Depois da Verdade

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Vinícius Barros

O desafio de falar sobre um assunto que já era muito debatido mesmo antes de você nascer certamente não é dos mais simples. Com todas suas vilezas, a ditadura no Brasil se apresentou para nós através das falas de ex-presos políticos, familiares, estudantes, professores e membros da Comissão Estadual.
A sensação desde o início era de mexer em um vespeiro, com um tema que de um lado era sofrido e de outro, instigante. Aprofundar meus conhecimentos na área me fez ampliar minha noção sobre direitos humanos e respeito (ou a falta dele) ao próximo. Também me mostrou um país que tem histórias de dor a cada esquina, com monumentos e ruas em homenagem às vitimas, na mesma proporção que carrega uma parcela de pessoas corajosas e resistente na preservação de seus ideais.

Como estudante, sinto cumprir um papel começado depois de muitos percalços. Jornalismo deixou de ser meu plano A durante a adolescência e só retomou o posto após tentativas frustradas em outras duas graduações. Talvez se não fosse assim, teria menos graça. Chegar ao fim dessa fase com um projeto que me traz satisfação é sinal de que, enfim, acertei na minha escolha profissional.

Meu agradecimento inicial vai aos entrevistados, pela disponibilidade e atenção às nossas demandas. Além deles, direciono ao perspicaz orientador Dario Brito e a Flávio Santos e Jeziel Paz pela montagem e edição dos materiais do site. Por último, agradeço a Manuela Cavalcanti. Nos momentos de mais estresse, dividir os esforços com ela era a esperança de que as coisas iriam melhorar.

Manuela Cavalcanti

Desafiar temas e até mesmo a minha capacidade de apuração e criatividade é algo que dialoga com meus trabalhos desde o início do curso. Por isso, a escolha da abordagem desse projeto não foi diferente, parecendo um ideia incrível pôr luz nesse momento histórico que exige uma delicadeza imensa. Com a conclusão dele, deixo aqui registrado que o aprendizado foi imensurável e gratificante, mas, mesmo diante de tudo, sinto que ainda me faltam anos e mais anos de aprendizados. O desafio ultrapassou a barreira profissional, fazendo também parte do pessoal, já que a dualidade de lidar com história tristes e felizes ao mesmo tempo pareciam não se encaixar.

A dor, antes o nosso foco durante a elaboração da pauta, foi abrindo espaço para histórias de luta e coragem. Quem iria imaginar que laços tão forte seriam criados dentro de um ambiente tão hostil que é a da prisão?

Tudo é possível, principalmente quando se tem um propósito. E logo cedo entendemos o nosso propósito no trabalho: não deixar que as vozes dos entrevistados ficassem caladas, reacendendo assim um novo debate e trazendo à tona a memória e a verdade. Diante disso, reafirmo parafraseando um dos nossos amigos durante essa trajetória: valeu a pena sim. A nós estudantes, que aprendemos o quão a verdade vale a pena ser dita e o quanto ela fala sobre o nosso trabalho como jornalista; a vós, que entrastes em contato com o projeto e tivestes a oportunidade de entender mais de perto o que ainda preciso ser feito, e a mim, que me permiti arriscar e percebi que quanto mais aprendemos, mais nos falta aprender.

No mais, deixo aqui meus agradecimentos. Primeiramente, aos entrevistados, que nos acolheram como um membro da família nos seus lares; a Dario pelo voto de confiança e a orientação espetacular, ainda mais quando parecíamos perdidos com o volume de histórias sobre o tema; a Flávio, Jeziel e Marcos André pela ajuda e pelo apoio quando mais precisávamos, além da paciência enorme de nos ensinar detalhes que trariam novas caras ao trabalho. Por último, mas não menos importante, à minha dupla, Vinícius Barros: seu olhar cuidadoso para cada texto e tema me inspiram, para este e os demais trabalhos profissionais. Obrigada!

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