de 50% dos moradores vivem abaixo da linha da pobreza, e o desemprego entre jovens ultrapassa 30%. Muitos recorrem a trabalhos informais para ajudar em casa, como Ykaro, que come\u00e7ou a entregar quentinhas com a m\u00e3e ainda crian\u00e7a.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Essa realidade faz com que sonhos de consumo ganhem outro significado. Na Ilha, uma pe\u00e7a de roupa de marca n\u00e3o \u00e9 apenas uma quest\u00e3o de estilo. \u201cQuando eu era mais novo, via os caras mais velhos do bairro andando com aquelas camisetas da Cyclone e sonhava ter uma. Pra mim, era coisa de quem j\u00e1 tinha chegado l\u00e1\u201d, conta o MC.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-2 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"226\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231116_165839-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-226\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"216\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231116_170121-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-216\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>De Cyclone a Kenner: a moda que empodera&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Se para o mercado global marcas como Kenner s\u00e3o s\u00f3 produtos, nas periferias do Nordeste elas carregam um valor que ultrapassa o material. A Cyclone, em particular, voltou a ganhar for\u00e7a na comunidade, com suas estampas chamativas e cortes largos. Para Ykaro e seus amigos, vestir essas pe\u00e7as \u00e9 mais do que acompanhar uma tend\u00eancia: \u00e9 conquistar um espa\u00e7o simb\u00f3lico em um mundo que os ignora.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Mais que consumo: autoestima e sobreviv\u00eancia&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Apesar da for\u00e7a simb\u00f3lica dessas marcas, Ykaro sabe que autoestima n\u00e3o vem s\u00f3 de roupa cara. \u201cPode ter o t\u00eanis mais bonito, mas se voc\u00ea n\u00e3o t\u00e1 bem por dentro, n\u00e3o adianta. Por isso, minha m\u00fasica \u00e9 pra lembrar que a gente pode mais. A favela merece acreditar.\u201d&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Sonho grande, passos pequenos&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-3 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex\">\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"223\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231116_165616-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-223\"\/><\/figure>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image size-large\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"768\" height=\"1024\" data-id=\"224\" src=\"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/bregafunk-identidade-consumo-periferia\/wp-content\/uploads\/2023\/12\/20231116_165634-768x1024.jpg\" alt=\"\" class=\"wp-image-224\"\/><\/figure>\n<\/figure>\n\n\n\n<p>Ykaro MC ainda n\u00e3o \u00e9 um nome reconhecido fora das vielas da Ilha do Maruim. Mas, para ele, o sucesso n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 sobre fama ou milh\u00f5es de visualiza\u00e7\u00f5es. \u00c9 sobre inspirar outros jovens a acreditarem em si mesmos, mesmo quando tudo parece conspirar contra.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cEu t\u00f4 come\u00e7ando agora, mas sei que minha m\u00fasica j\u00e1 t\u00e1 chegando em quem precisa. Se o moleque ouvir meu som e pensar \u2018se ele conseguiu, eu tamb\u00e9m consigo\u2019, j\u00e1 valeu a pena.\u201d&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p>Na Ilha do Maruim, onde os sonhos dividem espa\u00e7o com a dureza do cotidiano, Ykaro segue firme. <\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-columns is-layout-flex wp-container-core-columns-is-layout-2 wp-block-columns-is-layout-flex\">\n<div class=\"wp-block-column is-layout-flow wp-block-column-is-layout-flow\" style=\"flex-basis:100%\"><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Na Ilha do Maruim, em Olinda, as noites ganham vida ao som dos bailes improvisados nas vielas estreitas. \u00c9 l\u00e1 que Ykaro MC, 22 anos, faz ecoar sua voz entre as palafitas da favela, onde as batidas do funk e do rap s\u00e3o trilha sonora de vidas que misturam resist\u00eancia e sonho. 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