E agora?

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Bruna Gomes

Esse trabalho foi fruto de muitas conversas e leituras para, ao fim, chegar a um assunto que muito me interessa e interessava a minha amiga de trabalho, Crystal Ribeiro. Aos 45 do segundo tempo chegamos à conclusão que queríamos falar sobre gravidez.

Quando a ideia do projeto foi sendo transferida para o papel, decidimos falar da vida das adolescentes grávidas. Nosso objetivo é contar a vida e a história dessas meninas que engravidam tão novas e começaram a ter outra realidade.

Quando o trabalho começou de fato, tivemos que correr atrás dessas garotas e foi aí que começaram as minhas frustrações e medos, porque muitas delas desistiam, desmarcavam, não atendiam ao telefone ou não respondiam. Houve vários momentos durante o trabalho em que achei que não o conseguiríamos realizar.

As entrevistas difíceis de serem feitas foram com os parceiros, pois a maioria não gostava de falar sobre o assunto e os dois que falaram conosco, o assunto não rendeu quase nada, pois eles estavam com muita vergonha de falar sobre. Foi então que, para mim, chegou ao cúmulo. Comecei a me questionar em que tipo de profissional eu estava me transformando, se era mesmo esse mundo em que eu queria viver.

Mas as respostas de todos os questionamentos vinham quando eu e Crystal estávamos falando com as meninas e com as mães delas e víamos cada palavra dita, arrependimentos e lágrimas que muitas vezes vinham por medo e dúvidas, por julgamento das pessoas ou simplesmente pela felicidade de estarem vivendo aquele momento.

Foi todo o carinho, o afeto, foi elas terem me recebido e conversado comigo por horas como se fosse uma amiga. São pequenos gestos e histórias que me fazem e me fizeram querer continuar nesse ambiente. Obrigada meninas por contar e confiar a mim um pouco de suas histórias. Foi através delas que hoje eu aprendi e cresci muito profissionalmente e humanamente.

Crystal Ribeiro

Desde o começo do Ensino Médio, eu tinha muito certo dentro de mim que queria ser jornalista. A possibilidade de poder viver de uma das coisas que eu mais amava (escrever) era surreal e as possibilidades dentro da área me deixavam cada vez mais segura da minha opção.

Mas, quando o TCC se tornou algo mais próximo, eu estava num momento muito questionador a respeito das minhas inclinações profissionais e do meu propósito como jornalista. Eu sempre pendi muito para o lado do jornalismo cultural, mas tamanha foi a minha crise naquela época que tudo o que eu não gostaria de falar no TCC era sobre essa área que estava me causando tantas angústias e inseguranças.

E foi então que, depois da leitura do incrível “Precisamos falar sobre o Kevin”, da Lionel Shriver, em 2017, eu me deparei com uma temática que eu tinha muita curiosidade, mas da qual nunca fui entendedora: a gravidez. No livro, a personagem principal, Eva, se vê grávida, uma situação em que não gostaria de estar naquele momento, e que, talvez, nunca gostasse.

Pensando nisso, imaginei o que eu poderia fazer com essa temática, mas sobre outra ótica: a de uma gravidez não planejada e que pudesse não ser desejada. Conversando com a minha “partner in crime”, Bruna Gomes, finalmente chegamos ao tema “gravidez na adolescência” e nos empolgamos muito com a possibilidade de entender melhor como os números da gravidez precoce no Brasil podem ser ainda tão grandes sendo que temos, hoje em dia, uma enorme quantidade de informação a respeito de tudo o que envolve o assunto.

Pessoalmente, eu não poderia estar mais surpreendida comigo por me envolver com jornalismo social, que nunca foi muito minha praia. Mas a verdade é que me surpreendi mesmo com o quanto eu fiquei grata por conhecer realidades totalmente diferentes da minha, de dar voz a essas meninas e entender como eu poderia ajudar a jogar luz sobre esse problema, que é muito mais sério e complexo do que podíamos sequer imaginar.

Durante todo o processo de construção do E agora?, sobretudo do meio para o final, quando tínhamos ouvido mais pessoas e nos confrontado com mais informações, me perguntei diversas vezes se o que nós estávamos fazendo era o suficiente para fazer jus ao nosso objetivo: o de conscientizar e alertar sobre a gravidez precoce através da experiência de meninas que estão passando por isso agora. Hoje, pouco antes de “colocar o nosso filho no mundo”, ainda não tenho certeza de uma resposta, mas acredito, de todo o coração, que se esse trabalho ajudou a empoderar pelo menos uma menina e alertá-la de que “ser mãe” não é sua única opção, já estaremos enormemente satisfeitas.

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