{"id":26,"date":"2019-04-17T20:08:18","date_gmt":"2019-04-17T23:08:18","guid":{"rendered":"http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/?page_id=26"},"modified":"2019-06-16T19:35:19","modified_gmt":"2019-06-16T22:35:19","slug":"serrinha-tranquilidade-e-confianca-dao-lugar-ao-medo","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/serrinha-tranquilidade-e-confianca-dao-lugar-ao-medo\/","title":{"rendered":"Serrinha: tranquilidade e confian\u00e7a d\u00e3o lugar ao medo"},"content":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; background_image=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-14.jpg&#8221; bottom_divider_style=&#8221;waves2&#8243; bottom_divider_color=&#8221;#ffffff&#8221; bottom_divider_height=&#8221;120px&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][et_pb_fullwidth_post_title meta=&#8221;off&#8221; featured_image=&#8221;off&#8221; text_color=&#8221;light&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; title_font=&#8221;|700|||||||&#8221; title_font_size=&#8221;50px&#8221; background_color=&#8221;rgba(0,0,0,0.5)&#8221; text_orientation=&#8221;center&#8221; custom_padding=&#8221;200px||300px&#8221;][\/et_pb_fullwidth_post_title][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;9582px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|0px||&#8221;][et_pb_row use_custom_gutter=&#8221;on&#8221; gutter_width=&#8221;1&#8243; custom_margin=&#8221;25px||60px&#8221; padding_left_2=&#8221;50px&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;8666px&#8221; link_option_url=&#8221;Visita da reportagem \u00e0 Serrinha&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;423px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221;]<\/p>\n<p>Lugar calmo, seguro e familiar. \u00c9 assim que os moradores da vila Po\u00e7o da Seca, do distrito de Serrinha, localizado na Zona Rural de Serra Talhada, no Sert\u00e3o Pernambucano, identificam o ambiente em que residem. Mas, a trag\u00e9dia resultante do rompimento da barragem Mina C\u00f3rrego do Feij\u00e3o, em Brumadinho (MG), junto ao sentimento cultivado desde setembro de 2018, deixou os moradores transtornados e em estado de alerta. Um intenso abalo derrubou copos e x\u00edcaras, chaves de fenda e at\u00e9 rachou casas, de acordo com habitantes da regi\u00e3o, que acreditam que esse epis\u00f3dio est\u00e1 associado \u00e0 barragem de Serrinha.<\/p>\n<p>Em 09 de setembro de 2018, um forte tremor literalmente \u2018abalou as estruturas\u2019 dos moradores de Po\u00e7o da Seca. A agricultora Val\u00e9ria Cristina, que reside por l\u00e1 desde que nasceu, h\u00e1 30 anos, disse que houve \u201cuma grande explos\u00e3o\u201d. O motorista Igor Fernando, de 31 anos, explica que estava limpando o transporte escolar que trabalha no momento em que escutou a zuada. \u201cFoi um barulho muito alto\u201d, diz.<\/p>\n<p>A auxiliar de servi\u00e7os gerais Andr\u00e9a Carla conta sobre o susto que levou ao escutar o barulho. \u201cEu e minha cunhada estavamos indo na casa da minha vizinha dar um recado. Justamente quando a gente se aproximou de algumas rochas a\u00ed a gente escutou um estrondo muito grande, mas n\u00e3o deu pra sentir o abalo porque est\u00e1vamos andando. Ficamos muito assustadas\u201d, destaca. A agricultora Bruna Eveline, de 30 anos, estava fora de casa e ficou muito espantada com o epis\u00f3dio. \u201cEu tava passeando aqui na vendinha e aconteceu um grande terremoto. Deu um estouro &#8211; <em>boom<\/em>. Foi uma coisa muito alarmante para a vila, que deixou todo mundo preocupado\u201d, relata. Muitas vers\u00f5es para um mesmo fato, que aconteceu no final da tarde de um domingo, por volta das 16h.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-10.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]Foto: Moradias pr\u00f3ximas \u00e0 barragem.[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;161px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Entre Serra Talhada e Floresta, a 50 km e 60 km do distrito, respectivamente, fica a barragem de Serrinha, constru\u00edda para ajudar os agricultores a irrigarem as planta\u00e7\u00f5es atrav\u00e9s da regulariza\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es &#8211; ac\u00famulo de \u00e1gua para ser distribu\u00eddo no per\u00edodo da estiagem. A reportagem procurou a Prefeitura de Serra Talhada para obter mais informa\u00e7\u00f5es sobre a regi\u00e3o e, de acordo com o site do munic\u00edpio, confirmado por sua Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o, o distrito se chama, na verdade, Paje\u00fa. Antigamente era conhecido por S\u00e3o Francisco. Eles afirmam que existem muitos s\u00edtios nessa \u00e1rea, mas n\u00e3o sabem informar quantos moradores. Continuamos chamando por Serrinha, j\u00e1 que este \u00e9 o nome familiarizado pela popula\u00e7\u00e3o de l\u00e1.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_gallery gallery_ids=&#8221;225,224,237,238&#8243; show_title_and_caption=&#8221;off&#8221; show_pagination=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px|||||&#8221; custom_css_gallery_item=&#8221;width: 25% !important;||margin: 0 !important;||clear: none !important;&#8221;][\/et_pb_gallery][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Foto: Vegeta\u00e7\u00e3o no entorno da barragem.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;178px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>L\u00e1, nos deparamos com a beleza singular do sert\u00e3o, t\u00e3o bem representada em obras liter\u00e1rias. A comunidade \u00e9 formada por um povo simples e acolhedor. As casas, algumas com muro baixo e outras at\u00e9 sem, demonstram que ali \u00e9 um lugar seguro. Sem sinal para celular, os moradores t\u00eam contato maior uns com os outros, diferentemente da cidade grande. Ali, o h\u00e1bito de conversar na porta de casa com os vizinhos permanece, assim como as visitas di\u00e1rias nas casas uns dos outros. O sol \u00e9 quente de rachar e quem passa no meio da rua j\u00e1 procura uma sombra, esperando qualquer ventinho para ajudar a refrescar o calor de quase 30\u00ba graus. \u201cA barragem se tornou tamb\u00e9m um lugar de lazer para a popula\u00e7\u00e3o. Quando t\u00e1 muito quente e tamb\u00e9m nos finais de semana muita gente vem tomar banho nas comportas\u201d, destaca Igor.<\/p>\n<p>A vegeta\u00e7\u00e3o, em sua grande maioria rasteira, transforma o visual de forma singular. S\u00e3o flores, cactos e \u00e1rvores que preenchem um cen\u00e1rio lindo e caracter\u00edstico do lugar. Por l\u00e1, mal se v\u00ea um carro ou moto, mas, quando passa, \u00e9 preciso, por vezes, virar o rosto ou tapar o nariz pela quantidade de poeira que sobe do ch\u00e3o n\u00e3o pavimentado.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_gallery gallery_ids=&#8221;239,240,242,241&#8243; show_title_and_caption=&#8221;off&#8221; show_pagination=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_css_gallery_item=&#8221;width: 25% !important;||margin: 0 !important;||clear: none !important;&#8221;][\/et_pb_gallery][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Foto: Vegeta\u00e7\u00e3o na pedreira da barragem.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;181px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Pr\u00f3ximo \u00e0 barragem, bodes soltos fazem barulho enquanto caminhavam com seus sinos agarrados no pesco\u00e7o, em meio \u00e0 caatinga. Al\u00e9m do som citado, o que se ouve \u00e9 o canto dos p\u00e1ssaros, abrilhantando ainda mais o cen\u00e1rio. Aquela regi\u00e3o, para quem busca fugir do barulho da cidade grande, \u00e9 ideal.<\/p>\n<p>Um caminho de barro separa a \u00e1gua acumulada na barragem das suas comportas, pr\u00f3ximas \u00e0 pedreira. Descendo entre as pedras e vegeta\u00e7\u00e3o, encontra-se uma galeria com os equipamentos hidromec\u00e2nicos vinculados a \u00e1gua do reservat\u00f3rio, liberando o l\u00edquido em um riacho logo \u00e0 frente. \u201c\u00c0s vezes as comportas quebram ou apresentam algum defeito\u201d, explica Andr\u00e9a. A reportagem verificou que, em uma delas, a corrente d\u2019\u00e1gua n\u00e3o saia pelo local apropriado, mas sim por um vazamento na encana\u00e7\u00e3o. A outra, aparentemente, funcionava normalmente.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/ESSA.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Foto: Caminho que separa a o reservat\u00f3rio da pedreira da barragem.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;181px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<span style=\"font-size: 14px;\">No <\/span><a href=\"https:\/\/www.ana.gov.br\/todos-os-documentos-do-portal\/documentos-sre\/alocacao-de-agua\/boletim-de-acompanhamento-da-alocacao-serrinha-ii-2018-2019-julho-2018.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\" style=\"font-size: 14px;\">boletim de acompanhamento<\/a><span style=\"font-size: 14px;\"> de distribui\u00e7\u00e3o de \u00e1gua publicado pela Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA) nos anos 2018\/2019, referentes \u00e0 barragem de Serrinha, consta a seguinte observa\u00e7\u00e3o:<\/span><em style=\"font-size: 14px;\"> \u201cfoi enviado of\u00edcio em 19\/06\/2018 pela ANA ao DNOCS cobrando provid\u00eancias na Barragem Serrinha, em rela\u00e7\u00e3o a comporta vertical na tomada d\u2019\u00e1gua com funcionamento obstru\u00eddo; tubula\u00e7\u00e3o rompida dentro da galeria sob a barragem, com vaz\u00e3o relevante, podendo levar a risco de ruptura da pr\u00f3pria estrutura da galeria ou da barragem; vazamentos m\u00faltiplos na sa\u00edda das tubula\u00e7\u00f5es entre a galeria e as v\u00e1lvulas dispersoras; e estrutura danificada para acesso \u00e0 opera\u00e7\u00e3o das v\u00e1lvulas dispersoras. Foi encaminhado or\u00e7amento pelo DNOCS.&#8221;.<\/em><\/p>\n<p>A reportagem averiguou que, at\u00e9 mar\u00e7o de 2019, os problemas relacionados \u00e0s estruturas externas da barragem, descritas acima neste boletim, estavam presentes, sem altera\u00e7\u00f5es.[\/et_pb_text][et_pb_gallery gallery_ids=&#8221;228,235,226,227&#8243; show_title_and_caption=&#8221;off&#8221; show_pagination=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_css_gallery_item=&#8221;width: 25% !important;||margin: 0 !important;||clear: none !important;&#8221;][\/et_pb_gallery][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Foto: Comportas da barragem de Serrinha.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;178px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>At\u00e9 hoje, muitos habitantes da vila temem a falta de fiscaliza\u00e7\u00e3o na barragem e o medo do que aconteceria caso ela sangrasse &#8211; mais popularmente, esborrasse &#8211; ou at\u00e9 estourasse. Alunos da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) estudaram essa quest\u00e3o e publicaram o artigo: <a href=\"https:\/\/www.researchgate.net\/publication\/322020272_Analise_de_risco_em_virtude_de_rompimento_hipotetico_de_barragem_no_semiarido_de_Pernambuco\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cAn\u00e1lise de risco em virtude de rompimento hipot\u00e9tico da barragem no semi\u00e1rido de Pernambuco\u201d<\/a>. Nele, investigaram um poss\u00edvel rompimento na barragem de Serrinha e suas consequ\u00eancias para a popula\u00e7\u00e3o e o meio ambiente. Em caso de ruptura, de acordo com a pesquisa, a \u00e1gua inundaria o distrito de Tupanaci, em Mirandiba, e Floresta. O primeiro seria atingido em cerca de tr\u00eas horas, com a inunda\u00e7\u00e3o chegando a medir 11,20 metros, e o segundo em 19 horas, com \u00e1gua a 11,92 metros. Os moradores de Po\u00e7o na Seca, no entanto, n\u00e3o seriam atingidos, j\u00e1 que a \u00e1rea \u00e9 localizada em uma parte alta da regi\u00e3o.<\/p>\n<p>O prop\u00f3sito do estudo, como afirma os pesquisadores, \u00e9 alertar os \u00f3rg\u00e3os governamentais e respons\u00e1veis sobre o risco que os moradores da regi\u00e3o sofrem caso n\u00e3o seja fiscalizada adequadamente a barragem, visando manter sua manuten\u00e7\u00e3o em dia, al\u00e9m da seguran\u00e7a de quem reside na localidade. No texto afirmam, ainda, que <em>\u201ca barragem de Serrinha possui um potencial h\u00eddrico elevado com pressuposto de atender com regularidade as demandas das popula\u00e7\u00f5es da regi\u00e3o, principalmente com a finalidade de suprir as necessidades agr\u00edcolas. Entretanto, \u00e9 necess\u00e1rio um gerenciamento efetivo para n\u00e3o p\u00f4r em risco as comunidades locais, fazendo-se necess\u00e1rio um plano que possa retirar de forma organizada as mais de 22 mil pessoas das \u00e1reas de risco.\u201d<\/em>.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Gomes Rodrigues, popularmente conhecido como Z\u00e9 Preto &#8211; como ele se apresenta a todos, \u00e9 um dos moradores da regi\u00e3o. Tem 57 anos e mora h\u00e1 15 anos na vila, junto com a esposa, Jadileide de Alves Nogueira Rodrigues, e tr\u00eas filhos: Janailson, Juliano e Janilson. Ele vivia em um povoado chamado S\u00e3o Francisco, hoje debaixo d\u2019\u00e1gua ap\u00f3s a constru\u00e7\u00e3o da barragem. Antes de ir para o Po\u00e7o da Seca, tamb\u00e9m residiu no Barriga Furada, vila pr\u00f3xima a que est\u00e1 hoje.<\/p>\n<p>Sorridente, Z\u00e9 Preto faz quest\u00e3o de se apresentar v\u00e1rias vezes como um homem trabalhador. Ele mesmo trabalhou na constru\u00e7\u00e3o da barragem, na d\u00e9cada de 80, como operador de martelete &#8211; m\u00e1quina para perfurar e romper concreto, rochas, cer\u00e2mica, entre outros materiais; al\u00e9m de ser agricultor \u201cdesde que nasceu\u201d. \u201cTinha servi\u00e7o todo dia, era um roj\u00e3o s\u00f3\u201d, lembra Z\u00e9 sobre a obra. Foram tr\u00eas anos s\u00f3 para concluir o levantamento da pedreira onde fica o sangradouro. \u201cEra uma m\u00e9dia de uns 2.500 trabalhadores\u201d, diz o agricultor. Z\u00e9 tamb\u00e9m atuou na explos\u00e3o de dinamites, onde destru\u00edram o terreno para depois construir o muro de pedras, chamado de pedreiras, que separa o reservat\u00f3rio das comportas.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-26-1.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221;]Foto: Z\u00e9 Preto no terra\u00e7o da sua casa, localizada na zona rural de Serra Talhada.[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;178px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Diante da falta de respostas oficiais sobre o tremor, os moradores do Po\u00e7o usam a imagina\u00e7\u00e3o para explicar o que tanto os assusta. Para alguns deles, a causa pode pode ter sido alguma dinamite utilizada na obra que, por algum descuido ou imprevisto, n\u00e3o explodiu na \u00e9poca, mas sim 20 anos depois. Z\u00e9 diz convicto que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel. \u201cQuem disser que foi dinamite t\u00e1 mentindo. Surgiu um boato, mas \u00e9 mentira. Pode confiar que quem t\u00e1 dizendo sou eu, que quem detonou esse fogo foi n\u00f3s\u201d, ressaltou.<\/p>\n<p>O pensamento do motorista Paulo Adriano, conhecido como Paulinho, contradiz a seguran\u00e7a de Z\u00e9. Para Paulo, h\u00e1 uma grande suspeita do tremor estar associado \u00e0 constru\u00e7\u00e3o da barragem. \u201cNo tempo que soltavam as bombas para construir as pedreiras, a regi\u00e3o e as casas eram muito abaladas e at\u00e9 hoje algumas apresentam rachaduras. Pode ser que uma dinamite tenha ficado a\u00ed por esse tempo todo e ter estourado\u201d, confirma o motorista.<\/p>\n<p>Outros boatos repassados atrav\u00e9s do boca-a-boca e nas redes sociais assustaram os moradores de Floresta nos primeiros meses de 2019. Por causa das fortes chuvas de fevereiro e mar\u00e7o, que transformaram o cen\u00e1rio do Sert\u00e3o do seco ao verde, houve hist\u00f3rias de que a barragem de Serrinha estava cheia e corria o risco de transbordar &#8211; ou at\u00e9 estourar, atingindo Floresta. Ap\u00f3s monitoramento da Ag\u00eancia Pernambucana de \u00c1guas e Clima (Apac), em 24 de mar\u00e7o, concluiu-se que apenas 12,8% da barragem estava cheia, descartando a possibilidade de acontecer algum rompimento.<\/p>\n<p>\u201cN\u00e3o acho que um dia essa barragem v\u00e1 estourar. Ela precisa mesmo \u00e9 de administra\u00e7\u00e3o. Eu queria \u00e9 que o governador, os deputados estaduais e o prefeito viessem aqui. O presidente tamb\u00e9m, pe\u00e7o a ele que olhe para o Nordeste, que t\u00e1 abandonado, j\u00e1 que ele cortou tudo, inclusive os benef\u00edcios do povo, que o povo precisa\u201d, afirmou Z\u00e9 Preto com o olhar entristecido.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_video src=&#8221;https:\/\/youtu.be\/wpys8f0559g&#8221; image_src=&#8221;\/\/i.ytimg.com\/vi\/wpys8f0559g\/hqdefault.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221;][\/et_pb_video][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;178px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<h1><strong>Do concreto at\u00e9 a barragem<\/strong><\/h1>\n<p><strong><\/strong><\/p>\n<p>Levantamento da Ag\u00eancia Nacional de \u00c1guas (ANA), publicado em janeiro de 2019, aponta barragens com fiscaliza\u00e7\u00f5es priorit\u00e1rias em todo o pa\u00eds, enquadrando-as em Categoria de Risco (CRI) e Dano Potencial Associado (DPA). A barragem de Serrinha tem m\u00e9dio CRI e alto DPA, ou seja, n\u00edvel m\u00e9dio de ocorr\u00eancia de um acidente na pr\u00f3pria barragem e alto n\u00edvel de algum dano influenciar impactos humanos, ambientais e econ\u00f4micos no local.<\/p>\n<p>A mais de 400 km da capital pernambucana, Serra Talhada \u00e9 conhecida como a capital do xaxado. Seu nome se refere a uma montanha que d\u00e1 a ideia de que foi cortada. Duas barragens preenchem seu territ\u00f3rio: a barragem do Jazigo, voltada para a irriga\u00e7\u00e3o, e a de Serrinha, tamb\u00e9m conhecida como o A\u00e7ude de Serrinha, designada para a regulariza\u00e7\u00e3o de vaz\u00f5es, como citado acima. A bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Paje\u00fa, afluente do Rio S\u00e3o Francisco, nasce no munic\u00edpio de Brejinho, em Pernambuco, e se estende por cerca de 350 km. Ela \u00e9 a maior bacia de Pernambuco e abrange cerca de 20 munic\u00edpios, entre eles, o de Serra Talhada.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_gallery gallery_ids=&#8221;221,244,245,243&#8243; show_title_and_caption=&#8221;off&#8221; show_pagination=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_css_gallery_item=&#8221;width: 25% !important;||margin: 0 !important;||clear: none !important;&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][\/et_pb_gallery][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]Foto: Reservat\u00f3rio da barragem de Serrinha.[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;178px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]Na d\u00e9cada de 80, foi iniciada a constru\u00e7\u00e3o da barragem de Serrinha, obra planejada para acumular at\u00e9 311 milh\u00f5es de m\u00b3 de \u00e1gua, beneficiando mais de 50 mil pessoas, cerca de 3 mil alimentadas atrav\u00e9s da pescaria no a\u00e7ude. Com 95% das obras conclu\u00eddas, em 1995, a soma dos gastos girava em torno dos R$20 milh\u00f5es, com previs\u00e3o de mais R$ 4 milh\u00f5es em investimentos, mas a falta de conclus\u00e3o impossibilitava seu funcionamento, de acordo com a reportagem da Folha de S. Paulo, publicada em 12 de mar\u00e7o de 1995, intitulada <a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/fsp\/1995\/3\/12\/brasil\/28.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cNordeste torra rios de dinheiro\u201d<\/a>.<\/p>\n<p>A Construtora Mendes J\u00fanior SA foi a respons\u00e1vel pela constru\u00e7\u00e3o, que tinha previs\u00e3o inicial de 600 dias para a conclus\u00e3o. A obra come\u00e7ou em 24 de novembro de 1986 e passou por uma s\u00e9rie de termos aditivos relacionados \u00e0 inclus\u00e3o de outros servi\u00e7os que n\u00e3o estavam planejados previamente no projeto. Isso adiou o prazo final v\u00e1rias vezes, at\u00e9 que paralisou em 1993 por esgotamentos financeiros.<\/p>\n<p>A retomada das obras aconteceu em 09 de outubro de 1995, sendo prioridade a sua conclus\u00e3o para o Governo Federal. Ap\u00f3s longos processos contra a construtora contratada, houve a rescis\u00e3o do contrato, passando a finaliza\u00e7\u00e3o da obra para a responsabilidade do 3\u00ba Batalh\u00e3o de Engenharia de Constru\u00e7\u00e3o do Ex\u00e9rcito, com previs\u00e3o inicial de conclus\u00e3o em janeiro de 1996, e investimentos de at\u00e9 R$ 2 milh\u00f5es, al\u00e9m das aplica\u00e7\u00f5es financeiras anteriores. O curto tempo foi alertado pelos engenheiros do Dnocs, respons\u00e1veis pela fiscaliza\u00e7\u00e3o da obra, devido \u00e0 necessidade de finaliza\u00e7\u00e3o antes da pr\u00f3xima esta\u00e7\u00e3o chuvosa.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.tcu.gov.br\/Consultas\/Juris\/Docs\/judoc%5CDec%5C19971110%5CGERADO_TC-20494.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">No documento do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o<\/a>, publicado no Di\u00e1rio Oficial da Uni\u00e3o (DOU) em 04 de novembro de 1996, consta que a \u00faltima fiscaliza\u00e7\u00e3o da obra aconteceu no dia 13 de mar\u00e7o de 1996, mas a barragem ainda n\u00e3o estava conclu\u00edda, apesar de afirmar que os trabalhos estavam acelerados. As informa\u00e7\u00f5es contidas \u00e9 que estava na fase final e poderia entregar semi-conclu\u00edda em 30 de mar\u00e7o de 1996, para inaugura\u00e7\u00e3o, e restaria a conclus\u00e3o de parte do pared\u00e3o de rochas e das obras das comportas, necessitando de mais investimentos financeiros.[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/1.png&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; custom_margin=&#8221;25px||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Linha do tempo da constru\u00e7\u00e3o da barragem de Serrinha.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-23.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; width=&#8221;100%&#8221; max_width=&#8221;100%&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221;][\/et_pb_image][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]Foto: Pedreiras da barragem de Serrinha.[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;197px&#8221; custom_margin=&#8221;25px||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]Com base na disserta\u00e7\u00e3o de Mestrado em Geografia sobre o tema <a href=\"https:\/\/repositorio.ufpe.br\/bitstream\/123456789\/6783\/1\/arquivo6867_1.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">\u201cDa montante \u00e0 jusante: a \u00e1gua como elemento de conflito em a\u00e7udes do espa\u00e7o bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Paje\u00fa\u201d<\/a>, de Luiz Cunha de Oliveira, aluno da UFPE, a barragem de Serrinha foi projetada em 1950 e s\u00f3 foi conclu\u00edda mais de 40 anos depois do in\u00edcio das constru\u00e7\u00f5es, em 1996. Essa obra gerou grande expectativa para os moradores da regi\u00e3o, que desenvolveu a pr\u00e1tica da atividade pesqueira no reservat\u00f3rio, aumentou a produ\u00e7\u00e3o agr\u00edcola e atra\u00edu a ocupa\u00e7\u00e3o do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).<\/p>\n<p>Em 2011,<a href=\"https:\/\/www2.dnocs.gov.br\/gab-cs\/2135-noticia-site-antigo-2459\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> o Dnocs publicou edital<\/a> de concorr\u00eancia p\u00fablica para realizar recupera\u00e7\u00e3o de algumas barragens em Pernambuco, inclusive a de Serrinha. Na \u00e9poca, os servi\u00e7os necess\u00e1rios eram referentes a ro\u00e7agem e limpeza dos taludes e da \u00e1rea de seguran\u00e7a, retirada da vegeta\u00e7\u00e3o aqu\u00e1tica, recupera\u00e7\u00e3o do coroamento, da rede vi\u00e1ria, da estrutura de concreto da galeria e implanta\u00e7\u00e3o de instrumenta\u00e7\u00e3o b\u00e1sica.<\/p>\n<p>No ano seguinte, em 11 de junho de 2012, <a href=\"http:\/\/progestao.ana.gov.br\/portal\/progestao\/destaque-superior\/boas-praticas\/curso-de-seguranca-de-barragens-daee-1\/parte-1-comportas.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">uma publica\u00e7\u00e3o do Tribunal de Contas da Uni\u00e3o<\/a> esclarece que, entre 2006 e 2007, foram feitas recupera\u00e7\u00f5es em equipamentos hidromec\u00e2nicos de 9 barragens, entre elas, a de Serrinha. Na \u00e9poca, estavam aguardando recursos para recuperar a instrumenta\u00e7\u00e3o, vazamento na galeria e acesso na barragem em quest\u00e3o, al\u00e9m de outros problemas.<\/p>\n<p>A Ag\u00eancia Executiva de Apoio \u00e0 Gest\u00e3o de Bacias Hidrogr\u00e1ficas Peixe Vivo, \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pela elabora\u00e7\u00e3o de<a href=\"http:\/\/agenciapeixevivo.org.br\/images\/2016\/cg014ana\/atosconvocatorios\/TDR_Serra_Talhada_PE_ATO_036_2016.pdf\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"> diagn\u00f3stico hidroambiental em trechos da bacia hidrogr\u00e1fica do Rio Paje\u00fa<\/a>, em outubro de 2016, fez um estudo sobre a \u00e1rea, visando analisar a contamina\u00e7\u00e3o do Rio Paje\u00fa por defensivos agr\u00edcolas. Para entender o porqu\u00ea da contamina\u00e7\u00e3o, foi preciso averiguar as caracter\u00edsticas e uso do solo, a conduta das culturas, o uso de agrot\u00f3xicos, \u00e1reas utilizadas para plantio, entre outras quest\u00f5es.<\/p>\n<p>No relat\u00f3rio do Plano de Recursos H\u00eddricos da Bacia Hidrogr\u00e1fica do Rio S\u00e3o Francisco 2016-2025, realizada pela AGB Peixe Vivo, foi destacada a escassez e as degradadas condi\u00e7\u00f5es de qualidade da \u00e1gua no S\u00e3o Francisco e seus afluentes. Como consta no documento, o uso de agrot\u00f3xicos pelo pequeno agricultor rural e a falta de conhecimento sobre as pr\u00e1ticas corretas tem desenvolvido uma grande contamina\u00e7\u00e3o, prejudicando a qualidade da \u00e1gua e do solo. Foi o que aconteceu na barragem de Serrinha, onde foram feitas afirma\u00e7\u00f5es, de acordo com estudo e pesquisa na regi\u00e3o, da contamina\u00e7\u00e3o e at\u00e9 desenvolvimento de doen\u00e7as cancer\u00edgenas relacionadas \u00e0 absor\u00e7\u00e3o desses agrot\u00f3xicos.<\/p>\n<p>Entre as maiores dificuldades do sertanejo, est\u00e1 a seca e a sede. A barragem, que tinha o prop\u00f3sito de aliviar os preju\u00edzos, n\u00e3o tem ajudado muito os moradores da regi\u00e3o. Em julho de 2015, uma toxina prejudicial \u00e0 sa\u00fade humana foi encontrada na barragem de Serrinha, inviabilizando seu consumo. Para prevenir a contamina\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o, o Dnocs fechou as comportas. Isso gerou problemas para aqueles que usavam desta \u00e1gua para a irriga\u00e7\u00e3o ou at\u00e9 consumo, fazendo com que tivessem que adquirir \u00e1gua atrav\u00e9s de carro-pipa.<\/p>\n<p>De acordo com a Prefeitura de Serra Talhada, em maio de 2018 <a href=\"http:\/\/www.serratalhada.pe.gov.br\/noticias\/comunicado-agua-de-serrinha-liberada-para-consumo\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">a \u00e1gua da barragem de Serrinha foi liberada para consumo humano e manuseio.<\/a> O Relat\u00f3rio de Ensaios do Laborat\u00f3rio Central de Sa\u00fade P\u00fablica (Lacen\/PE) divulgou que, com base em an\u00e1lises toxicol\u00f3gicas e microsc\u00f3picas, o reservat\u00f3rio est\u00e1 de acordo com as recomenda\u00e7\u00f5es do Minist\u00e9rio da Sa\u00fade.[\/et_pb_text][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; width=&#8221;100%&#8221; min_height=&#8221;490px&#8221; custom_margin=&#8221;10px||&#8221;]<\/p>\n<p>Al\u00e9m de toda a burocracia referente \u00e0s solicita\u00e7\u00f5es de fiscaliza\u00e7\u00f5es ou manuten\u00e7\u00f5es na barragem, tamb\u00e9m \u00e9 preciso colocar em pr\u00e1tica a conscientiza\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o que usufrui e mora nas proximidades desses reservat\u00f3rios. Isso porque algumas constru\u00e7\u00f5es irregulares, uso de agrot\u00f3xicos e descarte do lixo, por exemplo, podem contaminar o a\u00e7ude, gerando novas complica\u00e7\u00f5es para os moradores que necessitam desse bem t\u00e3o precioso: a \u00e1gua.<\/p>\n<p>O empreendedor da barragem de Serrinha, o Departamento Nacional de Obras Contra as Secas (Dnocs), desde 2016 est\u00e1 ciente das irregularidades referentes \u00e0 barragem e, desde ent\u00e3o, vem tomando iniciativas para assegurar a manuten\u00e7\u00e3o e conserva\u00e7\u00e3o desta obra.<\/p>\n<p>&#8220;J\u00e1 existe o estudo de Serrinha. Desde 2016, a gente elaborou o projeto para Serrinha e mais 11 barragens para recupera\u00e7\u00e3o de equipamentos hidromec\u00e2nicos. Enviamos o or\u00e7amento em 2016, em 2017 n\u00e3o houve recurso, 2018 tamb\u00e9m n\u00e3o e agora pediram para que reenviasse. Est\u00e1 na an\u00e1lise do projeto, para reavaliar o custo, que est\u00e1 em aproximadamente R$4 milh\u00f5es. Tem uma determina\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Integra\u00e7\u00e3o para que a gente fa\u00e7a a manuten\u00e7\u00e3o, n\u00e3o pelo risco de rompimento, mas porque ela est\u00e1 perdendo muita \u00e1gua que poderia ser utilizada&#8221;, ressalta o coordenador estadual do Dnocs, Marcos Rueda. Existe tamb\u00e9m a problem\u00e1tica  das comportas, que, de acordo com moradores, s\u00e3o manuseadas tamb\u00e9m pelos agricultores, que precisam da \u00e1gua. &#8220;Quando eu cheguei aqui no Dnocs tinha um grande apelo porque n\u00e3o havia controle na abertura e fechamento das comportas, para libera\u00e7\u00e3o de \u00e1gua. O problema \u00e9 que o pessoal vai l\u00e1 e quebra, porque n\u00e3o tem vigil\u00e2ncia. Eu j\u00e1 tive que mandar fechar e levar o registro para o Dnocs, para que n\u00e3o quebrasse novamente&#8221;, complementa.<\/p>\n<p> O coordenador est\u00e1 h\u00e1 tr\u00eas anos nesse cargo e trabalha, atualmente, com servi\u00e7os voltados para recupera\u00e7\u00e3o e constru\u00e7\u00e3o de barragens, limpeza de barreiras e adutoras &#8211; como a adutora do rio paje\u00fa, a maior do estado.[\/et_pb_text][\/et_pb_column][et_pb_column type=&#8221;1_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; header_font=&#8221;||||||||&#8221; header_2_font=&#8221;|700|||||||&#8221; header_2_text_align=&#8221;left&#8221; header_2_text_color=&#8221;#0c71c3&#8243; custom_margin=&#8221;||25px&#8221;]<\/p>\n<h2>Popula\u00e7\u00e3o Rural de Serra Talhada<\/h2>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_number_counter title=&#8221;Fonte: IBGE, Censo Demogr\u00e1fico 2010. &#8221; number=&#8221;17957&#8243; percent_sign=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; title_font=&#8221;||||||||&#8221; title_text_align=&#8221;left&#8221; title_font_size=&#8221;10px&#8221; number_font=&#8221;|700|||||||&#8221; number_text_align=&#8221;left&#8221; number_font_size=&#8221;60px&#8221; custom_margin=&#8221;-15px||60px|||&#8221;][\/et_pb_number_counter][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; header_font=&#8221;||||||||&#8221; header_2_font=&#8221;|700|||||||&#8221; header_2_text_align=&#8221;left&#8221; header_2_text_color=&#8221;#0c71c3&#8243; custom_margin=&#8221;-16px||25px|||&#8221;]<\/p>\n<h2>Localiza\u00e7\u00e3o<\/h2>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_map address=&#8221;Serra Talhada &#8211; PE, Brasil&#8221; zoom_level=&#8221;15&#8243; address_lat=&#8221;-8.210301&#8243; address_lng=&#8221;-38.5347175&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;268px&#8221; custom_margin=&#8221;-15px||60px&#8221;][et_pb_map_pin pin_address=&#8221;Barragem Serro Azul &#8211; PE-103, Palmares &#8211; PE, 55540-000, Brazil&#8221; pin_address_lat=&#8221;-8.5881907&#8243; pin_address_lng=&#8221;-35.6696375&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243;][\/et_pb_map_pin][\/et_pb_map][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; ul_font=&#8221;|700|||||||&#8221; header_font=&#8221;||||||||&#8221; header_3_font=&#8221;|700||on|||||&#8221; header_3_text_align=&#8221;center&#8221; header_3_text_color=&#8221;#ffffff&#8221; background_color=&#8221;#848484&#8243; custom_margin=&#8221;20px||0px&#8221; custom_padding=&#8221;9px||0px&#8221;]<\/p>\n<h3>data da visita<\/h3>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_number_counter title=&#8221;mar\u00e7o&#8221; number=&#8221;16&#8243; percent_sign=&#8221;off&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; title_font=&#8221;|700||on|||||&#8221; title_font_size=&#8221;22px&#8221; number_font=&#8221;|700|||||||&#8221; number_font_size=&#8221;80px&#8221; number_line_height=&#8221;100px&#8221; background_color=&#8221;#efefef&#8221; max_width=&#8221;100%&#8221; min_height=&#8221;135px&#8221; custom_margin=&#8221;0px||60px|||&#8221;][\/et_pb_number_counter][et_pb_testimonial author=&#8221;Paulo Adriano&#8221; job_title=&#8221;Motorista&#8221; portrait_url=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-28.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243;] \u201cNo tempo que soltavam as bombas para construir as pedreiras, a regi\u00e3o e as casas eram muito abaladas e at\u00e9 hoje algumas apresentam rachaduras. Pode ser que uma dinamite tenha ficado a\u00ed por esse tempo todo e ter estourado\u201d[\/et_pb_testimonial][et_pb_code _builder_version=&#8221;3.22&#8243;][\/et_pb_code][\/et_pb_column][\/et_pb_row][et_pb_row custom_padding=&#8221;0px||0px|||&#8221; custom_margin=&#8221;|auto||0px||&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; width=&#8221;100%&#8221; max_width=&#8221;2560px&#8221; min_height=&#8221;966px&#8221;][et_pb_column type=&#8221;4_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; text_font=&#8221;||||||||&#8221; text_font_size=&#8221;11px&#8221; text_orientation=&#8221;right&#8221; min_height=&#8221;8px&#8221; custom_margin=&#8221;||0px|||&#8221; custom_padding=&#8221;||0px&#8221; locked=&#8221;off&#8221;]<\/p>\n<p>Foto: Cerca de uma das casas da vila.<\/p>\n<p>[\/et_pb_text][et_pb_image src=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-33-min.jpg&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; width=&#8221;100%&#8221; min_height=&#8221;728px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|0px||&#8221;][\/et_pb_image][\/et_pb_column][\/et_pb_row][\/et_pb_section]<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>[et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; fullwidth=&#8221;on&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; background_image=&#8221;http:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-content\/uploads\/2019\/06\/Editada-14.jpg&#8221; bottom_divider_style=&#8221;waves2&#8243; bottom_divider_color=&#8221;#ffffff&#8221; bottom_divider_height=&#8221;120px&#8221; locked=&#8221;off&#8221;][et_pb_fullwidth_post_title meta=&#8221;off&#8221; featured_image=&#8221;off&#8221; text_color=&#8221;light&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; title_font=&#8221;|700|||||||&#8221; title_font_size=&#8221;50px&#8221; background_color=&#8221;rgba(0,0,0,0.5)&#8221; text_orientation=&#8221;center&#8221; custom_padding=&#8221;200px||300px&#8221;][\/et_pb_fullwidth_post_title][\/et_pb_section][et_pb_section fb_built=&#8221;1&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;9582px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|0px||&#8221;][et_pb_row use_custom_gutter=&#8221;on&#8221; gutter_width=&#8221;1&#8243; custom_margin=&#8221;25px||60px&#8221; padding_left_2=&#8221;50px&#8221; _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;8666px&#8221; link_option_url=&#8221;Visita da reportagem \u00e0 Serrinha&#8221;][et_pb_column type=&#8221;3_4&#8243; _builder_version=&#8221;3.22&#8243;][et_pb_text _builder_version=&#8221;3.22&#8243; min_height=&#8221;423px&#8221; custom_padding=&#8221;||0px|||&#8221;] Lugar calmo, seguro e familiar. \u00c9 assim que os moradores da vila Po\u00e7o da Seca, do distrito [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":2,"featured_media":121,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_et_pb_use_builder":"on","_et_pb_old_content":"","_et_gb_content_width":"","footnotes":""},"class_list":["post-26","page","type-page","status-publish","has-post-thumbnail","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/26","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/users\/2"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=26"}],"version-history":[{"count":56,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/26\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":693,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/26\/revisions\/693"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/media\/121"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/webjornalismo.unicap.br\/barragens\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=26"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}