Eficientes

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Larissa Pontes

Quando estava no 2ª ano do ensino médio, comecei a procurar um curso que me identificasse. Tinha vontade de fazer Artes Cênicas, mas só existia a opção de licenciatura e não era o que eu queria. Então, passei a pesquisar cursos ligados à área de comunicação e arte.

Quando decidi fazer Jornalismo minha família e amigos ficaram surpresos e me questionaram se realmente era isso que queria. Toda essa preocupação aconteceu porque aos 9 anos fui diagnosticada com Dislexia. Esse transtorno fez com que eu sempre tivesse muita dificuldade em escrever, algo que é essencial para qualquer jornalista, mas resolvi enfrentar as dificuldades, pois estava encantada com tudo que tinha pesquisado sobre o curso.

Quando entrei no curso estava feliz, mas com medo de ser criticada por causados meus textos. Guardei essas angústias e vivi um dia de cada vez. Sempre pedia para que familiares e amigos corrigirem meus trabalhos e junto com eles fui aprendendo e melhorando a minha forma de escrever.

O curso, de fato, foi um grande desafio que eu fui vencendo com ajuda da minha família, alguns colegas de sala e principalmente de Marconi Barkokebas que me fez entender que eu devia continuar tentando e não desistir. Desta forma, foi concluindo período por período, sempre com boas notas.

Por causa da dislexia, pensava como seria quando chegasse ao mercado de trabalho eu colocava no currículo essa minha dificuldade e ninguém me chamava para seleção de estágio, quando parei de dizer que tenho dislexia fui chamada para várias entrevistas, isso também mostra o preconceito das pessoas em aceitar e dar oportunidade a quem não está dentro do padrão.

Quando está pagando a cadeira de Redação II, o professor pediu que cada um trouxesse um tema e aí pensei “A inclusão dos deficientes no mercado de trabalho” e eu disse para Marconi, ele afirmou “tu roubou o tema do meu TCC”, mas não liguei muito. Fiz a matéria, escutei diversas histórias e realmente me apaixonei pelo tema. Depois de um tempo, comentei isso com Marconi e ele me convidou para fazermos o trabalho de conclusão de curso juntos.

A sociedade não tem dimensão dos problemas e desafios que as pessoas com deficiência passam, acreditamos que todos devem conhecer mais sobre essa temática para que a inclusão e o respeito sejam cada vez mais frequentes. O curso e o TCC me fizeram evoluir muito pessoalmente e profissionalmente.

Dislexia é um transtorno específico de aprendizagem de origem neurobiológica, caracterizada por dificuldade no reconhecimento preciso e/ou fluente da palavra, na habilidade de decodificação e em soletração. Essas dificuldades normalmente resultam de um déficit no componente fonológico da linguagem e são inesperadas em relação à idade e outras habilidades cognitivas. (Definição adotada pela IDA – International Dyslexia Association, em 2002.

Marconi Barkokebas 

Desde criança ninguém tinha certeza de onde eu poderia chegar, mas com muita força de vontade, fé e apoio da família, cada simples conquista foi comemorada como uma grande vitória. Quando iniciei a faculdade tinha certeza que jornalismo era o curso certo, escutei muitas críticas, porém, sabia que era necessário seguir meu coração.

Durante o curso pude transitar sobre os diferentes meios do jornalismo, foram muitas experiências e principalmente aprendizados que me fizeram amadurecer profissionalmente e pessoalmente, mas talvez a maior lição tenha sido entender que o jornalismo sério deve se preocupar com o que é de interesse público e exercer um papel social.

A informação e a comunicação são essenciais para o desenvolvimento de qualquer sociedade, por isso, essa profissão é tão importante. Aliando tudo isso com a minha história de vida, aproveitei o trabalho de conclusão de curso para colocar em prática um projeto que sempre tive vontade.

Se pararmos para pensar que a universidade é o ponto de partida para exercer uma profissão, falar sobre a inclusão das pessoas com deficiência no mercado de trabalho é dar espaço e ao mesmo tempo, voz para uma parcela da população que já foi e, apesar dos avanços, ainda é muito descriminada.

Fiquei muito feliz em contar histórias de pessoas incríveis que são exemplos de superação, além de mostrar como as empresas olham para esse público e esclarecer um pouco dos direitos que eles conquistaram. Esse trabalho mudou minha vida por completo e me fez entender que lutar pela causa das pessoa com deficiência é o meu papel como jornalista e cidadão.

Agradecimentos

Primeiramente gostaríamos de agradecer aos nossos pais, que são os maiores incentivadores, essa conquista também é de vocês! Agradecer aos professores que nos ensinaram durante todo curso, especialmente ao orientador Dario Brito que teve papel fundamental no projeto.

Agradecer também a todos os personagens e especialistas que acreditaram na nossa ideia e disponibilizaram seu tempo e suas histórias para fazerem parte do projeto. Além da tradutora de libras, Paulina Souto, do designer Flávio Santos e do editor de vídeo Jeziel Paz que contribuíram bastante para construção desse trabalho.

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