Em Nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo

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Aline Cunha

Desde que me entendo por gente sempre imaginei a vida sertaneja com uma atmosfera mítica. Não só pelas histórias contadas nos “causos” e filmes mas pelas pessoas e seus costumes. Uma região que, para mim, trazia em suas raízes uma força tremenda e assim como sua cultura. E quando escolhemos a PE-365 para ser nosso projeto de estudo, confesso que fiquei muito ansiosa para poder conhecer o lugar que tanto imaginei.

Como nunca tive a oportunidade de experimentar daquele ambiente, conheci um local onde apesar de sofrer com problemas climáticos e suas limitações, é muito vivo. Nas nossas duas viagens, pudemos presenciar as duas faces da vegetação. Em novembro de 2015, uma das piores secas já registradas. Tudo tinha cor de terra. Já em março de 2016, com as chuvas fortes do começo do ano, as plantas estavam verdes. As borboletas nos recepcionaram e foram nossas amigas em nossa estadia. Era como se quisessem dizer que estavam felizes por contarmos as histórias do povo que vive ali.

Ainda lembro o cheiro do feijão na casa da tia de uma senhora que nos ajudou a encontrar dona Amélia. Era uma quinta-feira de semana santa. Todos os familiares almoçavam e fomos convidados a nos juntar a eles. Estávamos numa chã, distanciada da via e naquela casa simples pude presenciar fartura, seja de uma mesa das mais bonitas e uma simplicidade grande ou de sentimento. Ali, fomos acolhidos como se fossemos parte da família.

Mas como todo trabalho jornalístico, existiram os contratempos. Levamos portadas na cara, dificuldade de conseguir entrevistas com os órgãos, ligações em que o entrevistado jogava a culpa em outros nomes, textos que não saiam do lugar e outros obstáculos. Em alguns momentos eu e Augusto sentávamos preocupados tentando buscar alternativas de fechar as lacunas das matérias. Foi um período de muito aprendizado, etapas e conquistas. Senti em todo tempo que estava crescendo pessoalmente e profissionalmente. Estava fazendo o jornalismo que sempre acreditei.

Assim como as borboletas, sofremos mudanças durante a vida. Em nossa viagem pudemos viver as quatro etapas da existência. No primeiro estágio, veio o nascer da nossa ideia, que ainda não era uma realidade, mas estava guardada como um pequeno ovo em nossas mentes. A segunda fase foi onde tivemos que arregaçar as mangas e colocar o nosso plano em prática, esse estágio é o da larva. Em terceiro, seguiram durante os dias de buscas por personagens, o desenvolvimento do projeto, o fazer acontecer. Aqui as asas já estão formadas. E o estágio final, quando o especial está finalizado, cuja transformação do conceito toma forma, vida, independência. Pronto, essa é nessa hora que podemos deixar o casulo e voar por conta própria.

Augusto Cataldi

Realizar esse trabalho não foi nada fácil. Depois de tantas ideias sobre o que fazer, a que mais chamou atenção de Dario Brito, nosso orientador, foi falar sobre as cruzes. Na verdade, era o que mais eu queria também. Após decidir como seria a abordagem, estava na hora de ir a campo e correr atrás das histórias que nos aguardavam e que precisavam ser contadas.

O meu maior medo não era levar uma porta na cara ou que as pessoas não atendessem nossos telefonemas, muito embora isso se tornaria um fator de atraso em nossa apuração. O que me deixava inseguro era como eu iria reagir às histórias que nos contariam. Imaginar a dor de uma mãe que perdeu seu filho ou uma esposa que agora cria sua filha sozinha por conta de um fato trágico naquela via me deixava receoso.

Porém, minha curiosidade era maior. Ela sempre foi, desde quando minha mente me cantou essa pauta. Quando chegamos lá, na primeira vez, nos deparamos com um cenário típico do Sertão – seca, caatinga e muito calor. Eu pensei que aquela aridez local seria traduzida em nossos textos, no que ouviríamos por lá.

E de fato a gente percebeu que o Sertão faz isso com as pessoas; deixa elas mais fortes. Ao conversar com os nossos anfitriões, notamos o quão forte e conformados eles são; apesar daquela perda, que dói – sem sombra de dúvidas -, a vida deles seguiu. Muitas vezes, a história doía na gente, como se fosse nossa.

Seguir viagem de volta a Recife nos deixou com o sentimento de que, em algum momento, voltaremos lá, para mostrar a cada um deles a sua própria voz, seu próprio momento. Também para agradecê-los e justificar sua importância, para nós e para a região. Mais ainda, agradecer a Orlando, Cícero, Adevaldo, Joan e ao menino Gutemberg, que mais pareciam “alumiar” nosso caminho até suas histórias.

Texto, diagramação e ferramentas interativas:
Aline Cunha e Augusto Cataldi

Áudios, fotos e vídeos:
Aline Cunha e Augusto Cataldi

Vinheta:
Aline Cunha e Augusto Cataldi

Orientação e revisão de texto:
Dario Brito

Design:
Flávio Santos

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